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segunda-feira, 19 de fevereiro de 2018
quinta-feira, 16 de março de 2017
Theodor Adorno: normalidade significa morte
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sexta-feira, 17 de junho de 2016
Reflexões sobre o atentado na boate LGBT
Reflexão do filósofo Fabio Goulart sobre este terrível atentado de ódio...
Link do artigo em pdf: http://ebooks.pucrs.br/edipucrs/anais/semanadefilosofia/IX/1.9.pdf
** ATENÇÃO AMIGO YOUTUBER, marque esse vídeo como "Gostei", Favorite, se inscreve no canal FilosofiaHoje e divulga isso nos comentários que eu me inscrevo no seu canal!
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domingo, 14 de junho de 2015
Debate Inicial - Alienação na Mídia Tradicional e Internet
Aula número 1 do curso Alienação na Mídia Tradicional e Internet. É um debate inicial com diversas questões deste curso. Interessante para todos nós que usamos a internet, interessante para estudantes de Comunicação Social, interessante para adolescentes estudantes do Ensino Médio. Afinal: Quem aliena mais, mídia tradicional ou internet?
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terça-feira, 10 de junho de 2014
THEODOR ADORNO: ENTRE A ALIENAÇÃO E A VIOLÊNCIA
-Para Baixar o artigo completo clique no link http://goo.gl/p5H1hn
-Para assistir o vídeo "Três narrativas e uma história de intolerância" clique no link https://www.youtube.com/watch?v=H9GhxmmpY4s
-Aula do Me.Phil. Fabio Goulart. "THEODOR ADORNO: ENTRE A ALIENAÇÃO E A VIOLÊNCIA". RESUMO: O primeiro ponto deste artigo demonstra que para Theodor Adorno mito, dominação e trabalho estão entrelaçados desde muito antes do capitalismo moderno; já o segundo demonstra a partir de que momento esta lógica de alienação e reificação transforma-se em uma lógica de opressão e violência. Para Adorno nos mitos da Odisseia a constante autoafirmação da subjetividade de Ulisses manifesta nele o protótipo do homem burguês e em seus comandados a massa de manobra. Tal como no mito das sereias no qual Ulisses amarra-se ao mastro enquanto os seus marinheiros foram ensurdecidos para poderem sobreviver, no capitalismo tanto o burguês quanto o trabalhador estariam presos à mesma embarcação, à diferença seria que assim como Ulisses o burguês desfruta do canto das sereias, enquanto os marinheiros remam com temor à morte sem nunca poderem desfrutar luxo algum. Não só alienação, mas também patologias psicológicas como o individualismo e a depressão detêm para Adorno origem social, depois eclodem nos sujeitos gerando os mais inimagináveis tipos de violência. Este artigo demonstra como o trabalho alienado estaria gerando uma cultural doente oriunda do falso esclarecimento, da falsa mimesis e da falsa projeção, juntas elas formariam a semicultura, cultura esta que tem a indústria cultual como principal propagadora.
Palavras-chaves: ALIENAÇÃO. VIOLÊNCIA. PRECONCEITO. TRABALHO.
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quarta-feira, 23 de abril de 2014
Theodor Adorno: Elitismo, Lixo Cultural & Coisas do Espírito
Algumas pessoas entendem a Filosofia como religião e muitas vezes querem colocar-se acima de qualquer saber, "além do bem e do mal", tratando tudo de maneira elitista e egocêntrica.
*Obs.: AUMENTE O SOM DE SEU EQUIPAMENTO NA PARTE FINAL DO VÍDEO POIS O ÁUDIO FICOU BAIXO. PEÇO DESCULPAS...
Se dizendo "deuses" com poderes julgadores, simplesmente descartando opiniões e concepções de filosofia distintas das suas.
Enxergando tudo com certa superioridade intelectual e cultural, a ponto de arrogar para si o direito de eleger o que é: "o lixo cultural" e o que não é.
"Quem interpreta, em vez de simplesmente registrar e classificar, é estigmatizado como alguém que desorienta a inteligência para um devaneio impotente. Ser um homem com os pés no chão ou com a cabeça nas nuvens, eis a alternativa. (...) Para o purismo científico, qualquer impulso expressivo presente na exposição ameaça uma objetividade que supostamente afloraria após a eliminação do sujeito, colocando também em risco a própria integridade do objeto. (...) Na alegria contra as formas, a reflexão sobre as coisas do espírito torna-se privilégio dos desprovidos de espírito." (T. Adorno - Notas de Literatura I)
**Obs2.: Agradeço ao amigo Fabio Fleck por este post original e ao inimigo Jeverton dos Santos que foi a "musa" inspiradora...
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Enxergando tudo com certa superioridade intelectual e cultural, a ponto de arrogar para si o direito de eleger o que é: "o lixo cultural" e o que não é.
"Quem interpreta, em vez de simplesmente registrar e classificar, é estigmatizado como alguém que desorienta a inteligência para um devaneio impotente. Ser um homem com os pés no chão ou com a cabeça nas nuvens, eis a alternativa. (...) Para o purismo científico, qualquer impulso expressivo presente na exposição ameaça uma objetividade que supostamente afloraria após a eliminação do sujeito, colocando também em risco a própria integridade do objeto. (...) Na alegria contra as formas, a reflexão sobre as coisas do espírito torna-se privilégio dos desprovidos de espírito." (T. Adorno - Notas de Literatura I)
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terça-feira, 22 de abril de 2014
"A reflexão sobre as coisas do espírito torna-se privilégio dos desprovidos de espírito."
Algumas pessoas entendem a Filosofia como religião e muitas vezes querem colocar-se acima de qualquer saber, "além do bem e do mal", tratando tudo de maneira elitista e egocêntrica.
Se dizendo "deuses" com poderes julgadores, simplesmente descartando opiniões e concepções de filosofia distintas das suas. Enxergando tudo com certa superioridade intelectual e cultural, a ponto de arrogar para si o direito de eleger o que é: "o lixo cultural" e o que não é.
"Quem interpreta, em vez de simplesmente registrar e classificar, é estigmatizado como alguém que desorienta a inteligência para um devaneio impotente. Ser um homem com os pés no chão ou com a cabeça nas nuvens, eis a alternativa. (…) Para o purismo científico, qualquer impulso expressivo presente na exposição ameaça uma objetividade que supostamente afloraria após a eliminação do sujeito, colocando também em risco a própria integridade do objeto. (…) Na alegria contra as formas, a reflexão sobre as coisas do espírito torna-se privilégio dos desprovidos de espírito." T. Adorno
Se dizendo "deuses" com poderes julgadores, simplesmente descartando opiniões e concepções de filosofia distintas das suas. Enxergando tudo com certa superioridade intelectual e cultural, a ponto de arrogar para si o direito de eleger o que é: "o lixo cultural" e o que não é.
"Quem interpreta, em vez de simplesmente registrar e classificar, é estigmatizado como alguém que desorienta a inteligência para um devaneio impotente. Ser um homem com os pés no chão ou com a cabeça nas nuvens, eis a alternativa. (…) Para o purismo científico, qualquer impulso expressivo presente na exposição ameaça uma objetividade que supostamente afloraria após a eliminação do sujeito, colocando também em risco a própria integridade do objeto. (…) Na alegria contra as formas, a reflexão sobre as coisas do espírito torna-se privilégio dos desprovidos de espírito." T. Adorno
quinta-feira, 11 de julho de 2013
Filosofia Como Crítica da Violência
(Filósofo Dr. Ricardo Timm de Souza)
I - A historicidade dos conceitos
Paralelamente à história - histórias - da civilização - civilizações - acontecem as histórias dos processos de legitimação e deslegitimação de conceitos que sustentam as concepções de mundo, as cosmovisões, as Weltanschauungen, a partir das quais, e no interior das quais, tais histórias civilizacionais se desenvolvem e se tornam de algum modo descritíveis, incorporando-se ao imaginário de uma cultura em uma determinada época. Há uma história dos conceitos e categorias que legitimam e oficializam as historiografias oficiais; porém, no processamento dos dados e dos símbolos, essa história dos conceitos e categorias se dilui no decorrer do que se estabelece; naturaliza-se e se torna dificilmente perceptível no conjunto hipercomplexo de fatores em questão.
A história - a historicidade - dos conceitos e categorias interpretativas da realidade, que servirão para credibilizar as narrativas historiográficas, não poderia, por evidente, ser oriunda senão do labor filosófico, que é a fonte da qual todos e quaisquer conceitos interpretativos dos quais alguma ideia de realidade provém, em última instância. É a filosofia que tem a responsabilidade pela geração, crítica e regeneração de categorias interpretativas suficientemente sólidas e conceitos formais suficientemente burilados para que os acontecimentos não se tornem, na observância livre do temor de Kant, conteúdos cegos da reflexão e do encadeamento que se pretende. E, sem dúvida, o que estamos aqui chamando de “história dos conceitos e categorias interpretativas da realidade” se estatui e se constitui como um campo de contínuas atribulações e dificuldades, em sintonia com as forças e interesses em luta que se servirão, exatamente, desses conceitos e categorias, em cada tempo e lugar, para legitimar seu agir e a concretude do efetivamente acontecido. Pois a realidade nada tem de inerte; seu âmago é a dialeticidade do que a constitui, daquilo que se dá, a cada momento, como real, e a apropriação possível do real é, no sentido aqui abordado - ou seja, filosófico em sentido clássico -, totalmente dependente do conceitual.
