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domingo, 5 de novembro de 2017
Aulão Preparatório para o Enem e vestibular
*Este vídeo não é monetizável e deu muito trabalho. Inscreva-se no canal FilosofiaHoje Por Favor!!! ***Aulão preparatório para o enem 2017 : Filosofia.
segunda-feira, 3 de junho de 2013
quinta-feira, 24 de novembro de 2011
A Teia, a Foice e o Martelo
As aranhas chegaram ao período contemporâneo, hoje o mínimo que se espera de nossas escolas e universidades é que estejam abertas para se discutir sobre os mais variados pontos de vista possíveis, algo amplamente previsto nas constituições mais diversas do mundo. A escola e os professores ainda têm e sempre tiveram o compromisso com a verdade, mas ao contrário de outras épocas e períodos, a verdade não pode ser absoluta e imutável, bem como os valores que se desejam imprimir nos alunos. Por isso quanto mais pontos de vistas possam ser abordados sobre um mesmo objeto, maior é a chance de nos aproximarmos da verdade e melhor será a qualidade do ensino.
Mas sempre existem aqueles radicais que parecem querem passar a foice na teia e martelar todo o lento progresso até aqui adquirido. Não é difícil toparmos com professores que saem de um curso de licenciatura achando que a História das sociedades se resume a história das lutas entre as classes. Isso porque foram civicamente “catequizados” dentro do pensamento da educação marxista como única verdade para a libertação, mas a meu ver, isso é fruto de um processo de alienação do professor e da escola que é comum ver em países de amplas desigualdades sociais como o nosso.
Julgo que somente através de uma educação pluralizada é que seja possível termos uma educação de qualidade para todo o mundo (se é que isso é possível), caso contrário a universidade estará formando jovens professores papagaios, educadores de ovelhas desprovidas de senso crítico que andam de cabeça baixa, em rebanho e comento o pasto pisoteado; ao invés de habilidosas aranhas. Em outras palavras, a educação se faz com lápis e borrachas, não com foices e martelos.
quarta-feira, 23 de novembro de 2011
A História da Pedagogia e sua Teia
Somente se olharmos para os primórdios da sociedade e fazermos uma releitura de tudo buscando soluções, atalhos, desvios, fugindo de armadilhas e evitando seguir linearmente é que talvez seja possível compreendermos os problemas atuais da educação. (Cambi, p.37, 1999.)
Assim sendo, devemos olhar primeiramente para antiguidade. Nossa educação está ancorada nos egípcios, nos gregos e nos romanos. Nesta longínqua época a educação era fundada nos princípios de identidade familiar, no Estado, nos mitos, nos ritos de passagem, nas religiões (que depois foram chamadas de religiões pagãs) e etc. assim começou a se tecer a rica teia da educação ocidental.
Desta primeira teia nasce a reflexão autorreguladora universal e rigorosa em torno dos processos educativos, isto é: nasce a pedagogia (Cambi, p.38, 1999.). Nascia também a função primordial do professor e da escola: formar seres humanos, cidadãos, seres agentes e transformadores, seres que não somente conheçam sua cultura, mas que possam transformá-la; ou seja, formar indivíduos, seres membros do coletivo e autônomos em suas individualidades. Este processo educacional os gregos chamavam de Paidéia.
Na idade média, política e religião se amarraram. Com isso a Paidéia ganhou um sentido religioso, transcendente, teológico, ancorado nos saberes da fé cristã. O ideal visado pelos professores deixou de ser o cidadão do estado e se tornou a pessoa de Jesus Cristo e sua mensagem de amor ao próximo, esperança e caridade. Nesta época a igreja ficou responsável pela escola e o ensino passou a ser realizado principalmente dentro de igrejas e mosteiros. Este também foi um período onde se procurou um conteúdo de cunho simbólico uma estruturação da educação em seus aspectos metodológicos, a ampliação do alcance da educação para crianças e os jovens, surgiram também as universidades como centros de acumulo e manutenção dos saberes, estudos e ensino superiores.
