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segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

O Rolezinho em Porto Alegre, no Shopping Moinhos, valeu a pena? - O Som da Verdade #20


Hoje faz um ano que foi realizado o Rolezinho em Porto Alegre.

E será que valeu a apena? Qual era o objetivo disso e por qual motivo foi feito?

Para entender esta questão, precisamos lembrar de qual era o objetivo deste evento. Esta mensagem estava no convite do evento:

"A manifestação é apresentada como um apoio ao povo da zona leste de São Paulo e das periferias das grandes cidades de todo o Brasil contra toda forma de opressão aos pobres e negros, em especial contra a brutal e covarde ação diária da polícia militar no Brasil, seja nos shoppings, nas praias ou nas periferias”.

Este Rolezinho, foi um passeio dentro de um shopping com a intenção de fazer uma crítica contra a desigualdade e o racismo. Ocorreu inclusive, uma combinação com o Shopping, com a polícia militar e EPTC, antes de tudo ocorrer. Todos os cuidados prévios, foram tomados antes do evento para uma correta organização.

Obviamente, mesmo combinando e programando o evento com o Shopping, eles solicitaram, sem avisar aos organizadores, uma liminar para impedir a entrada do "Rolezinho" no Shopping Moinhos, o que foi negado pela juíza responsável. Entretanto, ela concedeu uma liminar para casos de vandalismo, no valor R$150.000,00 caso ocorresse.

Centenas de críticas foram realizadas antes, durante e depois da manifestação. Na maioria dos casos apenas julgando os participantes, com adjetivos criativos. A ofensa e até mesmo a ameaça, tornaram-se parte da minha rotina, pois apesar de termos total liberdade de criar um ato como este, existem pessoas que se irritam a ponto de organizar uma vingança, seja virtual, ou pessoal e não raro, são as que mais clamam por "democracia e justiça" (individual, claro) em nosso país.

Defendem a vingança, justiça com as próprias mãos, mas não reconhecem o ato de protestar pacificamente, a não ser que elas façam isso, aí é totalmente válido.

No dia do evento, apesar de bem recebidos pela polícia, tivemos a surpresa da liminar, uma entrevista coletiva com a imprensa, cara feia dos seguranças, o relato do conselheiro tutelar Cristiano Pinto, dizendo que o Conselho recebeu telefonemas com tom de racismo e preconceito, vitrines de joalherias vazias e muitas lojas até fechadas. Tudo isso, pelo medo. O que comprovou que as muitos tinham plena certeza de que ocorreriam atos horríveis aquele dia.

Cerca de quatrocentas pessoas confirmaram o evento, que foi denunciado e deletado por duas vezes no Facebook. Foi incrível a repercussão midiática e o forte aparato de seguranças montado simples fato de um passeio de não mais de 70 jovens de periferia em tal estabelecimento (desde o início esperávamos entre e 50 e 100 jovens devido ao terror social espalhado e ao difícil acesso deste estabelecimento em relação aos bairros mais pobres da capital).

Nosso grupo era montado por jovens de periferia, estudantes universitários, professores, pela UJS (que aderiu a este movimento de maneira, pois não tínhamos qualquer ligação), advogados, conselheiros tutelares, e até por moradores da nobre região que apoiaram o grupo. Tudo que fizemos foi passear, olhar, lojas, consumir sorvete e refrigerante na praça de alimentação, conversar e se divertir.

Apesar disso tudo, tivemos mais jornalistas do que participantes (Para tristeza de alguns que adorariam ver violência, quebradeira e sangue). O evento em si, foi um sucesso. Como não aconteceu nenhum caso de vandalismo, ou violência, nem ofensa, o processo foi cancelado pela administração do estabelecimento em comum acordo com a organização do Rolezinho.

Claro que quem julgou e não apoio desde o início, criticou dizendo que não atingimos nosso objetivo. Mas a mensagem era a crítica e isso foi feito. Nunca foi nossa intenção quebrar nada, nem gerar nenhum tipo de prejuízo, pelo contrário, consumimos lá dentro. Queríamos mostrar a reação das pessoas quando jovens pobres entram em um Shopping, em um bairro nobre de Porto Alegre e nossas suspeitas se mostraram totalmente verdadeiras.