É, assim, em função dessas expressões de concretude, ou de expressões de realidade, se preferirmos - o que significa: do jogo de forças que as geram -, que os conceitos assumem sua dignidade propriamente conceitual, inscrevem-se em uma determinada tradição e beiram um status de autonomia. Ajudarão, em cada momento, e de acordo com as intenções prevalentes em determinada situação do jogo dialético, a legitimar ou a deslegitimar o que se apresenta, simplesmente, como verdadeiro ou como real. Pois o que se apresenta simplesmente como real ou verdadeiro a um observador casual tem uma história extremamente tensa, que se dá pela imbricação de elementos intelectuais - os conceitos e categorias em processo de formação e legitimação - com elementos concretos-temporais - as realidades que se sucedem no tempo, que vivem desde a temporalidade que nenhum conceito pode abarcar, pois é a condição de surgimento de todos eles .
II - A tensão originária-original da filosofia
Nesse sentido, a filosofia padece congenitamente de uma espécie de estranho paradoxo, que quiçá fosse melhor chamar uma tensão originária-originante, ou originária-original, pois simultaneamente dá origem e pertence a essa origem. Surgido o filosofar feito crítica, estabelece-se desde sempre e paralelamente como instância primigênia de acompanhamento, sanção e legitimação do estatuído . A tensão a habita em seu próprio aparecimento, desde seus mais remotos estertores categoriais. Se, por um lado, ocupa o papel intrínseco ao intelecto de verter-se àquilo que aparece como significativo a esse intelecto, e nesse sentido propõe-se crítica de si e de tudo, por outro lado toma para si a tarefa de sancionar o percebido como real, nas mais diversas escolas, tendências e eras do pensamento filosófico, exatamente como sendo real, ou seja, verdadeiro, ao qual empresta sua chancela intelectual, seu selo conceitual.
É evidente que esta posição congenitamente oscilante do trabalho filosófico tem levado a questões de imensa importância. Uma dessas questões diz respeito, indubitavelmente, à relação do conceito com o tempo percebido (aqui: temporalidade). A importância dessa questão é extraordinária; a depender da posição que vai sendo tomada ao longo da história do pensamento filosófico, a compreensão das questões do sentido e do não-sentido de cada momento especulativo - pedras basilares de todo pensamento filosófico - se alterna em função da lógica que, em cada ponto, tem o privilégio de se impor como veraz ao intelecto movido pela congênita curiosidade pelo real. Outra questão magna refere-se à potência crítica da qual o pensamento filosófico não pode abdicar; de fato, não é possível subestimar a força ideológica dos mecanismos de dominação e legitimação do estatuído - o positivismo - que a cada momento tenta, insidiosa ou abertamente, abortar a reflexão; pois, como sabemos no mínimo desde Habermas, “recusar a reflexão, isto é o positivismo” .
III - Luzes e sombras da realidade
Como derivação por assim dizer natural e definitivamente necessária da tensão filosófica original, na qual não têm lugar ingenuidades, é possível o acompanhamento não apenas da linhagem hegemônica do pensamento filosófico - o que se encontra decantado e plasmado nas milhares de dicionarizações conceituais que se enfileiram ao longo do tempo e habitam o lugar-comum da mentalidade inclusive de não-especialistas - como, também, daquele lado obscurecido da história filosófica, os desvios e variações, o recalcado, a sombra que acompanha a luz do intelecto em praticamente todo autor, e em alguns - Pascal, Benjamin - de forma especialmente eloquente. É assim intrínseca à filosofia uma dialética interna sem síntese, à Adorno, que a habita em sua mais densa profundidade.
No que diz respeito à referida relação entre os conceitos e a temporalidade, não parece ser muito difícil perceber que uma das formas mais produtivas de compreender a própria gênese conceitual das categorias é compreender o modo como cada categoria está, em cada momento da história, temporalmente implicada. Porém, cuidado: a imbricação atrás enunciada pode mimetizar exatamente a extrema dificuldade de lidar com conceitos - v. g. “tempo” - que não são e não podem ser, na presente cadeia lógica, exatamente “conceitos”, já que, como se pode observar sem muito esforço, não só não “cabem” em um conceito como sua natureza experiencial é diversa . Pois, diferentemente de realidades cuja percepção se dá condicionada por categorias anteriores, erige-se como possibilidade de todo condicionamento e, portanto, de todo pensamento, inclusive do pensamento conceitual-categorial, filosófico no sentido clássico do termo.
Esse pensamento filosófico no sentido clássico do termo é, portanto, habitado por uma variância em sua íntima constituição, a qual, ao longo dos séculos, aparece com mais ou menos evidência, conforme a disponibilidade e o estilo intelectual dos pensadores em questão. E, como temos consciência da variância atrás referida, é-nos interditado o estabelecimento de hierarquias ou axiologias primárias entre os múltiplos estilos de pensar crítico; tal seria uma simples violência aporética, a cessação desde fora do que mantém o filosofar vivo, da tensão vital que o habita. Luzes e sombras reproduzem a vitalidade do intelecto que se depara com o que não é ele.
IV - Crítica e crise, crise e crítica
Assim, mantida à vista a dialética interna do pensar filosófico desde sua gênese e em todas as épocas que esse pensamento mereceria o nome de filosófico e não meramente de ideológico, afastada a possibilidade do recalque primitivo de um dos pólos da tensão, resta-nos avaliar a possibilidade da fidelização que podemos demonstrar ao próprio pensamento filosófico enquanto crítica do real e do seu sentido. Pois, e tal é desde sempre percebido e incontestado, a crítica nascida da crise do desconforto, da dor, do sofrimento ou do thaumazein ante a exuberância do mundo - portanto, uma quebra do estado de bonomia que uma pretensa neutralidade poderia oferecer -, tal crítica é o coração de todo e qualquer filosofar, que existe em função da requalificação, da configuração intelectual da crise de origem, do choque que o mundo apresenta ao intelecto. Desse modo, temos aqui uma indicação suficiente da pertinência filosófica de uma interrogação, de uma cadeia lógica, de um salto intelectual: o quanto de crítica o motiva, o move e o habita. Mais uma vez, superamos a ingenuidade de uma descrição do passado pretensamente neutra, para adentrarmos o universo da insegurança que a temporalidade em seu decorrer significa.
No presente texto, tomaremos dois - e não mais que dois, por suficientes, e, ademais, por interligados - aspectos críticos do filosofar que, pela própria coerência interna daquilo a que a filosofia se propôs (e não por algum capricho ou predileção particular de alguém), necessitam assumir a visibilidade que efetivamente seja fiel à sua importância no universo dos significantes filosóficos, em fidelidade, igualmente, à motivação primeva de todo e qualquer significante filosófico, em todo o arco de sua história. Tais aspectos são o exorcismo intelectual da temporalidade e a falácia sedutora do “positivismo filosófico”. Tal é necessário para que se entenda em que sentido entendemos a filosofia como se estatuindo em crítica privilegiada da violência.
V - A questão propriamente dita do pensar e sua negação: o exorcismo intelectual da temporalidade e a falácia sedutora do “positivismo filosófico”, ou: a Verdrängung da crítica - exorcismo da temporalidade e “positivismo filosófico” como conteúdo original da violência
“A cegueira é uma arma contra o tempo e o espaço. Nossa
existência é uma única, imensa cegueira, exceção feita às
poucas coisas que nos são transmitidas por nossos míseros
sentidos, míseros por sua índole e por seu alcance. O princípio
dominante do Cosmo é a cegueira. Ela permite a justaposição
de coisas que seriam impossíveis se se vissem umas às outras.
Possibilita a interseção do tempo onde este seria insuportável...”
