Mostrando postagens com marcador filosofia antiga. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador filosofia antiga. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 30 de março de 2017

Epicuro de Samos: quem afirma que o tempo de dedicar-se à filosofia ainda não chegou ou já passou e como dizer que ainda não chegou ou já passou o tempo de ser feliz.

O que você pensa sobre isso??? Compartilhe e Curta Filosofia Hoje.  Quer mais filosofia? Então nos ajude de forma rápida e gratuita clicando no link e assinando nosso Canal no YouTube http://www.youtube.com/user/FilosofiaHoje?sub_confirmation=1 :) Juntos vamos espalhar filosofia na Internet.  

terça-feira, 24 de maio de 2016

Deus em Aristóteles: Motor imóvel ou Movente não Movido



** ATENÇÃO AMIGO YOUTUBER, marque esse vídeo como "Gostei", Favorite, se inscreve no canal FilosofiaHoje e divulga isso nos comentários que eu me inscrevo no seu canal!

-------------------------------------
Blog: http://www.filosofiahoje.com/
Face: https://www.facebook.com/FilosofiaHoje
Twitter: http://twitter.com/fabiogoulart_gt
Google+: https://plus.google.com/+FilosofiaHoje
You Tube: http://www.youtube.com/user/FilosofiaHoje
-------------------------------------

-Vídeo do Vlog 100% original
***Tudo sob licença padrão do YouTube.

segunda-feira, 21 de setembro de 2015

Conhece-te a ti mesmo



Cada um sabe o que é. Não dá pra nos confundirmos com outra pessoa. Sabemos o que gostamos, o que não gostamos, o que queremos, o que não queremos, o que ouvimos o que não ouvimos, o que aprendemos, o que não aprendemos, o que podemos, o que não podemos, o que fizemos, o que não fizemos, o que sentimos, o que não sentimos, etc... Mas será que somos só isso??? ASSISTA*REFLITA*COMENTE*COMPARTILHE.

- Versão em texto http://www.filosofiahoje.com/2012/05/conhece-te-ti-mesmo.html

***REPOST***
-------------------------------------
Link do canal da Música do fundo:
https://www.youtube.com/channel/UCF4Nus34xq_fkuO83ijn5Jw
-------------------------------------
Blog: http://www.filosofiahoje.com/
Face: https://www.facebook.com/FilosofiaHoje
Twitter: http://twitter.com/fabiogoulart_gt
Google+: https://plus.google.com/u/0/103330374230250663726
You Tube: http://www.youtube.com/user/FilosofiaHoje/

-------------------------------------

-Vídeo do Vlog 100% original
-Música original minha e da minha banda disponível em http://www.youtube.com/watch?v=DrWvelMsBB0
***Tudo sob licença padrão do YouTube.

quinta-feira, 23 de maio de 2013

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

Conhece-te a ti mesmo - Primeiros Passos


-Cada um sabe o que é. Não dá pra nos confundirmos com outra pessoa. Sabemos o que gostamos, o que não gostamos, o que queremos, o que não queremos, o que ouvimos o que não ouvimos, o que aprendemos, o que não aprendemos, o que podemos, o que não podemos, o que fizemos, o que não fizemos, o que sentimos, o que não sentimos, etc... Mas será que somos só isso??? ASSISTA*REFLITA*COMENTE*COMPARTILHE.

Recomendação:
- Canal do Felipo Belline http://www.youtube.com/user/felipobellini
- Versão em texto http://www.filosofiahoje.com/2012/05/conhece-te-ti-mesmo.html
-------------------------------------
Blog: http://www.filosofiahoje.com/
Face: https://www.facebook.com/FilosofiaHoje
Twitter: http://twitter.com/fabiogoulart_gt
Google+: https://plus.google.com/u/0/103330374230250663726
You Tube: http://www.youtube.com/user/FilosofiaHoje/
-------------------------------------

-Vídeo do Vlog 100% original
-Música original minha e da minha banda disponível em http://www.youtube.com/watch?v=DrWvelMsBB0
***Tudo sob Creative Commons - Uso não-comercial 2.5 Brasil License.