Na modernidade se inicia uma diversificação de modelos educacionais, algo bem diferente da idade média onde havia basicamente um só modelo (o modelo cristão). A idade moderna é um fenômeno complexo (Cambi, p.38, 1999.), é a ruptura de quase todos modelos medievais. Neste período a escola e os professores tiveram que passar e se adaptar a diversos movimentos como o Renascimento, o Iluminismo, o Industrialismo e o Positivismo. Dentre as principais mudanças que impactaram o processo educacional nesta época podemos citar a passagem da responsabilidade sobre a escola da religião para o Estado, a volta da formação do individuo político como centro da formação e a queda do absolutismo monarca e ascensão da democracia burguesa. A escola e o professor começaram a também ter que ensinar para as novas realidades de trabalho e demandas sociais.
Com o peso de tudo isso acima citado, hoje a teia da pedagogia se mostra envolvida num complexo processo de fermentação sofrendo crises radicais. A pedagogia é um saber em transformação, não só em crise, mas também em crescimento, atravessando por várias tensões, por desafios novos e novas tarefas, por radicalizações, autocrítica e desmascaramento de várias de suas amarrações ou fios da teia. Ela é um saber que se reexamina, que revê sua própria identidade, que se reprograma e se reconstrói (Cambi, p.641, 1999.), idem ao que as aranhas fazem com suas teias.
(...)
terça-feira, 1 de novembro de 2011
EPICURO: Sua Teologia, posição na história e uma crítica à sua Doutrina. (Epicurus: Theology, position in history and critical of their doctrine.)
Título: EPICURO: Sua Teologia, posição na história e uma crítica à sua Doutrina.
Autor: FABIO GOULART
PORTO ALEGRE, 2006.
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ABSTRACT
It is a short introductory text to the philosophy of the ancient Greek philosopher Epicurus. The text is limited to the study of his theology, religion, ethics, and is followed by a critique in end.
Keywords: Epicurus, Theology, Doctrine.
RESUMO
Trata-se de um breve texto introdutório à filosofia do filósofo da Grécia antiga Epicuro. O texto se limita ao estudo de sua teologia, religião, ética e é seguido por uma crítica no final.
Palavras Chaves: Epicuro, Teologia, Doutrina.
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1. A Teologia de Epicuro
1.1 Obras e fragmentos que nos restaram.
Segundo Diógenes de Laércio, dentre as mais de trezentas obras de Epicuro, consta uma sobre os deuses (Perí Theoun), porém esta obra não chegou até nosso tempo. O maior número de referências encontramos na carta a Meneceu; também no muro de Enoanda encontram-se frases epicuristas de cunho teológico. Valiosos depoimentos relativos à teologia epicuréia devemo-los a Lucrécio e a Cicero. Um excelente estudo sobre a teologia foi escrito por Festugiére em Épicure es sés dieux sieux.
1.2 A Religião
Epicurismo não significa ateísmo em sctrcto sensu. Epicuro era um antiteísta, pois fazia oposição à religião popular (os antigos deuses gregos) e a religião astral (são os signos do zodíaco que muita gente crê até hoje). Ao contrário das religiões da época, as divindades eram para Epicuro criaturas sem inveja, sem maldade, sem desejo, sem vinganças, etc. Ele também não acreditava em destino ou qualquer tipo de vontade divina; para este filósofo os deuses não se intrometem no mundo físico. Por fim, em seus textos às vezes ele fala em divindades (theoí) e em outras em Deus no singular (Theós), assim sendo não podemos afirmar que ele era monoteísta ou politeísta. Sua visão é muito mais próxima ao que hoje chamamos de Deísmo.
1.3 Como eram os deuses para Epicuro.
“Deus é um ser vivo, imortal, feliz... do mesmo modo que o conceito universal de ser divino acha-se gravado em nós...” As divindades vivem na mais completa tranquilidade, delas provem micros simulacros (eídola) que os tornam conhecidos como são. Os deuses do povo , por outo lado, eram ficções eivadas de imagens distorcidas, errôneas, motivo por que são tidas como vingadoras.
Se dos deuses de Epicuro desprende-se átomos finíssimos, e pelos poros penetram no espírito humano, conclui-se que também eles possuem corpo, composto de matéria sutilíssima. São deuses icônicos de caráter “sui generis”. Epicuro acreditava nesses deuses por três motivos: 1° Na infância em Samos, se encheu das mais diversas informações religiosas; 2° Inteligente percebia o conceito universal no tocante à aceitação das divindades; 3° Achava logicamente necessários os deuses para fundamentar uma religião que ao mesmo tempo representasse reverencia e culto à perfeição.