Elias CANETTI
1- O pensamento ocidental se estrutura, desde os seus primórdios, em torno à questão da diferença. É em torno a este núcleo referencial que os grandes problemas clássicos da filosofia se articulam e amadurecem enquanto, exatamente, problemas fundamentais: particular versus universal, necessário versus contingente, finito versus infinito, sensível versus racional, alma versus corpo - as dualidades opostas são infindas e remetem, em última análise, sempre ao mesmo problema anterior que as gera: à questão da não-unidade - da diferença - da realidade com relação a si mesma. Houvesse tudo em tudo, e o resultado seria a onisciência e a dispensabilidade do pensar; mas é porque há desvãos na estrutura do real (seja esta qual for, porque a concepção de realidade se estrutura justamente em torno a estes desencontros) que o pensamento se gera, e se gera como urgência, urgência de índole cognoscente-classificatória. No início, não é o verbo Ser, mas os desencontros que o verbo Ser tenta de algum modo identificar. Se “isso” fosse desde sempre apenas “isso” - {X = X}, não teríamos provavelmente filosofia alguma, pois a tautologia perfeita desaparece em si mesma inclusive enquanto problema; mas é porque “isso” é também “aquilo”, ou não é somente “isso”, ou deve ser “aquilo”, ou pode ser compreendido de outra forma, ou se constitui em instância de uma síntese maior - {X não é Y} - que o pensamento se põe em marcha em seu processo essencialmente identificante - de forma que, ao fim e ao cabo, “isso” ‘se encontra’, ainda que na órbita fechada de uma racionalidade particular, consigo mesmo. Uma série de funções do processo de identificação, do processo cognoscitivo, se unem nesta tarefa: a localização, a comparação, a nominalização, etc. Quando, ao final de minhas análises, promulgo que “o pinheiro é um vegetal”, isso significa a culminância de um longo e árduo itinerário. Tive de “perceber” a realidade; destacar dali algo especial a ser “classificado”; destacar deste “algo” o seu “conceito” (ou mesmo “construí-lo”); tive de comparar esse “conceito” com semelhantes e dessemelhantes; “atribuir” a esse conceito um “nome”; e, finalmente, propor a identificação entre esse nome e o alvo de minhas atenções. Mas, a rigor, o processo é o desdobramento de uma fórmula mais simples. Inicia com um “o que é isso?” {X=?}; desdobra-se em “isso pertence à classe lógica dos vegetais” {X=Y} e desemboca na nominalização onde se pretende que a essência, ou o essencial do pinheiro seja dado, coincida com seu nome: “isso é um pinheiro”, ou seja, “isso, que é identificado como sendo um pinheiro, é um pinheiro” {X=X}. O que esteve por trás e é anterior a todo esse procedimento, como já dito, é um processo identificante; e esse processo identificante consiste justamente na tentativa de retirar da diferença seu caráter, exatamente, de “diferente” enquanto tal, transmutando-a em diferença lógica, ou seja, em uma espécie de combustível da máquina identificante do pensamento. E é interessante notar que tal dado é comum a todas as grandes lógicas ocidentais, sejam de índole formal, sejam de teor dialético. No primeiro campo, temos a articulação da variedade do mundo em torno a uma referência significante que lhe dá sentido; o verbo Ser, a presença do real em torno às definições da possibilidade de o real ser, exatamente, real. No segundo caso, a diferença - a negação - assume uma posição mais consistente, é levada pretensamente “mais a sério”; mas, pela sua própria dinâmica, a dialética não cessa, porém segue adiante na direção de uma Aufhebung ou síntese que, contendo embora a diferença, não a trata como tal, mas como momento dialético a ser ultrapassado no momento seguinte que é, de uma ou outra forma, re-identificante. E a Dialética Negativa é uma tentativa radical de deter esta compulsão à identidade que afeta o cerne do movimento que leva a diferença a sério ontologicamente .
2 - Assim, podemos considerar que a diferença é a questão propriamente dita do pensar; é sua condição, como é o impedimento de sua completação. A questão da diferença é a provocação a um processo de compreensão do “todo”, ao mesmo tempo em que bloqueia, por sua recorrência incômoda e indeclinável, qualquer invectiva de universalização totalizante. É por isso que o pensamento - e a filosofia, enquanto determinada forma de organização do pensamento - tem de se ver continuamente confrontado com o problema das origens, dos fundamentos, dos pressupostos - ainda que nunca os esgote -, antes de se preocupar com as conseqüências e com os sistemas. É por isso também que o pensar é uma tarefa infinita, e tem de necessariamente reiniciar-se a cada momento. Para além de qualquer fabulação ou imaginação, antes de toda síntese e organização mental, dá-se a diferença: este fato é tão real aqui e agora, nesse exato momento, como o foi para o primeiro pensador que percebeu sua não-coincidência com o que não era ele, e entendeu, segundo sua cosmovisão, a necessidade de superar tal não-coincidência como condição ou realização do processo compreensivo do real enquanto tal. Superar a diferença é o ato fundante que se concebe, muito prematuramente, como movente do grande projeto do pensamento cognoscente, como a base da possibilidade de se pensar a própria condição de inteligibilidade do real.
3 - Inicia-se, portanto, historicamente, o processo de “compreensão apropriativa” da diferença, ou seja, de sua integração a uma ordem maior de sentidos que compõe as diversas formas de avançar do pensamento que pretende conhecer. Tal não se dá por uma escolha consciente de algum gênio isolado, mas por um arranjo pré-original do que se considera implicitamente condição de todo conhecimento: identificar o conhecido consigo mesmo, chegar ao real desde dentro dele mesmo.
Constituir-se-á originalmente a filosofia ocidental por este viés? Muito provavelmente. As questões originais que a tradição nos lega, ainda que fragmentariamente, bem o sugerem; as partículas de poemas cosmológicos, as obscuridades e clarezas dos antigos, assumem essa tonalidade inquieta. Logo se propõem um antes e um além do visível; à sua procura se dedicam as mentes mais agudas. Caminha-se por sobre a inquietude do dado da diferença; mas esta inquietude é a base que, segundo a convergência das energias unificantes, é preciso superar; é necessário chegar à sabedoria, superar as aparências, abordar solidamente o existente, afrontar e vencer a insegurança das não-coincidências, do universo da multiplicidade.
No contexto da presente reflexão, destacaremos agora os aspectos já anunciados: a espacialização (neutralização) da temporalidade e a objetificação intelectual-neutralizante (positivística) do dado que é alvo das energias filosóficas, ou seja, do que se apresenta como real ao intelecto cognoscente.
a) A espacialização da temporalidade
De nada adiantariam tais esforços lógicos se a temporalidade simplesmente continuasse a ocorrer pelas bordas dos sistemas lógicos, por mais sofisticados que estes sejam. E a temporalidade, expressão da diferença, dá-se originalmente como fundamento de toda inquietação filosófica, ainda que sob nomes os mais diversos: finitude, contingência, acidente, mundo empírico, etc. - e, até mesmo, exatamente, diferença.
Há, portanto, com relação à temporalidade, de neutralizá-la; caso contrário, cada categoria lógica teria de ser reinventada a cada passo, para repor na ordem plenamente inteligível da realidade do ser aquilo que o tempo acaba de corroer. A univocidade do conceito estaria perdida, e cada generalização, indução ou dedução estaria condenada a priori ao fracasso.
Esta neutralização, porém, não pode padecer de ingenuidade - pois o poder desagregador da temporalidade real é imenso. Para tratar dessa questão são, portanto, mobilizadas imensas potências racionais; e uma das primeiras soluções, e das mais clássicas, procura equiparar a não-visibilidade do tempo à visibilidade do espaço, “logicizando” espacialmente a primeira: quando se pensa em termos de ser o tempo a medida do movimento, pensa-se exatamente em subordinar o que não se dá no espaço enquanto categoria àquilo que se dá neste espaço; e, portanto, avança-se decididamente no controle do imponderável desagregante, manietando-o à controlabilidade de uma rede de conceitos. E pode-se perceber que, ao longo de mais de dois milênios de pensamento filosófico, esta é uma das questões mais recorrentes: como transformar o tempo em intemporalidade, para neutralizá-lo em seus efeitos corrosivos das certezas conceituais.
Assim, em termos práticos, o tempo que penetra até mesmo a equação do verbo Ser é congelado no verbo Ser. A rigor, não existem propriamente o passado e o futuro, exceto como antevisão e celebração da conquista do Ser. No presente do “é”, o passado e o futuro deixam de assustar: encontraram-se a si mesmos, neutralizando-se mutuamente. Não se necessita colocar como alternativas prospectivas ou retrospectivas de realidade, pois a realidade está já resolvida na fixação de alguma espécie de presente eterno ao qual o logos, a iluminação, tem acesso completo. Na construção pré-socrática, na platônica com suas “idealidades realistas” ou na aristotélica com seu “empirismo” e em todas as suas derivações, inclusive nos processos modernos de subjetivação propedêutica ou radical (inclusive em sua inversão em “objetivação” radical do idealismo absoluto) - em cada instância, grosso modo, a preocupação “determinativa” é a mesma.