Muitas pessoas deram entrevistas dizendo que aquilo era inadmissível, que estavam retirando o espaço dos demais - espaço este que mesmo em um estabelecimento privado, permite acesso público - e que deveria ser reprimido pela polícia e impedimento judicialmente. Ameaças, julgamentos, suposições, deduções e até uma "vidência sarcástica", isso tudo foi desmentido não só por nós, mas pela polícia que negou enviar policiais para prevenir crimes que ainda não haviam ocorrido e até mesmo pela justiça, que não impediu a entrada de ninguém, pois a mesma é e deve ser pública, sem poder controlar o acesso de pessoas.

Por fim, isso tudo ocorreu devido a criminalização de grupos de pessoas - jovens -, onde várias generalizações foram feitas e o preconceito foi grande. Nós mostramos que não somente é possível organizar um protesto pacífico em qualquer lugar, como entregamos nossa crítica e passamos a mensagem para os demais organizadores de Rolezinhos que eles poderiam, se quisessem, organizar melhor estes eventos. Posteriormente, pretendíamos continuar com novos eventos culturais em outros locais, mas infelizmente a ideia não foi mantida, por vários motivos. Entre eles uma guerra ideológica que começou como reclamação em janeiro do ano passado e teve seu crescimento durante as eleições. Onde pessoas só visualizam tudo a partir de dois pontos e muitas vezes pretendem dividir o país desta forma.

É muito importante repensar esta crítica hoje. O pensamento egoísta e individualista e negativista, infelizmente se faz mais presente e mais forte todos os dias em nosso país. Precisamos reconsiderar isso e tentar entender melhor os motivos de tanta generalização, preconceito e visão acrítica por qualquer fato cotidiano. Essa foi e continua sendo a mensagem principal disso tudo.



Assista a reportagem sobre o Rolezinho em Porto Alegre:




 Veja abaixo os links das principais reportagens do fato no ano passado:

http://jcrs.uol.com.br/site/noticia.php?codn=151884

http://www.correiodopovo.com.br/Noticias/?Noticia=516549

http://noticias.terra.com.br/brasil/cidades/rolezinho-politico-em-shopping-tem-muita-seguranca-e-pouca-diversao,5f4ef498a9ca3410VgnVCM5000009ccceb0aRCRD.html

http://noticias.band.uol.com.br/cidades/rs/noticia/100000657975/Organizadores-do-Rolezinho-da-capital-prometem-manifestacao-pacifica.html

http://www.radioguaiba.com.br/Noticias/?Noticia=514948

http://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2014/01/1399935-rolezinho-no-rs-tem-funk-em-praca-de-alimentacao-apesar-de-liminar.shtml

http://polibiobraga.blogspot.com.br/2014/01/brigada-seguranca-privada-e-oficial-de.html

http://www.jornaldelondrina.com.br/brasil/conteudo.phtml?tl=1&id=1440932&tit=rolezinho-no-rs-tem-funk-em-praca-de-alimentacao

http://www.jcnet.com.br/Nacional/2014/01/rio-e-porto-alegre-tem-rolezinhos.html

http://www.youtube.com/watch?v=hhxPG_eGr8c

http://www.filosofiahoje.com/2014/01/rolezinhos-porto-alegre.html

http://ultimosegundo.ig.com.br/brasil/2014-01-18/rolezinho-se-expande-pelo-pais-com-carater-de-protesto.html

http://noticias.band.uol.com.br/cidades/rs/noticia/100000657803/e-marcado-rolezinho-com-refri-e-pao-com-mortadela-em-porto-alegre.html

http://www.opovo.com.br/app/opovo/brasil/2014/01/20/noticiasjornalbrasil,3193488/shoppings-fecham-mas-rolezinhos-sao-mantidos.shtml 

http://jcrs.uol.com.br/site/noticia.php?codn=151829

http://www.rondoinformacao.com.br/nacional/7181-rolezinho-com-refri-e-pao-com-mortadela.html

http://www.estadao.com.br/noticias/cidades,rolezinho-nao-e-caso-de-policia-diz-ministra-dos-direitos-humanos,1119798,0.htm

http://www.jornalfloresta.com.br/index.php/noticias-2/geral/1153-porto-alegre-tem-tres-rolezinhos-marcados

http://maurenmotta.com.br/noticias/comportamento/rolezinho-chega-a-porto-alegre/

http://www.jb.com.br/pais/noticias/2014/01/16/carvalho-acao-da-policia-em-rolezinhos-pode-colocar-gasolina-no-fogo/

http://www.filosofiahoje.com/2014/01/o-rolezinho-o-som-da-verdade-17.html

Autor: Fábio Fleck (Filosofia Hoje)

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terça-feira, 26 de agosto de 2014

Caos na Saúde Pública? O SUS funciona? - O Som da Verdade #18 #CaosnaSaúde




Antes de qualquer coisa, precisamos deixar claro que esta não se trata de uma crítica apenas ao governo vigente, mas sim a todo o sistema da saúde.

