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terça-feira, 1 de setembro de 2015

Especial Rolezinho - Parte 2



Publicado em 31 de ago de 2015
Segunda parte da conversa especial entre o Filosofo Fabio Goulart
e o organizador do rolezinho de Porto Alegre Fábio Fleck.
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segunda-feira, 24 de agosto de 2015

Especial Rolezinho - Parte 1



Primeira parte da conversa especial entre o Filosofo Fabio Goulart
e o organizador do rolezinho de Porto Alegre Fábio Fleck.

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segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

O Rolezinho em Porto Alegre, no Shopping Moinhos, valeu a pena? - O Som da Verdade #20


Hoje faz um ano que foi realizado o Rolezinho em Porto Alegre.

E será que valeu a apena? Qual era o objetivo disso e por qual motivo foi feito?

Para entender esta questão, precisamos lembrar de qual era o objetivo deste evento. Esta mensagem estava no convite do evento:

"A manifestação é apresentada como um apoio ao povo da zona leste de São Paulo e das periferias das grandes cidades de todo o Brasil contra toda forma de opressão aos pobres e negros, em especial contra a brutal e covarde ação diária da polícia militar no Brasil, seja nos shoppings, nas praias ou nas periferias”.

Este Rolezinho, foi um passeio dentro de um shopping com a intenção de fazer uma crítica contra a desigualdade e o racismo. Ocorreu inclusive, uma combinação com o Shopping, com a polícia militar e EPTC, antes de tudo ocorrer. Todos os cuidados prévios, foram tomados antes do evento para uma correta organização.

Obviamente, mesmo combinando e programando o evento com o Shopping, eles solicitaram, sem avisar aos organizadores, uma liminar para impedir a entrada do "Rolezinho" no Shopping Moinhos, o que foi negado pela juíza responsável. Entretanto, ela concedeu uma liminar para casos de vandalismo, no valor R$150.000,00 caso ocorresse.

Centenas de críticas foram realizadas antes, durante e depois da manifestação. Na maioria dos casos apenas julgando os participantes, com adjetivos criativos. A ofensa e até mesmo a ameaça, tornaram-se parte da minha rotina, pois apesar de termos total liberdade de criar um ato como este, existem pessoas que se irritam a ponto de organizar uma vingança, seja virtual, ou pessoal e não raro, são as que mais clamam por "democracia e justiça" (individual, claro) em nosso país.

Defendem a vingança, justiça com as próprias mãos, mas não reconhecem o ato de protestar pacificamente, a não ser que elas façam isso, aí é totalmente válido.

No dia do evento, apesar de bem recebidos pela polícia, tivemos a surpresa da liminar, uma entrevista coletiva com a imprensa, cara feia dos seguranças, o relato do conselheiro tutelar Cristiano Pinto, dizendo que o Conselho recebeu telefonemas com tom de racismo e preconceito, vitrines de joalherias vazias e muitas lojas até fechadas. Tudo isso, pelo medo. O que comprovou que as muitos tinham plena certeza de que ocorreriam atos horríveis aquele dia.

Cerca de quatrocentas pessoas confirmaram o evento, que foi denunciado e deletado por duas vezes no Facebook. Foi incrível a repercussão midiática e o forte aparato de seguranças montado simples fato de um passeio de não mais de 70 jovens de periferia em tal estabelecimento (desde o início esperávamos entre e 50 e 100 jovens devido ao terror social espalhado e ao difícil acesso deste estabelecimento em relação aos bairros mais pobres da capital).

Nosso grupo era montado por jovens de periferia, estudantes universitários, professores, pela UJS (que aderiu a este movimento de maneira, pois não tínhamos qualquer ligação), advogados, conselheiros tutelares, e até por moradores da nobre região que apoiaram o grupo. Tudo que fizemos foi passear, olhar, lojas, consumir sorvete e refrigerante na praça de alimentação, conversar e se divertir.

Apesar disso tudo, tivemos mais jornalistas do que participantes (Para tristeza de alguns que adorariam ver violência, quebradeira e sangue). O evento em si, foi um sucesso. Como não aconteceu nenhum caso de vandalismo, ou violência, nem ofensa, o processo foi cancelado pela administração do estabelecimento em comum acordo com a organização do Rolezinho.