Mas o que “determina” praticamente esta linguagem ao mundo que a utiliza? Desde a perspectiva da fixação do correr do tempo no espaço próprio do presente, são perceptíveis ao menos duas grandes características, que se apresentam também como dimensões de interpretação: em primeiro lugar, uma dualidade definitiva explícita estabelecida na antropologia, que não se opõe, mas antes remete, no fundo, a um monismo radical implícito: o monismo do Ser. A realidade está cindida em dois níveis de difícil aproximação: o empírico, a doxa, o corruptível, o impuro, o plural, o temporal, e a dimensão da felicidade ideal, a episteme, racional, meta-empírica, incorruptível, transcendental, “para além das aparências”, pura, singular, atemporal. Mas esta cisão também pertence ao mundo das aparências, já que, em verdade, somente a realidade atemporal é, conforme vimos, legitimamente real para esta concepção de realidade. A vita activa, com seus percalços e inconstâncias, não participa da realidade plena da contemplação atemporal das essências. O Bem reside na atemporalidade da Totalidade de sentido do verbo Ser, “presente eterno”, totalidade esta que se encontrou consigo mesma: eis o motto de fundo, “inconsciente”, a anterioridade da determinação de realidade do mundo. E, em segundo lugar, e como conseqüência da concepção de atemporalidade atribuída à realidade plena, percebe-se a radical anti-historicidade que habita esta concepção de “verdadeira realidade”, anunciando, então, o estilo positivístico de pensar. A história do desdobramento do logos, apesar das aparências em contrário, é uma anti-história, - uma espécie de história “endógena” - porque é afinal de contas um encontro consigo mesmo. Ulisses, um dos mitos fundadores do Ocidente, nos esclarece disso. Sua aventura tem a finalidade do retorno à sua pátria, a si mesmo. A mutabilidade que caracteriza a história - o tempo como condição de efetivação da realidade - é, na verdade, um desembocadouro do incontrolável, e, portanto, um escândalo para qualquer constelação bem-arranjada de conceitos. A temporalidade é a expressão última e mais aguda da negatividade enquanto tal. A Anti-historicidade se expressa especialmente na redução do imprevisível à inofensibilidade, através da positivação violenta do estatuído pela negação da reflexão sobre a historicidade do estatuído - pois, como constatamos ao início, “recusar a reflexão, isto é o positivismo”. A cosmovisão original anti-histórica tenderá mais tarde, em seus desdobramentos modernos, a subsumir o particular, o propriamente concreto da história, no universal e abstrato do Espírito e da Totalidade - tarefa empreendida por Hegel com tanto brilhantismo, e que dará a Benjamin, na intuição do movimento contrário, oportunidade para tanto trabalho .
b) A objetificação intelectual-neutralizante (positivística) do real
Um segundo elemento é fundamental no processo de inofensibilização da diferença: trata-se da neutralização do real através do crivo neutralizante do “objetivismo intelectual”, ao qual chamamos, nesse contexto, de “objetificação”. E não falamos, aqui, de um “objetivismo” que meramente se oponha a um “subjetivismo”, mas em algo mais profundo, que remete às origens do fluxo identificante que tem como resultado a articulação lógica intemporal da realidade à qual já fizemos referência.
Em poucas palavras, o que aqui chamamos de “objetificação” se constitui, exatamente, no conjunto dos processos maiores, chanceladores da legitimação dos processos parciais aos quais denominamos “auto-postulação da identidade” e “espacialização da temporalidade”; ou seja, a objetificação é a forma de emprestar legitimidade às lógicas da postulação absoluta do ser enquanto realidade e da temporalidade enquanto não mais que “pré-realidade”, lógicas estas que, como vimos, têm como impulso inicial e objetivo final despojar a diferença de seus elementos desagregantes originais. As variadas formas de como tal processo se tem dado ao longo da história do pensamento desembocam todas neste mesmo desaguadouro da pretensa naturalidade, que faz com que, em cada época, se tenha categorias-chaves para entender e legitimar a cada passo deste grande processo de “des-diferenciação”, categorias estas tratadas geralmente como sagradas ou intocáveis. É apenas quando um grande quadro cultural entra em crise que esta sacralidade é posta em dúvida; e, imediatamente, a inteligência guardiã do grande impulso neutralizante localiza uma substituta à altura, no campo das ciências ou dos grandes sistemas políticos e intelectuais. O grande horror da consciência ocidental é ter de se ver às voltas com a realidade sem as chaves compreensivas que a própria cultura recria constantemente. É assim, por exemplo, com a categoria de “infinito”, como mostramos alhures ; enquanto tal pensamento trazia em seu bojo um poder de inquietação incontrolável, se lhe tinha repugnância - os gregos, de modo geral, pensavam desde o ponto de vista da ordem, do “cosmo”, enquanto o ilimitado, o apeiron, permanecia como uma instância de escândalo intelectual. Foi apenas bem mais tarde, nos inícios da modernidade, que se pôde afirmar a infinitude do universo sem temor do descontrole “caótico” (dos antigos) ou da alteridade divina (dos medievais); e é exatamente este o momento em que inicia propriamente a modernidade.
Assim, a “objetificação-neutralização” é o próprio exercício da inteligência, enquanto este exercício visa a preservação de sua segurança original: sua referencialidade em torno ao núcleo auto e hetero-identificante. É por isso que se tem considerado tradicionalmente a inteligência como avessa a condicionalidades que atenuam sua agudeza identificante, como, por exemplo, a própria possibilidade de ela se deparar com o dela diferente. No contexto que aqui nos interessa, tal é conseguido, ao longo do processamento intelectual da realidade, pela articulação íntima entre esses dois movimentos: a espacialização (neutralização) da temporalidade e a objetificação intelectual-neutralizante (positivística) de tudo aquilo que é alvo das energias filosóficas, ou seja, como vimos ao início desse texto, das energias congenitamente críticas da filosofia. É por isso que, no atual momento sócio-histórico, em meio a uma crise civilizatória da qual se está longe de ter a dimensão exata, o germe filosófico inclina-se fortemente à sedução do quietismo que um pensamento fora do tempo significaria e, especialmente, ao “positivismo filosófico”, que ocupa com jogos lógicos e experimentos mentais o locus próprio do pensar filosófico em seu sentido propriamente crítico, ou seja, fustigado pelo concreto, substituindo-o decididamente por imagens fugazes e irrelevâncias aparatosas. Finge pensar para ocupar o lugar do pensamento.
4 - Síntese:
a) O primeiro aspecto crítico que se faz absolutamente necessário relevar é a necessidade da desconstrução das lógicas de exorcismo intelectual da temporalidade que a filosofia engendrou e vem engendrando ao longo dos séculos.
b) O segundo aspecto crítico que cumpre imprescindivelmente trazer à tona da consciência contemporânea é a falácia sedutora do positivismo acrítico que impera em inúmeros meios travestido de falsa legitimidade filosófica.
Eis, portanto, o trabalho da crítica filosófica da violência.
VI - Filosofia como crítica da violência
“Violência” tem, aqui, o sentido de real opaco, medíocre, superabundante, imagético, vulgar, no qual a contemporaneidade está em boa medida imersa e que significa a falência de modelos e promessas econômicos, sociais e ecológicos evidentemente irreais, se for percebido em sua profundidade e percutância . Dá-se como proliferação descontrolada de simulacros e caricaturas do vital, e abre espaço para a ocorrência de estilos tradicionais e particulares de exercício da violência classicamente entendida .
Compreender que a tentativa desesperada de transformar a temporalidade numa abstração é a maior de todas as quimeras - como diria Rosenzweig, “ninguém nunca assinou um tratado de paz antes de travada a guerra” - é a possibilidade primeira de evasão do alcance paralisante da poderosa Medusa imoral em que se constitui a combinação maciça entre razão “filosófica” vulgar (anulação da temporalidade pela espacialização do tempo) e razão pseudo-filosófica (os diversos estilos de “positivismo filosófico”) que consumam por sua vez, em sua combinação mortal, a legitimação e naturalização pseudo-filosófica do “estado de exceção em que vivemos”. A temporalidade do pensamento opõe-se ao mundo paralelo no qual o tempo não tem lugar; toda crítica da razão, hoje, necessita iniciar por uma crítica da própria idéia de razão a partir da racionalidade que invagina as autoconstruções legitimantes do positivismo que a si mesmo procura constantemente legitimar. Não resta, portanto, outra conclusão. Filosofia, hoje, se quiser ser fiel à sua vocação crítica primigênia, e se desejar renunciar cabalmente à tentação suicida de recalcar a crítica, não pode ser senão exatamente crítica radical da violência que a pseudo-filosofia quietista-positivista dirige a ela e ao mundo.
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sábado, 25 de maio de 2013
quarta-feira, 6 de junho de 2012
SOB A BRISA FANTASMAGÓRICA DE UMA NOVA AUSCHWITZ
SOB A BRISA FANTASMAGÓRICA DE UMA NOVA
AUSCHWITZ
ABSTRACT
PRÓLOGO
Dente os diversos alunos que receberam esta aula notei no rosto de um deles, justamente no CASE[5] onde estavam apreendidos os jovens mais perigosos e violentos, um semblante perfeito de espanto e dúvida. Este jovem olhou para mim e questionou: “-Como pode um governo levar um povo inteiro à guerra e ao assassinato massivo e mecânico de outro povo? Principalmente sedo boa parte deste outro povo gente daquele mesmo país?”. Fiquei atônico e sem saber o que responder. Aquela pergunta questionava e buscava uma razão para a barbaria vindo de um jovem assassino condenado. Fiquei atônico, afinal, naquele segundo percebi que provavelmente nenhuma filosofia válida seria capaz de “dar razões” à Auschwitz e que tal barbárie talvez fosse incognoscível até mesmo para um jovem bárbaro.
INTRODUÇÃO
2. CRÍTICA À RAZÃO PURA
(...)a liberdade do sujeito não se identifica com a liberdade e igualdade garantidas pelos procedimentos jurídicos e políticos do Estado. Ao tentar salvar a autonomia moral da razão pura frente de todo encadeamento social, a ordem social e sua regularização jurídica ficam em parte também a salvo da determinação moral que assim é privatizada e neutralizada (Moreira, 2008, p.16).