É obvio que o governo atual, aliás, todos os políticos poderiam fazer, ou tentar qualquer solução para o caos que temos no SUS.

Você já precisou usar o SUS? Bem. Fazia tempo, mas muito tempo que eu não precisava, pois sempre utilizo convênio médico empresarial.

Se você assim como eu tem a possibilidade de ter um plano de saúde, ou mesmo pagar um médico e hospital particular, faça isso.

Precisei utilizar o hospital público, pois meu filho apresentou quadros de problemas neurológicos, como dores de cabeça, espasmos e outros problemas nos nervos, algo como uma convulsão.

Chegando ao posto médico de saúde, fomos orientados a ir diretamente para um hospital da rede pública, pois a situação era urgente.

 Na emergência deste hospital, após uma espera de quatro horas a pediatra o encaminhou para uma avaliação com o neurologista de plantão (não para estes casos, pois ela era uma neurocirurgiã). Foi feito um exame e nada foi detectado. Então esta médica especialista nos informou que ele precisava urgentemente ser avaliado por um neurologista pediátrico em outro hospital. Disse que ele poderia ser levado de ambulância, mas como demoraria duas horas para o veículo ficar disponível, preferimos ir de carro rapidamente.  Chegando lá, uma pediatra o avaliou e disse que ele estava bem (leia-se: não estava morrendo). Por isso, poderia ir para casa, agendar uma consulta no posto médico para a próxima semana e voltar ao hospital em caso de urgência. 

Ficamos na dúvida. Por que uma médica especialista nos orienta a procurar um neurologista pediátrico, mas a pediatra diz que não é urgente? Há uma discrepância nestas informações e alguém errou. Voltamos ao primeiro hospital para questionar isso da própria médica que nos indicou que o caso era urgente.
O enfermeiro da triagem, já tentou nos dispensar ali mesmo. 

Disse que se a médica orientou ir para casa e agendar a consulta, era para seguir esta recomendação. Após questionar dezenas de vezes o desencontro das informações, após quase termos que chamar a polícia para ter o atendimento solicitado, passamos por outro médico (após mais duas horas de espera) era outro neurocirurgião de plantão, que disse que sua colega anterior se equivocou e nos assustou por nada. Que isso provavelmente poderia ser apenas um problema psiquiátrico e informou que provavelmente poderia ser síndrome de Tourette. Sem os vários exames necessários para diagnosticar isso corretamente. Disse com estas palavras: “- Não se preocupem ninguém morre disso!”. E reforçou para agendar as consultas via posto médico regional. 

Agendamos na sexta e o posto informou que nos ligaria na segunda-feira para dizer para que dia ficasse marcada a consulta. Mas no domingo ele teve outra crise e preferimos levar em um Hospital de Pronto Socorro, dado o histórico negativo dos hospitais anteriores. 

Falei com uma renomada psiquiatra, Dra. Ana Hounie. E ela me informou que isso não parecia síndrome, que ninguém pode adivinhar isso sem os devidos exames e que se ele tinha dores de cabeça, era urgente sim e orientou a retornar ao hospital para avaliação neurológica. Seguimos esta orientação. 

Fizemos o boletim de atendimento no terceiro hospital e na triagem, pasmem, informaram que também não possuíam esta especialidade e sugeriram um quarto hospital infantil. Chegando lá, apesar da demora, conseguimos o atendimento e a internação, do meu filho, pois o médico informou que realmente este caso era emergencial. Mesmo com a morosidade dos exames, falta de empatia e vontade por parte dos médicos ele está sendo atendido.

Fica a pergunta: Se não era grave, ou urgente, porque ele foi internado neste quarto hospital? Por que esta demora e este desencontro nas informações? 

Eu denunciei o caso para a câmara de vereadores, para a secretaria de saúde e para a ouvidoria dos hospitais, ainda sem resposta. 

