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terça-feira, 8 de setembro de 2015

Opinião é como Bunda



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quarta-feira, 10 de julho de 2013

Protestos, espírito do tempo e espírito do povo: mediação - Opinião Filosófica #4

     
     O filósofo G. W. F. Hegel elaborou dois conceitos para compreender os movimentos da
história: Zeitgeist (espírito do tempo) e Volksgeist (espírito do povo). Ele pensa o seu tempo,
conforme a estrutura lógico-conceitual, cuja expressão resulta na auto-organização e auto-
diferenciação da realidade histórico-cultural do povo alemão, no século XIX, que é desafiado a
elaborar a Constituição. Por isso a resposta à pergunta: Quem deve fazer a Constituição, encontra
na relação dialética entre o espírito do povo e o espírito do tempo o seu sentido. Hegel critica no que
diz respeito à elaboração da Constituição, tanto o revolucionarismo daqueles que desejam impor
constituições de fora, bem como o tradicionalismo dos que defendem um Estado estamental, que
impede o avanço para o Estado constitucional. A Constituição é algo que se desenvolve no tempo,
portanto, não é algo extraído da cabeça de um soberano. Daí a insistência hegeliana que todo o
povo tem a Constituição que lhe é apropriada. Hegel valoriza a história, o espírito do povo
(Volksgeist) e o espírito do tempo (Zeitgeist). Aquilo que corresponde ao espírito do povo pode não
coincidir com o espírito do tempo e vice-versa. Pois em determinados períodos históricos, sobretudo
em épocas de crise, em que ocorrem as grandes transformações, as acelerações da história, a
adequação ao espírito do tempo precede e faz avançar o espírito do povo. Ou seja, na filosofia da
história hegeliana, o espírito do povo representa o princípio da continuidade, e o espírito do tempo
encarna o princípio da mudança (cf. BOBBIO, N. Estudos sobre Hegel: Direito, Sociedade Civil.
1991, p. 108). A razão hegeliana não se sobrepõe à história, mas também não se limita a justificá-la,
daí a dialética entre o espírito do povo e o espírito do tempo. Essa dialética dá-se nos protestos.

     Os recentes protestos que se espraiaram nas redes sociais, nas ruas e praças do espaço
geográfico-virtual do Brasil introduzem perguntas em várias esferas: Como organizar os eixos das
demandas sócio-econômico-políticas: Transporte, educação, saúde, moradia, reforma política,
democratização da mídia, polícia, copa e grandes eventos, minorias e direitos humanos, meio
ambiente e cultura? Como garantir o espaço de discussão e deliberação das demandas e propostas
das assembleias e organizações civis para o agenciamento das mediações da democracia direta e
representativa? Como elaborar uma reflexão teórico-prática da epistemologia em rede, influenciando
a teoria da agenda e, implicando uma nova opinião pública?

     Os protestos brasileiros manifestam o desenvolvimento da trajetória da instituição das redes
sociais, de novas agendas e uma nova opinião pública, através de novos atores e cidadãos,
articulando na plasticidade das figurações institucionais a dialética do espírito do povo, do espírito
do tempo e do espírito do mundo: Um espírito de insurreição de massas humanas alastra-se pelo
mundo todo, ocupando as ruas e as praças. Primeiro, foi no norte da África, depois na Espanha com
os "indignados”, na Inglaterra e nos USA com os "occupies” e, agora, no Brasil com a juventude e
movimentos sociais. Esses movimentos afirmam as grandes conquistas da humanidade, carregadas
historicamente pelo espírito de um povo, na novidade de cada figuração histórica, apresentando, as
inovações teórico-práticas do espírito de seu tempo expressas pela opinião.

     A opinião pública caracteriza-se pela impaciência, querendo, imediatamente a realização
dos seus direitos. A opinião não suporta a lentidão da paciência do conceito e o longo processo de
efetivação de suas determinações históricas. Pois, a opinião contém em si a força da contradição e
a reserva da indignação ética, mudando toda situação que não corresponde tanto aos interesses
particulares, como aos interesses universais.  Porém, a opinião pública necessita de mediações.

(Filósofo Dr. Agemir Bavaresco)
  