1.4 Seu Argumento ontológico
Cícero referindo-se a Epicuro, cujos escritos bem conhecia, confirma em “De beneficiciis, IV, 193,” que o filho de Samos admitia a existência dos deuses como logicamente necessárias, porque é mister a existência de alguma natureza superior a qual nada pode superar. São Os deuses uma exigência do ideal da perfeição humana. ( eudamonía )
1.5 A Residência dos deuses e a imortalidade
Existem mundos infinitos segundo a física de Epicuro, por haver idem um número infinito de átomos. Os deuses viveriam nos espaços que separam entre si os mundos. Tais espaços denominam-se “intermundos” (metakosmía). Os deuses teriam uma forma semelhante a humana, só que perfeita e plenamente feliz. Mesmo feitos de átomos, os deuses não estão sujeitos a mortalidade, pois a “eídola” emite sem cessar átomos que são substituídos por outros eternamente. “Por conseguinte, não são afetados pela dissolução dos mundos que ocorre continuamente ao redor deles.” Deus mão se preocupa com o mundo, mas fica retirado isoladamente, no gozo de seu bem-estar. A felicidade divina deve ser almejada por todos homens, pois é plena...assim pensava Epicuro.
2. Epicuro na História
O epicurismo durou pouco mais de meio milênio, já sua presença marcante durou até o séc III depois de Cristo. A concepção antropológica relativamente à “hedoné” e a busca a ataraxia se mostraram inapagáveis. Tanto é que em nossos dias o mestre do jardim ainda é lembrado e a busca da felicidade por meio de seus métodos ainda é praticada. A doutrina epicuréia, não acabou no séc. III depois de cristo, ela apenas se adaptou, pois pouco antes no séc. I d.C. encontrou em meio aos romanos simpatizantes, um abrigo. Titus Lucretius Carus (95-55 a.C.) este com sua obra “De rerum natura”, escrita em hexâmetros difundiu na sua época, e depois em todo ocidente , a doutrina de Epicuro. O poema de Lucrécio é considerado o maior poema filosófico de toda história da humanidade. Cícero, embora inclinado à Nova Academia, isto é, ao probalismo, chegou a conhecer quando jovem as ideias de Epicuro, através de Fedro. Adulto, combateu Epicuro, mas continuou a apreciá-lo como homem. A obra de Lucrécio exerceu influxo sobre Horácio o que o levou a sua célebre frase “carpe diem”. O autor de “Odes Virgílio” também por muito tempo seguiu o epicurismo. Também Sêneca em seu epistolário e em suas máximas, embora professasse o estoicismo, demonstrava profunda admiração pelos ensinamentos de virtude e de moralidade de Epicuro.
2.1 Estoicismo e Epicurismo
Ambos esforçam-se por proporcionar uma filosofia de vida, seus ideais no campo da ética, realmente não estavam muito distantes um do outro. Os estoicos colimavam como objetivo a autossuficiência a qual devia ser atingida por uma vida consentânea com a natureza, os epicureus ,miravam a tranquilidade, a ataraxia. A diferença encontramos na base das doutrinas; os estoicos acreditavam numa alma universal regulando todas as coisas; eram panteístas e diziam que uma centelha dessa alma, na vida de cada individuo, constituía ao mesmo tempo toda inspiração e sabedoria que o home pode ter.
Como já foi dito, os epicuristas pensavam diferente. Tinham uma visão totalmente materialista do universo. Os deuses existem, mas isolados nos intermundos, sem contato e sem relação com o mundo físico para não turbarem a sua bem-aventurança. A alma é composta de átomos. Nos séculos II e III d.C. temos figuras que mostram sua simpatia pelo filósofo do jardim. Diógnes de Enoanda e Diógenes Laércio o qual nas suas biografias dos filósofos dedica o livro décimo inteiro de sua obra a Epicuro.
O epicurismo sofre com as lutas com os estoicos e com o crescimento do cristianismo. Timócrates um discípulo dissidente espalhou graves calúnias sobre a doutrina do mestre do jardim contribuindo para fortalecer os antiepicureus e o gradativo desaparecimento dos seguidores por volta do séc. IV d.C. Nos tempos de Santo Agostinho (354-430 d.C.) os epicuristas quando citados, os são anedoticamente, somente na Renascença Epicuro começa a ser reabilitado, diversos personagens contribuíram pra isso. Poggio valorizou os textos carolíngios multiplicando-os com várias cópias na metade so século quinze. Posteriormente temos diacronicamente como admiradores críticos de Epicuro: Bayle. La Mettrie, Vico, Voltaire, Kant, Marx, Nietzsche.