(...)ele confiava que a contradição interna do capitalismo e a agudização da injustiça que sofria o proletariado, constituiria um sujeito revolucionário capaz de por fim a todo tipo de dominação social, isto é, de alcançar uma verdadeira emancipação (Moreira, 2008, p.17).
As relações sociais de dominação (...) exigem disciplina a lógica da dominação mascarada de “autodeterminação”, seja na autoafirmação soberana dos que participam na troca capitalista, seja no pensamento identificador. (Moreira, 2008, p.22)
Fabio Goulart[1]
RESUMO
Partindo da vivência que o autor teve ao ensinar
filosofia dentro de uma instituição sócio educacional para menores infratores,
este trabalho avalia e reconstrói o imperativo categórico de Theodor Ludwig W.
Adorno que possui caráter moral e pedagógico ao nos dizer que devemos “Educar para que Auschwitz jamais se
repita”.
PALAVRAS-CHAVES: Nova Auschwitz. Imperativo categórico.
Indivíduo esvaziado.
ABSTRACT
Based on the living
experience that the author had to teach philosophy in an educational social
institution for juvenile offenders, this study evaluates and reconstructs the
categorical imperative of Theodor W. Ludwig Adorno who has moral character and
pedagogical by telling us that we must "educate so that Auschwitz will
never happen again."
KEYWORDS: New
Auschwitz. Categorical imperative. Individual emptied.
PRÓLOGO
O velho e inexplicável furacão já passou. A aldeia dos
homens já está reconstruída. Não é possível mais ver quase nenhuma sequela
física naquelas bandas, mas nas almas dos homens ainda sangram as feridas que
jamais cicatrizam. O furacão já se foi... Resta agora uma brisa gélida e
fantasmagórica sobre nossas cabeças.
No início do ano de 2012 aceitei desafio de ensinar sobre
a filosofia e o filosofar para jovens que cometeram crimes e estavam condenados
a cumprir medida sócio educativa em regime fechado.
Eram jovens entre quinze e vinte e um anos de idade,
trancafiados em e ambientes imundos, sombrios, fedorentos, e numa temperatura
perto dos cinquenta graus Celsius. Um ambiente sem a menor condição de promover
a mínima dignidade humana, quem dirá então ser um ambiente de aprendizagem
escolar e reabilitação social.
Ao iniciar minhas aulas, notei logo de cara que esses
jovens em privação total de liberdade e cidadania, apresentavam um nível de
interesse e abstração frente aos conceitos e propostas filosóficas muito
superiores a maioria dos jovens suburbanos livres situados na mesma facha
etária dos referidos. Falo isso a partir de minha própria experiência docente e
discente, afinal fui um jovem suburbano e entendo “sensitivamente” os inúmeros
pontos de implicação social que isso significa. Conheço bem os vários “nãos”
que realidade social aplica aos jovens desta situação e o maquiavélico desejo
de se atingir os objetivos materiais através de métodos ilícitos.
Estes jovens se mantinham atentos a cada minuto da aula e
faziam inúmeras abstrações e comparações entre os assuntos filosóficos e suas
realidades de vida. A partir do método das Comunidades de Investigação de
Matthew Lipman[2],
por mim aplicado, boa parte dos alunos conseguia chegar a suas próprias
conclusões e, em seguida, refutá-las enquanto verdades absolutas frente ao
grupo de colegas. De fato eles estavam dispostos a refletir sobre a realidade
empírica e conceitual de suas vidas, porém apresentavam grande dificuldade de
lidar com o conteúdo formal da história da filosofia.
Notei que tal dificuldade era, em grande parte, oriunda da
falta de qualidade na educação escolar que receberam. Fato que não só os
levaram
a uma
vida de crimes e barbárie[3],
mas também os deixaram sem o mínimo conhecimento histórico da humanidade. Eram
jovens vivendo o presente, mas sem o menor conhecimento do passado. Como fazer
com que se reconheçam como parte agente de uma história humana da qual a desconhecem
em absoluto? Estavam ali, pois, como veremos adiante, eram total objeto do
sistema, alienações factuais da Indústria Cultural[4].
Uma ampliação das respectivas realidades históricas, sociais e culturais se
fazia urgentemente necessária, afinal, o “mundo” de cada um daqueles jovens
começava e terminava nos limites de sua comunidade ou de sua facção criminosa. Digo-lhes
que todos colocavam orgulhosamente ao lado de suas assinaturas a comunidade de
origem e (ou) a facção criminosa
pertencente.
Nesta incursão histórica necessária não só para a boa
desenvoltura das aulas de filosofia, mas para a re-significação do sentido de
vida daqueles jovens, passamos pela segunda guerra mundial e pelo holocausto.
Falei sobre o que aconteceu e sobre o fato de Adolf Hitler e o Partido Nacional
Socialista dos Trabalhadores Alemães (Nationalsozialistische
Deutsche Arbeiterpartei - NSDAP) terem se valido da fragilidade do ego do
povo alemão após a derrota da primeira guerra para criarem um grande espetáculo
estético que conduziria a Alemanha ao nazismo e consequentemente os horrores da
guerra.
Dente os diversos alunos que receberam esta aula notei no rosto de um deles, justamente no CASE[5] onde estavam apreendidos os jovens mais perigosos e violentos, um semblante perfeito de espanto e dúvida. Este jovem olhou para mim e questionou: “-Como pode um governo levar um povo inteiro à guerra e ao assassinato massivo e mecânico de outro povo? Principalmente sedo boa parte deste outro povo gente daquele mesmo país?”. Fiquei atônico e sem saber o que responder. Aquela pergunta questionava e buscava uma razão para a barbaria vindo de um jovem assassino condenado. Fiquei atônico, afinal, naquele segundo percebi que provavelmente nenhuma filosofia válida seria capaz de “dar razões” à Auschwitz e que tal barbárie talvez fosse incognoscível até mesmo para um jovem bárbaro.
Por algum motivo respondi: “-investindo em educação.”. Tal resposta causou um susto ainda maior
ao jovem, pois certamente ele, como boa parte da população mundial, tem nas
vísceras a ideia de que um governo que investe em educação: investe num futuro
melhor para seu povo. Este pressuposto intrínseco na nossa cultura provou com
Auschwitz ser um grande engodo e esconder outros pressupostos capazes de
disseminar o ódio, o horror e o sofrimento em estado puro. Auschwitz se mostrou
como o próprio limite que barbárie pode chegar quando se pretende afirmar a
identidade de algo ou alguém perante a subjugação do outro.
INTRODUÇÃO
Investir na educação é o que de mais nobre pode um
governo, mas à quais princípios e interesses servirão tal investimento? Qual
imperativo moral deve se agarrar o nosso educar?
Para Theodor Ludwig W. Adorno a resposta para essas duas
questões seria que o único interesse e principal imperativo moral de toda
prática de ensino-aprendizagem deve ser: “Educar para que Auschwitz jamais se
repita”.
Com o intuito de clarificar este imperativo, suas
motivações e implicações; inicio esta pesquisa. Também irei traçar alguns
paralelos com certos acontecimentos atuais para verificar se estamos agindo
certo em direção a tal imperativo de Adorno e quais estratégias podemos adotar
frente a essa questão e seus problemas subsequentes.
1. POR QUE AUSCHWITZ?
1. POR QUE AUSCHWITZ?
Este imperativo categórico de Adorno não nos é só ético e
moral como também tem forte e necessário viés pedagógico, afinal lhes afirmo que
a educação foi um instrumento muito bem usado pelo regime nazista[6]
para o sucesso da barbárie sobre a razão durante segunda guerra mundial. Neste
sentido a exigência de que Auschwitz não se repita deve ser sempre a primeira
exigência das tantas que devemos fazer à educação.
Em seu livro chamado Dialética
Negativa, Adorno vê tal exigência como tão básica e evidente que não
precisa ser fundamentada. Da mesma forma, não podemos nem devemos tentar
fundamentar ou explicar a barbaria realizada em Auschwitz, o terror é evidente
e tentar migrar nesta direção seria ainda mais bárbaro. Infelizmente pouco fizemos
para evitar a barbárie e com isso deixamos nosso futuro e presente abertos para
Novas Auschwitzs.
Para que se entenda este imperativo não podemos olhar Auschwitz
como um acontecimento localizado num determinado espaço temporal, precisamos
entendê-la como um referencial universal que a humanidade deve evitar com todas
suas forças. Isso equivale a dizer que Adorno não está tentando defender o povo
judeu, é muito difícil imaginar campos de concentração e extermínio de judeus
no Brasil do século XXI, afinal essa é uma religião de pouca influência na
realidade brasileira. Por que então devemos evitar a repetição disto tudo se
não há riscos aparentes disto tudo acontecer?
Adorno se refere ao risco do extermínio injustificável,
massivo de seres humanos, organizado burocraticamente, dirigido
administrativamente e executado de modo industrial.