Claro que quem julgou e não apoio desde o início, criticou dizendo que não atingimos nosso objetivo. Mas a mensagem era a crítica e isso foi feito. Nunca foi nossa intenção quebrar nada, nem gerar nenhum tipo de prejuízo, pelo contrário, consumimos lá dentro. Queríamos mostrar a reação das pessoas quando jovens pobres entram em um Shopping, em um bairro nobre de Porto Alegre e nossas suspeitas se mostraram totalmente verdadeiras.

Muitas pessoas deram entrevistas dizendo que aquilo era inadmissível, que estavam retirando o espaço dos demais - espaço este que mesmo em um estabelecimento privado, permite acesso público - e que deveria ser reprimido pela polícia e impedimento judicialmente. Ameaças, julgamentos, suposições, deduções e até uma "vidência sarcástica", isso tudo foi desmentido não só por nós, mas pela polícia que negou enviar policiais para prevenir crimes que ainda não haviam ocorrido e até mesmo pela justiça, que não impediu a entrada de ninguém, pois a mesma é e deve ser pública, sem poder controlar o acesso de pessoas.

Por fim, isso tudo ocorreu devido a criminalização de grupos de pessoas - jovens -, onde várias generalizações foram feitas e o preconceito foi grande. Nós mostramos que não somente é possível organizar um protesto pacífico em qualquer lugar, como entregamos nossa crítica e passamos a mensagem para os demais organizadores de Rolezinhos que eles poderiam, se quisessem, organizar melhor estes eventos. Posteriormente, pretendíamos continuar com novos eventos culturais em outros locais, mas infelizmente a ideia não foi mantida, por vários motivos. Entre eles uma guerra ideológica que começou como reclamação em janeiro do ano passado e teve seu crescimento durante as eleições. Onde pessoas só visualizam tudo a partir de dois pontos e muitas vezes pretendem dividir o país desta forma.

É muito importante repensar esta crítica hoje. O pensamento egoísta e individualista e negativista, infelizmente se faz mais presente e mais forte todos os dias em nosso país. Precisamos reconsiderar isso e tentar entender melhor os motivos de tanta generalização, preconceito e visão acrítica por qualquer fato cotidiano. Essa foi e continua sendo a mensagem principal disso tudo.



Assista a reportagem sobre o Rolezinho em Porto Alegre:




 Veja abaixo os links das principais reportagens do fato no ano passado:

http://jcrs.uol.com.br/site/noticia.php?codn=151884

http://www.correiodopovo.com.br/Noticias/?Noticia=516549

http://noticias.terra.com.br/brasil/cidades/rolezinho-politico-em-shopping-tem-muita-seguranca-e-pouca-diversao,5f4ef498a9ca3410VgnVCM5000009ccceb0aRCRD.html

http://noticias.band.uol.com.br/cidades/rs/noticia/100000657975/Organizadores-do-Rolezinho-da-capital-prometem-manifestacao-pacifica.html

http://www.radioguaiba.com.br/Noticias/?Noticia=514948

http://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2014/01/1399935-rolezinho-no-rs-tem-funk-em-praca-de-alimentacao-apesar-de-liminar.shtml

http://polibiobraga.blogspot.com.br/2014/01/brigada-seguranca-privada-e-oficial-de.html

http://www.jornaldelondrina.com.br/brasil/conteudo.phtml?tl=1&id=1440932&tit=rolezinho-no-rs-tem-funk-em-praca-de-alimentacao

http://www.jcnet.com.br/Nacional/2014/01/rio-e-porto-alegre-tem-rolezinhos.html

http://www.youtube.com/watch?v=hhxPG_eGr8c

http://www.filosofiahoje.com/2014/01/rolezinhos-porto-alegre.html

http://ultimosegundo.ig.com.br/brasil/2014-01-18/rolezinho-se-expande-pelo-pais-com-carater-de-protesto.html

http://noticias.band.uol.com.br/cidades/rs/noticia/100000657803/e-marcado-rolezinho-com-refri-e-pao-com-mortadela-em-porto-alegre.html