3. Crítica a Epicuro
Para Epicuro filosofia e vida são inseparáveis. Ele centra a sua atenção no ser humano como personalidade que porta um nome. Olha-o na sua singularidade, na sua experiência existencial. Empenha-se em construir uma singularidade, na sua amizade, na troca de experiência existencial. Empenha-se em construir uma filosofia de vida baseada na amizade, na troca de experiências, em reflexões, em celebrações ritualísticas de caráter religioso, na ataraxia, em máximas que servem de leis e motivações para a vida cotidiana. Embora discípulo de Demócrito, torna-se autônomo em sua maneira de conceber o mundo. Seu modo de viver e pensar expressa a busca da felicidade em seu mais alto grau. Em seu jardim todos, sem exclusão de mulheres e escravos ( algo incomum na época), podiam participar. Sua filosofia era a filosofia da liberdade, ou seja, como podemos estudar em tetrafármaco, buscava libertar os homens dos grilhões de superstição, do destino e dos deuses. Sua doutrina arraigada na realidade, na vida cotidiana, nas relações inter-humanas, na busca da felicidade neste mundo dá-nos uma visão de um humanismo imamentista, exclui qualquer transcendência e se mostra niilista.
Em sua doutrina podemos verificar aspectos negativos que apresentam fortes erros em sua gnosiologia e física. Isso porque sua obra não apresentava argumentos convincentes. Em toda sua doutrina vemos em sua ética seu ponto de vista mais forte, a principal crítica feita com relação a elas se dá sob o aspecto do não envolvimento epicureu na vida da polis, nas discussões políticas da cidade. Quanto ao problema da liberdade e da responsabilidade o qual não deu solução e sua maior falha para muitos foi ter feito do Bem a identificação com a emancipação de qualquer obrigação. Quanto a religião e teologia. Epicuro em seu deísmo representou para a sociedade de sua época o que foi o iluminismo na modernidade.
REFERÊNCIAS
ULLMAN, R. Aloysio. Epicuro: O Filósofo da Alegria. EDPUCRS. Porto Alegre 2006.
sexta-feira, 28 de outubro de 2011
MARTIN HEIDEGGER: O confronto Sistemático-Crítico com a história da filosofia.( The systematic and critical confrontation with history of philosophy)
Título: MARTIN HEIDEGGER: O confronto Sistemático-Crítico com a história da filosofia.
Autor: FABIO GOULART
PORTO ALEGRE, 2010.
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ABSTRACT
Proposing a method capable of overcoming the dualism common in the history of philosophy between subject and object, Heidegger stands in a position critical-systematic comparison with the history of philosophy. His central idea is that the veiling and unveiling of being would not be just at the thought of each thinker, but in the entire history of philosophy. So he ends up sinking into a tremendous "problem of language." A true "walking a tightrope" between the analytical and the philosophy that makes dialysis complicated and incomplete.
Keywords: Dasein, Question of Being, History of philosophy.
RESUMO
Propondo um método capaz de superar a o dualismo comum na história da filosofia entre sujeito e objeto , Heidegger se coloca em uma posição de confronto sistemático-crítico com a história da filosofia. Sua ideia central é a de que o velamento e desvelamento do ser não estaria apenas no pensamento de cada pensador, mas sim em toda história da filosofia. Para isso ele acaba se afundando em um tremendo “problema de linguagem”. Um verdadeiro “andar na corda bamba” entre o analítico e o dialítico que torna sua filosofia complicada e incompleta.
Palavras Chaves: Dasein, Questão do Ser, História da filosofia.
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Quando escolhi o curso de filosofia e consequentemente a carreira de filósofo como objetivo de vida, não fiz isso com a intenção de me tornar um grade filósofo ou de calar as perguntas mais existenciais da minha mente. Fiz esta escolha devido a minha crença particular de que somente através da filosofia é possível existir valor e significância para as coisas e para a vida.