Para José Antonio Zamora existem duas frentes de investigação
(Moreira, 2008, p.12):
I- Vincula o significado universal de Auschwitz à
singularidade do acontecimento. Nesta linha tal acontecimento seria expoente
máximo do mal radical, a quebra de tudo que define o humano como tal, onde não
só se atentou contra a humanidade daquelas pessoas exterminadas, como se tentou
aniquilar a própria humanidade contida nas mesmas;
II- Vê Auschwitz como o extremo que uma lógica de
dominação e aniquilamento pôde chegar em toda história da humanidade, revelando
o lado mais sombrio que qualquer
dominação pode esconder.
Julgo que as duas frentes não se
excluem e é interessante investigarmos nas duas. A razão humana não pode de
maneira alguma tentar justificar Auschwitz sem estar negando a si mesma, sua
economia, sua história, etc. Para Zamora reside justamente nessa
injustificabilidade a singularidade universalizadora de tal fato, não só isto,
reside também a prova incontestável do risco que toda ideologia esconde ao
tentar gerar indivíduos perfeitamente identificados consigo mesma e diferentes
de si mesmos e dos outros (Moreira, 2008, p.12). Devemos ter cuidado, não estou
afirmando com isso que a racionalização de um crime o deixa menos horrível e
condenável.
Auschwitz não foi um “mero acidente”
na história da humanidade, ela é prova viva que o projeto emancipatório
proposto pela modernidade pode criar uma lacuna tamanha que venho a culminar em
tal barbárie. Ela estraçalhou o espírito iluminista e para Zamora (Moreira,
2008, p.14) revela a cumplicidade existente entre a razão moderna e o princípio
de dominação.
Ao tentar responder “por que
Auschwitz?” não só é possível entender o motivo de devermos ter na busca por
sua não repetição o imperativo moral e pedagógico universal para humanidade, como
acabamos por revelar a patologia da sociedade e seus indivíduos frutos da
racionalidade moderna que necessita ser criticada em suas raízes para evitar o
retorno do horror.
2. CRÍTICA À RAZÃO PURA
Se o projeto da modernidade fracassa
ao permitir o acontecimento de Auschwitz, isso não justifica seu total
abandono. A necessidade de uma educação emancipatória se faz ainda mais
necessária após o ocorrido, porém com uma exigência crítica ainda maior.
Kant em sua resposta sobre o que é o
iluminismo, dentre outras coisas, ele nos disse que o Iluminismo[7]
era a voluntária saída da humanidade de seu estado de menor idade em busca de
uma fase adulta, esclarecida, autônoma e responsável por seus atos.[8]
Foi justamente este projeto que visa à emancipação do homem de toda tutela
externa em busca da servidão única e autônoma ao próprio entendimento que
fracassou[9], e
permitiu que a humanidade cometesse seu
mais bárbaro ato mesmo após seu proposto esclarecimento.
Claro que com Kant este esforço
estava apenas começando. O caminho que teoricamente nos conduzirá a emancipação
estava apenas sendo traçado, mas como observamos historicamente, não foi capaz
de superar lacunas imensas que deram espaço, por exemplo, a Auschwitz.
Julgo que neste processo em busca a
emancipação, a pedagogia detém uma posição privilegiada e necessária, que pode
nos levar a uma Nova Auschwitz, ou a um mundo melhor dotado de indivíduos
autônomos. Zamora (Moreira, 2008, p.15) diz que emancipação, razão e educação
estão definitivamente conectadas.
Parece-me que a capacidade para se
executar em sua plenitude tal projeto está além da capacidade inerente à
própria razão humana, dependendo também de fatores sociais, econômicos,
políticos, históricos, etc. Para Zamora: “A
liberdade pura é o pressuposto de uma autodeterminação racional possível, mas
já não se pode precisar o lugar social em que essa liberdade pura se realiza”.
Em Kant[10]:
(...)a liberdade do sujeito não se identifica com a liberdade e igualdade garantidas pelos procedimentos jurídicos e políticos do Estado. Ao tentar salvar a autonomia moral da razão pura frente de todo encadeamento social, a ordem social e sua regularização jurídica ficam em parte também a salvo da determinação moral que assim é privatizada e neutralizada (Moreira, 2008, p.16).
A pergunta que Zamora nos faz é: “Como
criticar as condições sociais e históricas de possibilidade da crítica - sob as
quais se escondem pendências e sujeições - sem recorrer a um essencialismo
ahistórico ou a um formalismo desencarnado?” (Moreira, 2008, p.16)
Se para respondermos esta pergunta
recorrermos a Karl Marx[11]
veremos que tal filósofo acreditava que só a experiência real da injustiça e o
enfrentamento de interesses contrapostos podem abrir o caminho para uma
transformação estrutural das relações de forças sociais. Por exemplo:
(...)ele confiava que a contradição interna do capitalismo e a agudização da injustiça que sofria o proletariado, constituiria um sujeito revolucionário capaz de por fim a todo tipo de dominação social, isto é, de alcançar uma verdadeira emancipação (Moreira, 2008, p.17).
Infelizmente Marx estava errado, a contradição verificada
no capitalismo gerou um sujeito psicologicamente esvaziado, sem identidade
própria, que pode ser facilmente manipulado por espetáculos estéticos, que
busca acima de tudo dominar para não ser dominado, que pouco faz em busca da auto
emancipação e que foi e é capaz de abdicar de sua própria racionalidade e
humanidade em direção a regimes nazistas e fascistas, como de fato ocorreu em
meados do século XX.
Ao invés de acordar para a vida adulta autônoma e
consciente, a humanidade parece que se comportou como um jovem imoral e inconsequente.
Mas quais foram os pontos que permitiram tamanho fracasso
do belo projeto da modernidade? Quais erros precisamos evitar para evitar uma
Nova Auschwitz?
A partir de Adorno na Dialética
do Esclarecimento, lhes digo que o princípio de identidade é inerente tanto
à racionalidade identificadora e dominadora da natureza, como à racionalidade
da troca capitalista.(Adorno, 2006)
Em sua natureza o princípio de identidade age de tal
forma acaba por ocultar o singular e individual sob a universalidade abstrata
do conceito identificador, ou seja, o pensamento identificado torna-se um
instrumento de dominação. (Moreira, p.18)
Da mesma maneira o princípio de troca capitalista tenta
eliminar a nossa singularidade, nos reduzindo diariamente e simples
denominadores substituíveis e comuns. Nisto consiste o esvaziamento psicológico
dos sujeitos anteriormente citado.
Julgo que a contradição existente no capitalismo que
vivemos reside no fato de ser um sistema baseado na diferença, mas que busca
uniformizar os pensamentos e os indivíduos a partir de uma lógica interna autorreguladora
que nos ensina a tratar com hostilidade tudo que se apresenta como diferente de
si mesma. Justamente assim o sistema cria seu jeito de se impor sobre os
indivíduos, falsificando a impressão de já estar contido na essência de cada
um, forçando-nos o princípio de identidade e acabando por impossibilitar o
exercício da autonomia plena. Desta contradição surgem as lacunas que permitem
absurdos históricos como o fascismo, o nazismo, fundamentalismo religioso, o
terrorismo, etc. Auschwitz não nasceu desta lacuna, mas certamente esta foi uma
condição necessária para usa realização.
Para evitamos uma Nova Auschwitz, precisamos de meios
para que o sujeito seja ressignificado num sistema onde o diferente possa ser
aceito sem medo, para isso é imprescindível que o todo não esteja falsificado
previamente nas partes.
Auschwitz é a prova incontestável de onde o princípio de
identidade pode chegar em direção à maldade e ao desrespeito ao não-idêntico.
3. A
CONSTRUÇÃO DE UM PRESENTE EM CRISE
Vivemos em um tempo de crise, e não me refiro somente à
crise econômica global que aflorou em 2008 e que até o momento se mostra
insolucionável. A crise se dá, pois julgo que o passado representado pelo
projeto da modernidade já se foi, assassinado e queimado nas câmaras de gás e
cremação de Auschwitz. Em contra partida, o futuro, que pode ser representado
por projetos que tentaram ressignificar[12] e
concertar aquele antigo projeto de emancipação, ainda não chegou, e não sabemos
se de fato chegará. Para piorar a situação, é inquestionável que o sistema
liberal capitalista atual tem falhas catastróficas, porém mesmo o comunismo,
que para mim foi a alternativa mais bem elaborada e exaustivamente explorada
contra tal sistema, falhou e ruiu como os tijolos do emblemático Muro de Berlim, que ruiu a partir da
vontade e dos braços da tão castigada classe operária.
Talvez precisássemos de um pouco mais de tempo para
entendermos o que a passagem do século XX para o século XXI de fato significa
para a humanidade, mas enquanto tentávamos entender Columbine[13],
o 11 de setembro de 2001[14]
gritou aos nossos olhos e mostrou ao mundo que terror tinha uma nova face.
Como em todas as quartas-feiras sai mais cedo da escola,
precisava cortar o cabelo e fui até o salão para fazer isso. Enquanto a
cabeleireira cortava meus cabelos, eu assistia “Tico e Teco” [15]
na televisão, de repente tudo foi interrompido pela imagem de aviões lotados de
pessoas sendo utilizados como bombas em alvos que, acima de tudo, atacavam o
ego e os sonhos da maioria de nós cidadãos ocidentais. Eu tinha treze anos, e
para mim foi como se minha infância acabasse ali.