sábado, 26 de janeiro de 2013

Heraclito e a Filosofia do Tudo Passa


*ASSISTA*REFLITA*COMPARTILHE*
"Tu não podes tomar banho duas vezes no mesmo rio, pois aquelas águas já terão passado e também tu já não serás mais o mesmo." Assim dizia Heráclito de Éfeso um pré-socrático, ou seja, um dos primeiros filósofos da humanidade a mais de 2500 anos atrás.
Fico admirado em perceber como ainda hoje estas palavras parecem deter o poder de fazer do mais sábio ao mais ignorante refletir sobre as coisas da vida. Foram palavras que sobreviveram à ascensão e queda de impérios na antiguidade, às trevas na idade média, às navegações da modernidade e às grandes guerras e descobertas contemporâneas.***ASSISTA ATÉ O FINAL E REFLITA***
*Link para versão em texto: http://www.filosofiahoje.com/2012/03/o-movimento-da-vida.html
*Desculpem pela imagem fora de foco.
-------------------------------------
Blog: http://www.filosofiahoje.com/
Face: https://www.facebook.com/FilosofiaHoje
Twitter: http://twitter.com/fabiogoulart_gt
Google+: https://plus.google.com/u/0/103330374230250663726
You Tube: http://www.youtube.com/user/FilosofiaHoje/ (vc está por aqui hehehe)
-------------------------------------
-Vídeo do Vlog 100% original
-Música original minha e da minha banda disponível em http://www.youtube.com/watch?v=DrWvelMsBB0
***Tudo sob Creative Commons - Uso não-comercial 2.5 Brasil License.

segunda-feira, 12 de março de 2012

O Movimento da Vida


O Movimento da Vida

           “Tu não podes tomar banho duas vezes no mesmo rio, pois aquelas águas já terão passado e também tu já não serás mais o mesmo.” Assim dizia Heráclito de Éfeso um pré-socrático, ou seja, um dos primeiros filósofos da humanidade a mais de 2500 anos atrás.
Fico admirado em perceber como ainda hoje estas palavras parecem deter o poder de fazer do mais sábio ao mais ignorante refletir sobre as coisas da vida. Foram palavras que sobreviveram à ascensão e queda de impérios na antiguidade, às trevas na idade média, às navegações da modernidade e às grandes guerras e descobertas contemporâneas.
            Dizer que o mesmo homem não pode atravessar o mesmo rio, porque o homem de ontem não é o mesmo homem, nem o rio de ontem é o mesmo de hoje nos faz imediatamente pensar que na vida tudo pode mudar, devido a isso, por mais obscuras que tais palavras possam parecer, elas nos trazem sempre o sentimento de esperança.
             Esta é a filosofia do “tudo flui”, ou ainda “tudo passa” (em grego “Panta rei”). Para Heráclito a única coisa que não poderia mudar era o próprio movimento, por isso a possibilidade da mudança (ou Devir) seria de fato a sua única certeza e a força que rege o universo. Mas como e quais são os limites desta mudança?
            A mudança é sempre uma alternância entre contrários: coisas quentes esfriam, coisas frias esquentam; coisas úmidas secam, coisas secas umedecem etc. O mesmo podemos dizer sobre as pessoas: Pessoas boas podem fazer coisas más, pessoas que já foram ruins podem começar a ser boas, etc. Dificilmente a mudança vai de um extremo ao outro, geralmente é sutil e demorada, mas sempre pode acontecer. A realidade é formada sempre por dois lados da moeda, mesmo que às vezes somente um pode ser visto. Por isso não podem dizer que existem coisas quentes ou frias, nem pessoas boas e más, o certo é dizer que as coisas estão quentes ou frias, ou que as pessoas estão fazendo coisas boas ou ruins. O quente só é quente se comparado com o frio, e a qualquer hora pode esfriar, e as pessoas sempre carregam o bem e mal dentro de si, são as escolhas e os atos que farão os outros julgarem, por isso todos nós podemos mudar.
            As coisas mudam naturalmente, como as águas que nascem nas montanhas e correm pelo rio até o mar, já as pessoas necessitam fazer algumas escolhas para mudarem. Estas escolhas devem surgir do desejo de se tornar diferente do que foi ontem, ou se transformar hoje no que deseja ser amanhã. É justamente a reflexão sobre quem somos e o que fizemos acrescentada das novas experiências de vida e conhecimentos adquiridos que podem nos dar força para mudar.
             O tempo não para, cada homem sempre carrega com sigo seu passado, presente e futuro. Por isso devemos sempre manter a esperança na mudança, por mais que todos teimem e nos julgar pelas coisas que passaram, devemos lutar com suor e lágrimas por um futuro melhor, onde sejamos pessoas que fazem coisas melhores, onde a vida tenha mais valor.
             Não são os outros que valorizarão sua vida. Você terá que fazer isso por sua própria conta.
 



terça-feira, 1 de novembro de 2011

EPICURO: Sua Teologia, posição na história e uma crítica à sua Doutrina. (Epicurus: Theology, position in history and critical of their doctrine.)