Dentre todas as dúvidas habitantes em minha cabeça apenas uma era existencialmente importante a ponto de “ter que ser necessariamente respondida” pela filosofia: “Por que existe algo ao invés de nada?”
Ao tentar expressar e compreender o Dasein Heidegger é, sem dúvida, o filósofo que mais se aproxima de minha crise existencial. Propondo um método capaz de superar a o dualismo comum na história da filosofia entre sujeito e objeto , ele se coloca em uma posição de confronto sistemático-crítico com a história da filosofia. Em palavras mais simples: A história da filosofia precisava ser repensada através do método heideggeriano para que seu método tivesse sentido e desvelasse suas questões.
A ideia central do método heideggeriano é a de velamento e desvelamento oriunda do termo grego aléteia, que significa exatamente velamento e desvelamento. Ela parece ser extremamente simples, mas é o “carro chefe” do movimento de totalização buscado por Heidegger.
Este método permite captar em um único movimento o processo do pensamento, derrubando o dualismo “método-objeto”. Isso o levaria a uma visão mais transparente da história da filosofia e suas questões.
Por outro lado, A tradição filosófica nos traz dois modelos explicar a história da filosofia:
1° O Lógico-analítico que é sistemático, crítico e está ligado à problemas da linguagem;
2° O Especulativo-dialético baseado no sistema tese, antítese e síntese.
O método analítico além de não estrar preocupado com “a questão mesma” mas sim com o sistema de predicadores que determina a lógica a lógica do texto, não atinge a totalidade desejada por Heidegger. Diríamos que não apenas o método permanece exterior a coisa, mas é exatamente por causa do método que a própria relação da linguagem com a coisa é exterior.
Diferentemente disso, o modelo especulativo-dialético é totalizador. Vê a história da filosofia como um todo onde cada filósofo se move e está ligado à “questão mesma” de cada texto. Diríamos que para Heidegger dialogar significa “penetrar na força e no âmbito do que foi dito pelos primeiros filósofos”. Para ele a procura não está no que foi dito, mas em algo impensado. Por fim, caso se adote uma linguagem muito especulativa, o modelo dialético de método pode se tornar complexo e obscuro.
Com isso Heidegger descobre uma radicalização progressiva do esquecimento do ser na história da filosofia. Faz-se necessário buscarmos um caminho que revele o jogo de luz e sombras da questão do ser.
Para isso o filósofo não procura a história da filosofia para ampliar um sistema filosófico particular. Ele á procura de maneira sistemática, crescendo organicamente dentro da tensão que sua visão totalizadora gera na história do pensamento.
A grande novidade de Heidegger foi mostrar que a estrutura polar “velamento-desvelamento” não está apenas no pensamento de cada pensador, mas sim em toda história da metafísica ocidental.
O problema que surge é que ele também faz parte destas história, não podendo expor seu pensamento como se não fizesse. Assim sua obra mergulha em uma constante tensão entre o que está sendo dito e a maneira de como é dito.
Por isso ele busca uma linguagem especulativa e que “ao ser especulativa” não deixe de ser suficientemente crítica e autocrítica. Busca o controle da linguagem sem cair numa relação puramente exterior as questões fundamentais do texto.
Mas como fundir a linguagem com a questão fundamental do texto sem perder o controle da linguagem?
Parece que ele não conseguiu responder e deixou esta questão em aberto.
Em sua obras Heidegger constrói uma linguagem própria, uma verdadeira “teia de conceitos”, pois cada uma de suas palavras só tem o sentido desejado quando amarrada as demais. Ele abusa dos recursos que a etimologia oferece para gerar tenção nas palavras; e para isso empurrá-las cada vez mais na direção da estrutura ambígua de velamento e desvelamento desejada.
Julgo que ao buscar um sistema totalizador especulativo e crítico onde a questão do ser se vela e desvela na história da filosofia, ele acaba se afundando em um tremendo “problema de linguagem”... Um verdadeiro “andar na corda bamba” entre o analítico e o dialético, onde a linguagem é um fardo pesado tentando derrubar o filósofo a qualquer momento. Por fim, o resultado é uma filosofia desnecessariamente complicada de ser entendida e incompleta no sentido de que não respondeu muitas de suas questões fundamentais acerca do ser.
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Obs.: Trabalho feito a partir das aulas do professor Dr. Ernildo Stein. Um dos maiores nomes quando o assunto é Martin Heidegger.
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