Se o nazismo enganou a povo alemão e boa parte do mundo
com seu espetáculo estético que culminou na barbárie, a barbárie dos atentados
de 11 de Setembro de 2001 foi o próprio “espetáculo estético” gritando a
verdade para os quatro cantos do mundo. A verdade que o fracasso da emancipação
da razão ainda se fazia presente.
Com a queda das torres gêmeas evidenciou-se que vivemos
numa conjuntura mundial ainda mais fraca do que na época em que o nazismo ascendeu
ao poder. Digo que criamos todas as possibilidades para que aquele ataque
ocorresse sem que fosse necessário que algum louco com ideias de dominação
subisse ao poder de uma grande nação. Aqueles atentados foram idealizados e
executados por uma minúscula quantia de indivíduos que criaram sua própria
fundamentação teórica e se organizaram de maneira livre e espontânea para
cometer tal barbárie.
Podemos pensar que este não é um bom exemplo, pois havia
diversos motivos políticos e instituições que financiaram tal atentado. Concordo,
e gostaria então de retornar para o dia 20 de abril de 1999, onde Harris e
Klebold escreveram "Não culpem mais
ninguém por nossos atos. É assim que queremos partir”[16]
enquanto planejaram o extermínio de seus colegas e professores e assim
fizeram sem a necessidade da ajuda de ninguém. Como evitar que Columbine não se
repita? Essa deve ser nossa preocupação no momento. Colocar câmeras de
monitoramento e detectores de metais nas escolas e faculdades não parece a
solução mais filosófica e se mostra totalmente ineficaz frente aos inúmeros
novos atentados de mesma natureza ocorridos de 1999 até hoje. Por isso creio
que já estamos vivendo não abaixo de um furacão, mas sim sob a brisa
fantasmagórica de uma Nova Auschwitz.
Quando olhamos as aldeias dos
homens, vemos todo esplendor do desenvolvimento que se ergue nas mais variadas
formas tecnológicas e arquitetônicas, porém não conseguimos ver as “obras”
ainda maiores onde fracassamos. É Como se tentássemos esconder todo fracasso da
história da humanidade talvez com medo de que isso possa ofuscar o espetáculo
do progresso.
Neste processo de ocultação do
fracasso se abafam os gritos de todas as vítimas inocentes do progresso. Julgo
que para Adorno viria justamente destes gritos a força transformadora oriunda do
passado. Devido a isso, temos cada vez mais pessoas vivendo sem a devida
consciência da história, fato que nos torna cada vez mais estranhos a nós
mesmos.
Quando observo a mim mesmo, e
principalmente aos jovens transgressores, vejo um sistema que tenta estripar de
cada indivíduo o que seria propriamente humano, visando falsificar a identidade
de cada um através da indústria cultural, que para mim tem como fim último
transformar sujeitos em objetos.
Caberia às escolas o dever de
promover o devido esclarecimento às nossas crianças, para que elas possam
exercer sua autonomia. Neste sentido o ensinar deveria se distanciar do “formar
seres identificados com seu sistema” e toda pedagogia deveria ser
necessariamente libertadora. Propostas de pedagogia libertárias e libertadoras
não nos faltam, por que então falhamos em evitar a repetição sucessiva de
Columbine?
Falhamos, pois quando tentamos
responder para nós mesmos o porquê necessitamos sermos seres autônomos, não
mais nos identificamos com os ideais propostos nos tempos de Kant. Para piorar
ainda mais a situação, o Daemon (δαίμων) utilitarista grita em
nossos ouvidos: “-Não precisamos ser
autônomos, é mais fácil nos curvarmos ao sistema que reclama sua autoridade.”
O sucesso é a palavra de ordem deste
início de século XXI. Todas as pessoas que conheço desejam o sucesso e admiram
as pessoas bem sucedidas em suas mais variadas variáveis. Mas só tem sucesso
quem “joga as regras do jogo” e dentro delas extrapola os resultados
previamente esperados, ou seja, o indivíduo bem sucedido não precisa ser
autônomo. Por outro lado, é provável que o sujeito que enfrente o sistema de
forma autônoma seja desencorajado até mesmo por aqueles por quem luta e
defende. Este paradoxo Adorno chama de “eliminação do sujeito para assegurar
sua auto conservação.”[17]
As relações sociais de dominação (...) exigem disciplina a lógica da dominação mascarada de “autodeterminação”, seja na autoafirmação soberana dos que participam na troca capitalista, seja no pensamento identificador. (Moreira, 2008, p.22)
Vejo que a maioria dos
sujeitos está perfeitamente identificada com a lógica do sistema. Por isso toda
a indignação e revolta dos oprimidos acaba convertida em auto conservação do
sistema. Voltando para casa após um cansativo dia de trabalho, pego o ônibus
que está lotado com mais de cem pessoas se espremendo entre ferros e bancos.
Não vejo ninguém reclamando e se mobilizando contra a lógica dominadora que nos
submete aquela situação, mas vejo vários de nós murmurando orgulhosamente o
fato de que logo comprarão um automóvel ou motocicleta e se “libertarão”
daquela situação.
Matthew Lipman em sua
obra O Pensar na Educação diz que a
escola é a instituição localizada entre os interesses públicos e privados das
mais diversas facções que nossa sociedade possui. Entre elas as mais influentes
na “formação” do indivíduo estão a família e o Estado. Em minha Crítica à Escola[18]
mostro que para sobreviver ao longo dos séculos o mínimo necessário para que a
escola enquanto instituição permaneça detendo seu sentido[19],
é ter as mínimas condições de auto regência e autonomia. Infelizmente isso não
ocorre, a escola acaba engessada por forças externas, principalmente ligadas a
questões econômicas e políticas. A instituição que deveria nos ensinar a pensar
com a própria cabeça acaba por ser a responsável por imprimir em cada indivíduo
a marca do sistema opressor e seus interesses[20].
Não é à toa que a escola
seja o palco normalmente escolhido para a barbárie no século XXI. Junte todos
os “ingredientes” citados neste trabalho e adicione a Web 2.0[21];
temos assim o senário para a Nova Auschwitz, muito diferente da velha[22],
mas carregada do mesmo tipo de ódio e barbárie.
Navegando na Web 2.0 o
indivíduo esvaziado psicologicamente pelo sistema e sua Indústria Cultural tem
acesso a uma quantidade e diversidade de informações muito superiores ao que
encontraria na escola, nos meios de comunicação tradicionais ou na biblioteca
da esquina. Diferentemente destes velhos
meios que trazem a informação já pronta e a confronta com os indivíduos, a Web
2.0 traz sempre uma informação inacabada que grita por comentários e opiniões.
Outra característica relevante neste processo se dá por meio dos filtros de
pesquisa que estão cada vez mais precisos e dinâmicos, com eles o indivíduo
consegue filtrar toda informação que recebe, ou seja, passa a receber somente
aquilo que lhe interessa, excluindo tudo que for contrário ou desnecessário
para suas ideias e planos por mais maníacos que esses possam ser. Neste sentido
a Web 2.0 que pode ser uma ferramenta excelente no caminho do esclarecimento e
libertação dos indivíduos, revela sua outra face que é cruel e ainda mais
alienadora do que a velha mídia.
Nas redes sociais as
relações pessoais se falsificam em absoluto. Isolados em seus absurdos os
sujeitos esvaziados se isolam cada vez mais da realidade e passam a ser
geradores de conteúdo geralmente ligados ao ódio, discriminação, extremismo e
fundamentalismo, porém carregados de um falsificado pressuposto crítico à
realidade e ao sistema. Nesta loucura geralmente surgem admiradores e
seguidores que de uma forma ou de outra acabam por alimentar os planos de um
ataque como o de Columbine.[23]
Tudo isso junto dá ao
indivíduo esvaziado a sensação de ser Deus, ou de estar justificado perante ele.
Nos diários e cartas suicidas de jovens que cometeram este tipo de ato é comum
encontrar frases do tipo “me sinto como
um deus”, “Só Deus pode me julgar”, “Os impuros não me tocarão”[24],
etc. Claro que isso não tem ligação com fanatismo religioso, afinal estes
jovens não são fundamentalistas religiosos do mesmo jeito que estamos
acostumados a ver; eles simplesmente inventam sua própria religião
fundamentadora para sua barbárie.
Enquanto a mídia e os
especialistas tentam entender a sucessiva repetição de massacres do tipo
Columbine através das patologias psicológicas dos assassinos, ou dos jogos de
videogame violentos que jogavam, ou das distorções religiosas por eles feitas,
etc. perdemos o foco do real problema e pouco fazemos para que Columbine jamais
se repita.
Em última análise, o
sistema, usando como artifício o princípio de identidade e dominação, esvazia
os indivíduos até que toda sua originalidade e humanidade sejam estripadas,
gerando assim as lacunas necessárias para que patologias psicológicas severas
como a depressão, psicopatia e tendências suicidas aflorem e se desenvolvam. A
escola que deveria libertar acaba por reprimir ainda mais ao segregar os bem
sucedidos e os fracassados, surge assim o bullying, que no fim das contas serve
como motivação para que os mais severamente afetados se isolem cada vez mais da
realidade. Isolado o indivíduo esvaziado busca abrigo na internet que por fim
serve como ambiente fermentador do extermínio injustificável e massivo de seres
humanos, organizado burocraticamente e executado indiscriminadamente. Assim
sendo, o sistema consegue falsificar sua principal ameaça: O princípio de
autonomia.