http://www.opovo.com.br/app/opovo/brasil/2014/01/20/noticiasjornalbrasil,3193488/shoppings-fecham-mas-rolezinhos-sao-mantidos.shtml 

http://jcrs.uol.com.br/site/noticia.php?codn=151829

http://www.rondoinformacao.com.br/nacional/7181-rolezinho-com-refri-e-pao-com-mortadela.html

http://www.estadao.com.br/noticias/cidades,rolezinho-nao-e-caso-de-policia-diz-ministra-dos-direitos-humanos,1119798,0.htm

http://www.jornalfloresta.com.br/index.php/noticias-2/geral/1153-porto-alegre-tem-tres-rolezinhos-marcados

http://maurenmotta.com.br/noticias/comportamento/rolezinho-chega-a-porto-alegre/

http://www.jb.com.br/pais/noticias/2014/01/16/carvalho-acao-da-policia-em-rolezinhos-pode-colocar-gasolina-no-fogo/

http://www.filosofiahoje.com/2014/01/o-rolezinho-o-som-da-verdade-17.html

Autor: Fábio Fleck (Filosofia Hoje)

Clique em "Acompanhar", para seguir Fábio Fleck no Facebook.

terça-feira, 21 de janeiro de 2014

Inclusão social de verdade

Triste é ver que as pessoas clamam por democracia, mas não sabem conviver em sociedade;

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Uma última reflexão acerca dos rolézinhos...

DE UMA VEZ POR TODAS LEIAM e não digam o que não sabem: Ninguém disse que pobre e negro não pode entrar no Shopping.

As pessoas que não entraram lá, no dia da liminar de SP, nós sabemos muito bem o motivo: Foi devido ao interdito proibitório, através de LIMINAR LEGÍTIMA que foi solicitada pelo Shopping.

E até ai, não há problema algum. O problema, é a pergunta que fizemos e que chega como um debate e crítica para toda sociedade:

Se fossem Jovens Ricos e bem vestidos, fazendo algazarras e cantando alto um bom Sertanejo Universitário, ou um Flash Mob, ou uma festa de Ricos, lá, será que o comportamento seria o mesmo?

NÃO É UMA RESPOSTA, É UMA PERGUNTA. NÃO ESTOU AFIRMANDO, NEM QUERO QUE VOCÊ RESPONDA, APENAS PENSE.

Quando uma pessoa rica e poderosa, como o filho do Eike Batista mata uma pessoa atropelada e sai caminhando, isso não é tratamento VIP? Quando um rico político rouba milhões da sociedade e sequer perde o cargo de político, isso não é tratamento VIP?

QUANDO JOVENS RICOS FAZEM BADERNAS, SÃO CRIMINALIZADOS?

Ninguém tem nada contra pessoas ricas, contra "burguesia", nem com quem tem mais dinheiro, temos contra o preconceito! Pois é isso que move o medo que faz as portas se fecharem.

NÓS NÃO CONCORDAMOS COM CRIMES;
QUEM COMETE CRIME DEVE SER PUNIDO - NÃO QUEM NÃO COMETE;
MAS E QUEM NÃO COMETEU CRIME ALGUM E FOI PROIBIDO DE ENTRAR PELA LIMINAR?

Estamos aqui fazendo uma crítica social com este evento, gostaríamos de fazer a sociedade debater o assunto e em parte conseguimos.

Se você acham que não é válido, que não deveria ser feito em Shopping, ok, é seu direito, assim como é o nosso de protestar.

Tudo foi organizado, pedimos autorização e o Shopping aceitou, a PM aceitou, Os Juízes aceitaram! Se vocês não aceitam, ok. Mas não venham aqui ofender. Criem um evento pra vocês! Não seja um recalcado porque nós fizemos o que você não tem coragem. Faça! Não gastamos um centavo com tudo isso, certamente você tem as mesmas condições de criar um movimento de tanto impacto.

Mas infelizmente as pessoas não querem debater, refletir, entender, ponderar, elas preferem acusar, xingar, pois é mais fácil.