Mas o tempo que precisei ficar no SUS, consegui ouvir e ver com os meus próprios olhos as reclamações das pessoas. O tempo imenso que ficam em uma fila. Às vezes quatro horas para receberem um diagnóstico falho, errado, ou sem os exames necessários. As pessoas retornam para suas casas, pioram e precisam voltar ao hospital e esperar horas novamente. Muitos desistem. E quantos não morrem na porta dos hospitais? O descaso, a falta de aparelhos, especialistas, falta de vontade de atender são fatores críticos para esta situação. 

Porém, precisamos observar que a falha parece ser muito mais estratégica e gerencial e até político do que simplesmente operacional. Estas pessoas seguem protocolos e procedimentos - Como o de Manchester - que não atende a população. Categorização por cores, portarias que derrubam o direito garantido de certos atendimentos prioritários, são exemplos coisas básicas que poderiam mudar, mas nosso dever é o de denunciar todos os casos para todos os canais possíveis! 

Para ilustrar que o meu não é um caso isolado, observe abaixo mais noticiais sobre o SUS e reflita sobre este tema!!!!!!!

Gráfico de denúncias:


Notícias sobre saúde pública:



 

Como Denunciar:

 

 


Autor: (Crítico Social Fábio Fleck Filosofia Hoje)

sábado, 18 de janeiro de 2014

O Rolezinho - O Som da Verdade #17



Olá! Minha coluna O Som da Verdade de hoje, será diferente.

Hoje vou abordar o assunto: "Rolezinho", este tema vem sendo noticiado a algum tempo, nos principais jornais, portais e nas redes sociais e por este motivo resolvemos tratá-lo por aqui.

Primeiramente, é necessário que você entenda como isso começou, então segue um breve resumo:
Desde o fim de 2013, jovens têm organizado encontros pelas redes sociais, principalmente, em shoppings da capital paulista e da Grande São Paulo. Os eventos ficaram conhecidos como "rolezinhos". A primeira iniciativa a ganhar repercussão aconteceu no Shopping Metrô Itaquera, Zona Leste de São Paulo, em 8 dezembro.  Algumas lojas fecharam com medo de saques e o centro comercial encerrou o expediente mais cedo.

Este tipo de encontro em lugares públicos-privados não é propriamente uma novidade em São Paulo. 
E não começaram especificamente no ano passado. Ocorreram mais eventos deste tipo, como você pode ver em: http://g1.globo.com/sao-paulo/noticia/2014/01/conheca-historia-dos-rolezinhos-em-sao-paulo.html
 
Os passeios romperam a fronteira paulistana. Em Porto Alegre, há dois eventos sendo convocados por meio Facebook: no Shopping Moinhos, no próximo domingo, e no Barra Shopping, em 1º de fevereiro.
Resolvemos entrevistar os organizadores do evento Marcia Santos (Organizador do evento no Shopping Moinhos) e Luana Mendonça (Organizadora do Shopping Praia de Belas).

Por uma questão de receio quanto a retaliações por parte das autoridades e pessoas contrárias ao evento, os organizadores do evento, me pediram ajuda na divulgação, cobertura e organização e estou auxiliando e acompanhando, para evitar atos violentos.

Segue a entrevista:

1) Márcio. O que você acha sobre o que aconteceu nos "Rolezinhos" em SP? Qual sua opinião sobre o assunto? Rolezinhos acontecem desde a década de 80, 90, quando os shoppings se proliferaram pelas cidades brasileiras. O espaço sempre foi de lazer. Eu, por exemplo, fumei o meu primeiro cigarro dentro de um shopping.  Hoje não fumo mais e é proibido fumar em lugares fechados. Muita coisa mudou. O que piorou foi a educação no país. Chegou num ponto que o jovem da periferia é tão viciado no funk, que ele não respeita mais quem está do seu lado. Ele leva seu som para dentro do metrô, do trem e do shopping. Alguns se transformaram em vândalos. O grande problema é que nem todos são vândalos. E a PM truculenta e sem educação também, impediu a entrada desses jovens de maneira violenta, na maioria negros e pardos, de entrar nestes estabelecimentos comercias. Aí surgiu o problema. 