Resta a mim como
brasileiro, educador e estudante de filosofia, lembrar incansavelmente o dia 07
de abril de 2011 e agir e educar para que Realengo jamais se repita.
REFERÊNCIAS
ADORNO, Theodor W. Dialética do
esclarecimento : fragmentos filosóficos.
Rio de Janeiro : Zahar, 2006. 223
p.
ADORNO, Theodor W. Dialética
negativa. Rio de Janeiro : Zahar,
c2009. 351 p.
G1, O portal de notícias da Globo. Polícia
prende homens que planejavam massacre contra estudantes em Brasília.
Disponível em http://g1.globo.com/jornal-hoje/videos/t/edicoes/v/policia-prende-homens-que-planejavam-massacre-contra-estudantes-em-brasilia/1868988/ Acessado em 03 de Junho de 2012.
GOULART, Fabio. 2.3 COMUNIDADE DE
INVESTIGAÇÃO. Disponível em http://www.filosofiahoje.com/2011/12/23-comunidade-de-investigacao.html Acessado em 03 de Junho de 2012.
GOULART, Fabio. Crítica à Escola.
Disponível em http://www.filosofiahoje.com/2012/06/critica-escola.html Acessado em 03 de Junho de 2012.
KANT, Immanuel. Resposta à
pergunta: “Que é o Iluminismo?”. Königsberg Dez., 1783, p. 516 Disponível
em http://www.lusosofia.net/textos/kant_o_iluminismo_1784.pdf Acessado em 03 de Junho de 2012.
LIPMAN, Matthew. O pensar na
educação. Petrópolis : Vozes,
1995. 402 p.
MOREIRA, Alberto da Silva. Adorno
: educação e religião. Goiânia: UCG,
2008. 120 p.
SILVA, Alex Sander da. A
“desmitologização” da educação a partir de Theodor W. Adorno [documento
impresso e eletrônico]. Porto Alegre,
2010. 134 f. Tese (Doutorado em
Educação) - PUCRS, Fac. de Educação. Disponível em http://tede.pucrs.br/tde_busca/arquivo.php?codArquivo=2710 Acessado em 03 de Junho de 2012.
WIKIPÉDIA, a enciclopédia livre. Indústria
cultural. Disponível em http://pt.wikipedia.org/wiki/Ind%C3%BAstria_cultural Acessado em: 03 de Junho de 2012.
WIKIPÉDIA, a enciclopédia livre. Massacre
de Realengo. Disponível em http://pt.wikipedia.org/wiki/Massacre_de_Realengo Acessados em 03 de Junho de 2012.
WIKIPÉDIA, a enciclopédia livre. Massacre
de Columbine. Disponível em http://pt.wikipedia.org/wiki/Massacre_de_Columbine Acessado dia 03 de Junho de 2012.
WIKIPÉDIA, a enciclopédia livre. Web
2.0. Disponível em http://pt.wikipedia.org/wiki/Web_2.0 Acessado em: 01 de Junho de 2012.
YOUTUBE, Broadcast Yourself. Hitler
- Discurso Jgend - Legendado Portugues. Postado por: IMORRIVELL em 12 de
Julho de 2006. Disponível em http://www.youtube.com/watch?v=lAi7UnXp9Aw Acessado em 23 de Maio de 2012.
Entregue em: 04/06/2012.
[1] Mestrando em Filosofia na área de
Ética e Filosofia política pelo PPGFil da PUCRS; bolsista do CNPq; Bacharel e
Licenciado em Filosofia pela PUCRS e professor de Filosofia da Secretaria
Estadual de Educação do Estado do Rio Grande do Sul.
[2] http://www.filosofiahoje.com/2011/12/23-comunidade-de-investigacao.html acessado em 03 de Junho de 2012.
[3] Não quero dizer com isso que a
qualidade baixa da educação torne necessariamente as pessoas criminosas.
[4] “O termo indústria cultural (em
alemão Kulturindustrie) foi cunhado
pelos filósofos e sociólogos alemães Theodor Adorno (1903-1969) e Max
Horkheimer (1895-1973), a fim de designar a situação da arte na sociedade
capitalista industrial.(...) os dois filósofos alemães empregaram o termo pela
primeira vez no capítulo O iluminismo
como mistificação das massas no ensaio Dialética
do Esclarecimento, escrita em 1942, mas publicada somente em 1947.Para os
dois pensadores, a autonomia e poder crítico das obras artísticas derivariam de
sua oposição à sociedade. No entanto, o valor contestatório dessas obras
poderiam não mais ser possível, já que provou ser facilmente assimilável pelo
mundo comercial. Adorno e Horkheimer afirmavam que a máquina capitalista de
reprodução e distribuição da cultura estaria apagando aos poucos tanto a arte
erudita quanto a arte popular. Isso estaria acontecendo porque o valor crítico
dessas duas formas artísticas é neutralizado por não permitir a participação
intelectual dos seus espectadores.” De acordo com http://pt.wikipedia.org/wiki/Ind%C3%BAstria_cultural acessado dia 03 de Junho de 2012.
[5] Centro de Atendimento Socioeducativo.
[6] Como visto no discurso de Hitler em
1934 a jovens e crianças Alemães. Disponível em http://www.youtube.com/watch?v=lAi7UnXp9Aw
dia 23 de Maio de 2012.
[7] Ou Era do Esclarecimento.
[9] A palavra parece forte, mas é
necessária, pois julgo que é o termo que melhor expressa o fato de não termos
conseguido realizar o projeto da modernidade em sua plenitude, como também
revela o horror que pode surgir da lacuna deixada por sua não realização.
[10] apud.
Zamora em Moreira,2008.
[11] apud.
Zamora em Moreira,2008.
[12] O projeto de Adorno é um exemplo
destas tentativas.
[13] Refiro-me ao “massacre de Columbine
que aconteceu em 20 de abril de 1999 no Condado de Jefferson, Colorado, Estados
Unidos, no Instituto Columbine, onde os estudantes Eric Harris (apelido ReB),
de 18 anos, e Dylan Klebold (apelido VoDkA), de 17 anos, atiraram e massacraram
vários colegas e professores.” De acordo com http://pt.wikipedia.org/wiki/Massacre_de_Columbine acessado em 03 de junho de 2012.
[14] Refiro-me aos ataques terroristas
realizados pela Al-Qaeda contra os Estados Unidos da América nesta data.
[15] Personagens de desenho animado de
Walt Disney.
[17] apud.
Zamora em Moreira,2008.
[18] Disponível em http://www.filosofiahoje.com/2012/06/critica-escola.html acessado em 03 de Junho de 2012.
[19] Que é ensinar nossas crianças.
[20] O nazismo na Alemanha é o exemplo
mais claro e perigoso que isso pode nos representar.
[21] De acordo com http://pt.wikipedia.org/wiki/Web_2.0
acessado em 01/06/2012: “Web 2.0 é um termo criado em 2004 pela empresa
americana O'Reilly Media para designar uma segunda geração de comunidades e
serviços, tendo como conceito a "Web como plataforma", envolvendo
wikis, aplicativos baseados em folksonomia, redes sociais e Tecnologia da
Informação. Embora o termo tenha uma conotação de uma nova versão para a Web,
ele não se refere à atualização nas suas especificações técnicas, mas a uma
mudança na forma como ela é encarada por usuários e desenvolvedores, ou seja, o
ambiente de interação e participação que hoje engloba inúmeras linguagens e
motivações.”
[22] Julgo que tal horror não deve ser
comparado.
[23] Como visto em http://g1.globo.com/jornal-hoje/videos/t/edicoes/v/policia-prende-homens-que-planejavam-massacre-contra-estudantes-em-brasilia/1868988/ que fala da prisão de Emerson Eduardo
Rodrigues (vulgo Sílvio Koerich) e Marcelo Valle Silveira Mello que mantinham
um blog com mensagens de ódio contra judeus, negros, mulheres, nordestinos,
homossexuais e ainda instigavam a prática do abuso sexual conta menores. De
acordo com investigação da Polícia Federal brasileira os dois mantiveram
contato com Wellington Menezes de Oliveira que em 7 de abril de 2011 invadiu a
Escola Municipal Tasso da Silveira, localizada na no bairro de Realengo, cidade
de Rio de Janeiro no estado do Rio de Janeiro, e atirou contra vários alunos e
professores matando doze deles antes de ser atingido por um tiro de um policial
e cometer suicídio. Além disso, a mesma investigação revelou que os dois
planejavam um massacre no estilo Columbine contra os estudantes da Universidade
de Brasília.
[24] Como visto em http://pt.wikipedia.org/wiki/Massacre_de_Columbine e http://pt.wikipedia.org/wiki/Massacre_de_Realengo acessados em 03 de Junho de 2012.
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