Vem gente de todo o canto, dizendo para eu ir trabalhar, fazer caridade, aproveitar melhor meu tempo. (sem saber que já fazemos tudo isso e ainda conseguimos fazer esta mobilização)

Pessoas que em geral adoram julgar os outros, adoram apontar dedo, são caçadores de erros e defeitos, são preconceituosas, mas não conseguem ver seus próprios defeitos, não conseguem visualizar os seus.

Triste é ver que as pessoas clamam por democracia, mas não sabem conviver em sociedade;

Não dissemos que o ato que ocorreu foi por racismo, dissemos que está incluso. MAS:

Sim, existe racismo;
Sim, existe preconceito contra pobres;
Sim, existe preconceito com pessoas que gostam de funk;
Isso você pode ver aqui lendo os comentários.

E é esta nossa crítica. Se gostam, ou não gostam, é outra coisa....

Pessoas que não conseguem ler uma linha, sem preconceito... Gente que muitas vezes pensa como nós mas transborda recalque por em toda vida nunca teve coragem de movimentar os jovens a lutarem por seus direitos.

Para estas pessoas, não existe bolsa de estudos, não existe universitário pobre e não entenderam que falamos que estes universitários em sua maioria estavam ao nosso lado, pois são pessoas que estudam o comportamento humano e da sociedade, mas como não temos uma pessoa sério sequer que vem aqui falar sério conosco, mas só quer acusar, o que vai se fazer?
(Filósofo Fabio Goulart e critico Social Fábio Fleck da páginaFilosofia Hoje)

segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

Sucesso no Rolezinho de Porto Alegre

-O Rolezinho no Moinhos Shopping realizado ontem em Porto Alegre e coorganizado pelo FilosofiaHoje foi um tremendo sucesso. Este é um dos shoppings mais elitizados do estado localizado no coração do bairro mais rico de Porto Alegre. Foi incrível a repercussão midiática e o forte aparato de segurança montado pelo simples fato de um passeio de não mais de 70 jovens de periferia em tal estabelecimento (desde o início esperávamos entre e 50 e 100 jovens devido ao terror social espalhado e ao difícil acesso deste estabelecimento em relação aos bairros mais pobres da capital). Sem falar na intimação no valor de absurdos R$150.000,00 entregue a nosso colunista e crítico social Fábio Fleck caso houvesse vandalismo ou “violência”. Tudo é tão bizarro que no início do rolezinho tinha 10 participantes e 30 jornalistas, mas com o tempo dezenas jovens se juntaram ao nosso grupo.

-Nosso grupo era montado por jovens de periferia, estudantes universitários, professores, pela JSB, advogados, conselheiros tutelares, e até por moradores da nobre região que apoiaram o grupo... Tudo que fizemos foi passear, olhar, lojas, consumir sorvete e refri na praça de alimentação, conversar e se divertir.
-Dado ao sucesso o movimento agora toma novos rumos. NÃO ORGANIZARESMOS MAIS ROLEZINHOS EM SHOPPINGS DO ESTADO (o próprio evento por nós marcados para o dia 25/01 no Praia de Belas Shopping está cancelado). A mensagem que queríamos passar já foi dada. Fica agora a reflexão.
Estamos aceitando sugestões, como as que já temos e vamos realizar:

Rolezinho Cultural (Casa de Cultura Mario Quintana);
Rolezinho no Hemocentro (doação de sangue e medula);
Rolezinho na Biblioteca Pública;

Agora é a sua vez participar! Estes novos rolezinhos logo serão marcados, organizados e por nós divulgados.
Nos links abaixo você pode acompanha toda repercussão midiática que aconteceu.





















































































domingo, 19 de janeiro de 2014

Convite para Rolézinhos

O Movimento Dos Rolézinhos está crescendo e se intensificando aqui em Porto Alegre.

Gostaríamos de convidar você e seus amigos para participar dos próximos eventos que estamos organizando, seja pra dar apoio, seja pra perder seus preconceitos.

-Hoje (domingo 19/01/2014) no Moinhos Shopping.