sexta-feira, 31 de maio de 2013

TARTARUGA, MOVIMENTO E VERDADE - Opinião Filosófica #3


Autor: Dr.Agemir Bavaresco 

Um dos célebres paradoxos da história da filosofia é aquele que conta a história do herói grego Aquiles e da tartaruga. Conta-se que Aquiles, disputando uma corrida com uma tartaruga, resolveu dar a ela uma pequena vantagem, deixando que o bicho partisse alguns centímetros à sua frente. Segundo Zenão, por mais rápido que Aquiles se movesse, ele jamais conseguiria ultrapassar a tartaruga, ou seja, cada vez que Aquiles percorre determinada distância num espaço de tempo, a tartaruga já percorreu uma outra distância. Se Aquiles se movimentar mais um tanto para alcançar a tartaruga, terá que se defrontar com o fato de que a tartaruga já terá percorrido mais um tanto, por menor que seja. Esse fato se repetirá indefinidamente. Por mais que Aquiles corra, sempre haverá um espaço a separá-lo da tartaruga. A conclusão de Zenão contraria o senso comum, que aponta para uma vitória evidente de Aquiles. Aquiles nunca pode alcançar a tartaruga; porque na altura em que atinge o ponto donde a tartaruga partiu, ela ter-se-á deslocado para outro ponto; na altura em que alcança esse segundo ponto, ela ter-se-á deslocado de novo; e assim sucessivamente, ao infinito. O que ele queria era demonstrar que o movimento dos objetos é um fenômeno contraditório, em que o sujeito não consegue aprende-los em seu movimento.

Com este paradoxo, afirma Žižek, Zenão quer refutar a hipótese do movimento e da existência do Múltiplo e demonstrar a existência do Um e do Ser imutável. Como não reconhecer, nessa relação paradoxal do sujeito com o objeto, nosso desejo de apreender incessantemente o objeto sem poder apreende-lo? Afirma Lacan, o objeto é inacessível, não porque Aquiles não possa ultrapassar a tartaruga, mas porque não pode unir-se a ela. Uma leitura desse paradoxo de Zenão pode ser a do objeto do desejo que nos escapa face à nossa aproximação. Este é o movimento incessante do desejo. Sempre aberto a novos desejos e a corrida do ser humano continua incessantemente no movimento da busca da verdade!

A passagem dialética para a verdade de um objeto implica, portanto, a experiência de sua perda: o objeto, como um dado fixo, dissolve-se na rede das mediações. A “verdade” dialética de um objeto consiste na rede de suas mediações e na perda do objeto. Apreendemos como "verdade" do Ser dos eleatas, a dialética entre a inexistência de movimento e a autodissolução do movimento, perde-se, então, "o Ser" como entidade existente em si. No lugar do Ser, como ponto de apoio fixo, idêntico a si, resta apenas o turbilhão dialético, sem fundo, da autodissolução do movimento (Heráclito), processo tomado, antes, como um objeto externo, ou seja, o Ser imóvel (Parmênides). Então, Heráclito será a "verdade" de Parmênides.

Referência
Cf. ŽIŽEK, Slavoj. O mais sublime dos histéricos: Hegel com Lacan. Jorge Zahar, Rio de Janeiro, 1996, p. 11-29.

terça-feira, 16 de abril de 2013

MANIPULAÇÃO NA MÍDIA TRADICIONAL E NA REDE SOCIAL - Opinião Filosófica #2


Autor: Dr. Agemir Bavaresco

            O que influencia ou forma a opinião pública? O que faz com que as pessoas pensem determinados temas e deixem de lado outros? Conforme a Agenda Setting, teoria elaborada por Maxwell McCombs, a pauta das conversas e debates é provocada pelos jornais, televisão e rádio (meios tradicionais). Esses meios têm a força de mudar a realidade social, ou seja, informam os fatos a serem pensados ou debatidos pelo público. Eles estabelecem a pauta dos assuntos e o seu conteúdo em nível local, nacional e internacional.
Porém, em face da agenda da mídia tradicional surge a agenda das redes sociais: A internet e as redes sociais permitem que os cidadãos expressem opiniões e interesses, sem o filtro dos meios de comunicação tradicionais. Através das redes sociais muitas pautas foram estabelecidas, protestos e insurreições foram organizados. A esfera pública encontrou nas novas tecnologias uma forma de expressão direta de sua opinião, a tal ponto que alguns especialistas constatam um novo fenômeno: a formação de uma nova opinião pública.

De um lado, temos a opinião pública tradicional, agendada pelos meios de comunicação tradicionais e controlada por interesses privados e pelas regulações e poderes estatais. De outro, a nova opinião pública diferenciada pela participação inclusiva, pela autonomia, velocidade e transparência, que tem como agentes os cidadãos protagonistas e descentralizados, com mobilidade instantânea e articulados em redes sociais. 
A esfera pública foi transformada pela internet que alterou o ecossistema comunicacional, criando uma nova opinião pública. O sociólogo Manuel Castells chama este fenômeno de AUTOCOMUNICAÇÃO DE MASSAS. Às ações coletivas em rede, como a construção colaborativa da Wikipédia, juntam-se milhares de pequenas comunidades que desenvolvem expressões de inteligência coletiva, articulando uma esfera pública autônoma e em rede.

Por isso, o controle da opinião pública, pautado pela agenda tradicional está sendo mudado pela agenda das redes sociais. As grandes corporações e agências internacionais de comunicação que detêm o poder de disseminar sua versão dos fatos e de estabelecer a agenda pública confronta-se com a agenda das redes sociais que expressam opiniões opostas, instaurando uma opinião pública contraditória com força de expressão plural e ação democrática.