2) Por qual motivo você acha que algumas pessoas "abraçaram esta causa" que ocorreu em SP, assim como você está fazendo? Acredito que os protestos realizados em junho não foram suficientes para sanar os anseios imediatos dos brasileiros. Estamos no ano da Copa do Mundo, muito dinheiro está circulando, muita corrupção está acontecendo. A inflação está sendo ocultada, os alimentos, serviços, impostos estão muito caros e ninguém está satisfeito com a atual política econômica do país. Assim como o preço da passagem no ano passado, o problema racial agora parece ser estopim do desconforto da população.

3) Tem pessoas que não sabem.O que é "Rolezinho" e qual o significado disso? Em São Paulo ir pra balada também pode ser definido como "dar um rolê". Os rolezinhos nos shoppings são momentos lazer dos jovens da periferia. Eles andam em turmas, escutam funk, namoram, paqueram. O que todo mundo já fez ou faz quando estava na idade deles. A diferença está nos novos hábitos desses jovens que se proliferaram, ganham seus salários, vivem ouvindo funk ostentação, e querem consumir em shoppings. Só que eles não se separam de suas caixas de som e causou o problema.

4) Por qual motivo você decidiu fazer isso em Porto Alegre? Eu vi que no Rio de Janeiro vai acontecer o evento no mesmo dia e horário que marquei aqui. Assim como lá, decidi apoiar a causa do racismo e da desigualdade. Acho que o país é um só, não somos um outro país. A causa lá e aqui é a mesma. O racismo aqui é bem pior que em São Paulo.

5) A principal preocupação das pessoas Márcio, é com a segurança. Como vocês estão tratando, programando este "rolezinho"? Como será no quesito segurança? Hoje vamos conversar com administração do Moinhos Shopping e definiremos se ocorrerá dentro ou fora do estabelecimento. Se for dentro, o shopping tem seus próprios seguranças. Se for fora, avisaremos a Brigada Militar sobre o ato.

6) Como será organizado, será dentro, fora, do Shopping? Queremos entrar. O encontro inicial será fora. Depois vamos percorrer os corredores do shopping até a praça de alimentação, civilizadamente, e faremos uma espécie de pic nic nas mesas do local. 

7) O que mais as pessoas perguntam é: Para que fazer isso? o que você pensa sobre isso? Qual o propósito deste evento? Qual o efeito prático disso? O propósito, o motivo é um só: apoio aos jovens pobres e negros do país. Eu penso que protestar é cultura de países de primeiro mundo, aqui estamos em desenvolvimento, e as pessoas estão se acostumando com estes eventos. E por isso existem muitas dúvidas.

8) O que será feito lá no Moinhos efetivamente? O que vocês farão lá no local fisicamente? Vamos nos encontrar na rua, percorrer os corredores, assim como são os rolês. Iremos até a praça de alimentação e, num ato simbólico, será distribuído pão com mortadela. O ideal é que os pobres e negros se sintam a vontade e sejam bem vindos no shopping. Assim como deve ser em qualquer lugar.

9) Temos visto várias pessoas indignadas com estes Rolezinhos, dizem que há violência, arrastão, roubo, música alta, baderna, etc. O que você pensa sobre isso? E nós, teremos alguma destas coisas aqui em Porto Alegre? Como será?  Eu acredito que num futuro próximo não será diferente a introdução de pobres, negros e pardos que gostam de funk ocuparem espaços que antes não ocupavam. O país está num processo de mudanças sociais. No ato programado pra domingo não queremos violência, arrastão e musica alta. Queremos um rolê civilizado. É preciso deixar claro que pobre e negro pode sim ter educação. É preciso deixar claro também que o país precisa urgentemente de investimento na educação já que esse tipo de problema acontece numa cidade grande como São Paulo. 

10) Você acha que existe preconceito racial, social, cultural? E Contra o Funk? Existe sim e não só no Brasil. Mesmo nos Estados Unidos, que já elegeu um presidente negro, existe. E talvez sempre vá existir. O que não pode acontecer é violar os direitos dessas pessoas. Em relação ao funk também existe ojeriza. E não deveria, pois o funk ouvido por estes jovens é genuíno, brasileiro. É a nossa cara. Infelizmente. O que podemos fazer agora é cobrar dos governantes, nossos representantes políticos, investimento na educação, e acreditar que, assim, a qualidade dessa música melhore.

Autor: (Crítico Social Fábio Fleck Filosofia Hoje)