-Sábado dia 25/01/2014 no Shopping Praia de Belas. Paralelo ao rolé iremos nos reunir na praça de alimentação para um debate político-filosófico para construirmos alternativas à todas barreiras invisíveis que a sociedade impões aos seus cidadãos mais necessitados, em especial aos mais jovens. (filósofos, sociólogos, comunicadores e historiadores já confirmados) link do evento https://www.facebook.com/events/262975763866053/ 

- (ainda sem data) Rolezinho cultural na Casa de cultura Mario Quintana.

- (ainda sem data) Rolezinho para doação de sangue e medula no Banco de Sangue. (vale dia de folga e salva vidas!)

- Entre outros rolezinhos que podemos organizar para diminuir a distância entre a velha e a nova classe média promovendo a mais que necessária inclusão e interação social.  


- Pare de querer mudar o mundo e comece a mudá-lo... Eis o convite do Filósofo Fábio Goulart e do Crítico social Fábio Fleck da página FilosofiaHoje. 

sábado, 18 de janeiro de 2014

O Rolezinho - O Som da Verdade #17



Olá! Minha coluna O Som da Verdade de hoje, será diferente.

Hoje vou abordar o assunto: "Rolezinho", este tema vem sendo noticiado a algum tempo, nos principais jornais, portais e nas redes sociais e por este motivo resolvemos tratá-lo por aqui.

Primeiramente, é necessário que você entenda como isso começou, então segue um breve resumo:
Desde o fim de 2013, jovens têm organizado encontros pelas redes sociais, principalmente, em shoppings da capital paulista e da Grande São Paulo. Os eventos ficaram conhecidos como "rolezinhos". A primeira iniciativa a ganhar repercussão aconteceu no Shopping Metrô Itaquera, Zona Leste de São Paulo, em 8 dezembro.  Algumas lojas fecharam com medo de saques e o centro comercial encerrou o expediente mais cedo.

Este tipo de encontro em lugares públicos-privados não é propriamente uma novidade em São Paulo. 
E não começaram especificamente no ano passado. Ocorreram mais eventos deste tipo, como você pode ver em: http://g1.globo.com/sao-paulo/noticia/2014/01/conheca-historia-dos-rolezinhos-em-sao-paulo.html
 
Os passeios romperam a fronteira paulistana. Em Porto Alegre, há dois eventos sendo convocados por meio Facebook: no Shopping Moinhos, no próximo domingo, e no Barra Shopping, em 1º de fevereiro.
Resolvemos entrevistar os organizadores do evento Marcia Santos (Organizador do evento no Shopping Moinhos) e Luana Mendonça (Organizadora do Shopping Praia de Belas).

Por uma questão de receio quanto a retaliações por parte das autoridades e pessoas contrárias ao evento, os organizadores do evento, me pediram ajuda na divulgação, cobertura e organização e estou auxiliando e acompanhando, para evitar atos violentos.

Segue a entrevista:

1) Márcio. O que você acha sobre o que aconteceu nos "Rolezinhos" em SP? Qual sua opinião sobre o assunto? Rolezinhos acontecem desde a década de 80, 90, quando os shoppings se proliferaram pelas cidades brasileiras. O espaço sempre foi de lazer. Eu, por exemplo, fumei o meu primeiro cigarro dentro de um shopping.  Hoje não fumo mais e é proibido fumar em lugares fechados. Muita coisa mudou. O que piorou foi a educação no país. Chegou num ponto que o jovem da periferia é tão viciado no funk, que ele não respeita mais quem está do seu lado. Ele leva seu som para dentro do metrô, do trem e do shopping. Alguns se transformaram em vândalos. O grande problema é que nem todos são vândalos. E a PM truculenta e sem educação também, impediu a entrada desses jovens de maneira violenta, na maioria negros e pardos, de entrar nestes estabelecimentos comercias. Aí surgiu o problema. 

2) Por qual motivo você acha que algumas pessoas "abraçaram esta causa" que ocorreu em SP, assim como você está fazendo? Acredito que os protestos realizados em junho não foram suficientes para sanar os anseios imediatos dos brasileiros. Estamos no ano da Copa do Mundo, muito dinheiro está circulando, muita corrupção está acontecendo. A inflação está sendo ocultada, os alimentos, serviços, impostos estão muito caros e ninguém está satisfeito com a atual política econômica do país. Assim como o preço da passagem no ano passado, o problema racial agora parece ser estopim do desconforto da população.

3) Tem pessoas que não sabem.O que é "Rolezinho" e qual o significado disso? Em São Paulo ir pra balada também pode ser definido como "dar um rolê". Os rolezinhos nos shoppings são momentos lazer dos jovens da periferia. Eles andam em turmas, escutam funk, namoram, paqueram. O que todo mundo já fez ou faz quando estava na idade deles. A diferença está nos novos hábitos desses jovens que se proliferaram, ganham seus salários, vivem ouvindo funk ostentação, e querem consumir em shoppings. Só que eles não se separam de suas caixas de som e causou o problema.

4) Por qual motivo você decidiu fazer isso em Porto Alegre? Eu vi que no Rio de Janeiro vai acontecer o evento no mesmo dia e horário que marquei aqui. Assim como lá, decidi apoiar a causa do racismo e da desigualdade. Acho que o país é um só, não somos um outro país. A causa lá e aqui é a mesma. O racismo aqui é bem pior que em São Paulo.

5) A principal preocupação das pessoas Márcio, é com a segurança. Como vocês estão tratando, programando este "rolezinho"? Como será no quesito segurança? Hoje vamos conversar com administração do Moinhos Shopping e definiremos se ocorrerá dentro ou fora do estabelecimento. Se for dentro, o shopping tem seus próprios seguranças. Se for fora, avisaremos a Brigada Militar sobre o ato.

6) Como será organizado, será dentro, fora, do Shopping? Queremos entrar. O encontro inicial será fora. Depois vamos percorrer os corredores do shopping até a praça de alimentação, civilizadamente, e faremos uma espécie de pic nic nas mesas do local. 

7) O que mais as pessoas perguntam é: Para que fazer isso? o que você pensa sobre isso? Qual o propósito deste evento? Qual o efeito prático disso? O propósito, o motivo é um só: apoio aos jovens pobres e negros do país. Eu penso que protestar é cultura de países de primeiro mundo, aqui estamos em desenvolvimento, e as pessoas estão se acostumando com estes eventos. E por isso existem muitas dúvidas.

8) O que será feito lá no Moinhos efetivamente? O que vocês farão lá no local fisicamente? Vamos nos encontrar na rua, percorrer os corredores, assim como são os rolês. Iremos até a praça de alimentação e, num ato simbólico, será distribuído pão com mortadela. O ideal é que os pobres e negros se sintam a vontade e sejam bem vindos no shopping. Assim como deve ser em qualquer lugar.

9) Temos visto várias pessoas indignadas com estes Rolezinhos, dizem que há violência, arrastão, roubo, música alta, baderna, etc. O que você pensa sobre isso? E nós, teremos alguma destas coisas aqui em Porto Alegre? Como será?  Eu acredito que num futuro próximo não será diferente a introdução de pobres, negros e pardos que gostam de funk ocuparem espaços que antes não ocupavam. O país está num processo de mudanças sociais. No ato programado pra domingo não queremos violência, arrastão e musica alta. Queremos um rolê civilizado. É preciso deixar claro que pobre e negro pode sim ter educação. É preciso deixar claro também que o país precisa urgentemente de investimento na educação já que esse tipo de problema acontece numa cidade grande como São Paulo. 

10) Você acha que existe preconceito racial, social, cultural? E Contra o Funk? Existe sim e não só no Brasil. Mesmo nos Estados Unidos, que já elegeu um presidente negro, existe. E talvez sempre vá existir. O que não pode acontecer é violar os direitos dessas pessoas. Em relação ao funk também existe ojeriza. E não deveria, pois o funk ouvido por estes jovens é genuíno, brasileiro. É a nossa cara. Infelizmente. O que podemos fazer agora é cobrar dos governantes, nossos representantes políticos, investimento na educação, e acreditar que, assim, a qualidade dessa música melhore.

Autor: (Crítico Social Fábio Fleck Filosofia Hoje)