Epicuro Epicurus

Título: EPICURO: Sua Teologia, posição na história e uma crítica à sua Doutrina. 

Autor: FABIO GOULART

PORTO ALEGRE, 2006.

***

ABSTRACT

                It is a short introductory text to the philosophy of the ancient Greek philosopher Epicurus. The text is limited to the study of his theology, religion, ethics, and is followed by a critique in end.
             Keywords: Epicurus, Theology, Doctrine.

RESUMO

                Trata-se de um breve texto introdutório à filosofia do filósofo da Grécia antiga Epicuro. O texto se limita ao estudo de sua teologia, religião, ética e é seguido por uma crítica no final.
Palavras Chaves: Epicuro, Teologia, Doutrina.

***

1.       A Teologia de Epicuro

1.1 Obras e fragmentos que nos restaram.

                Segundo Diógenes de Laércio, dentre as mais de trezentas obras de Epicuro, consta uma sobre os deuses (Perí Theoun), porém esta obra não chegou até nosso tempo. O maior número de referências encontramos na carta a Meneceu; também no muro de Enoanda encontram-se frases epicuristas de cunho teológico. Valiosos depoimentos relativos à teologia epicuréia devemo-los a Lucrécio e a Cicero. Um excelente estudo sobre a teologia foi escrito por Festugiére em Épicure es sés dieux sieux.

1.2 A Religião

                Epicurismo não significa ateísmo em sctrcto sensu. Epicuro era um antiteísta, pois fazia oposição à religião popular (os antigos deuses gregos) e a religião astral (são os signos do zodíaco que muita gente crê até hoje). Ao contrário das religiões da época, as divindades eram para Epicuro criaturas sem inveja, sem maldade, sem desejo, sem vinganças, etc. Ele também não acreditava em destino ou qualquer tipo de vontade divina; para este filósofo os deuses não se intrometem no mundo físico. Por fim, em seus textos às vezes ele fala em divindades (theoí) e em outras em Deus no singular (Theós), assim sendo não podemos afirmar que ele era monoteísta ou politeísta. Sua visão é muito mais próxima ao que hoje chamamos de Deísmo

1.3 Como eram os deuses para Epicuro.

                “Deus é um ser vivo, imortal, feliz... do mesmo modo que o conceito universal de ser divino acha-se gravado em nós...” As divindades vivem na mais completa tranquilidade, delas provem micros simulacros (eídola) que os tornam conhecidos como são. Os deuses do povo , por outo lado, eram ficções eivadas de imagens distorcidas, errôneas, motivo por que são tidas como vingadoras.
                Se dos deuses de Epicuro desprende-se átomos finíssimos, e pelos poros penetram no espírito humano, conclui-se que também eles possuem corpo, composto de matéria sutilíssima. São deuses icônicos de caráter “sui generis”. Epicuro acreditava nesses deuses por três motivos: Na infância em Samos, se encheu das mais diversas informações religiosas; Inteligente percebia o conceito  universal no tocante à aceitação das divindades; Achava logicamente necessários os deuses para fundamentar uma religião que ao mesmo tempo representasse reverencia e culto à perfeição.

1.4 Seu Argumento ontológico

                Cícero referindo-se a Epicuro, cujos escritos bem conhecia, confirma em “De beneficiciis, IV, 193,” que o filho de Samos admitia a existência dos deuses como logicamente necessárias, porque é mister a existência de alguma natureza superior a qual nada pode superar. São Os deuses uma exigência do ideal da perfeição humana. ( eudamonía )

1.5 A Residência dos deuses e a imortalidade

                Existem mundos infinitos segundo a física de Epicuro, por haver idem um número infinito de átomos. Os deuses viveriam nos espaços que separam entre si os mundos. Tais espaços denominam-se “intermundos” (metakosmía). Os deuses teriam uma forma semelhante a humana, só que perfeita e plenamente feliz. Mesmo feitos de átomos, os deuses não estão sujeitos a mortalidade, pois a “eídola” emite sem cessar átomos que são substituídos por outros eternamente. “Por conseguinte, não são afetados pela dissolução dos mundos que ocorre continuamente ao redor deles.” Deus mão se preocupa com o mundo, mas fica retirado isoladamente, no gozo de seu bem-estar. A felicidade divina deve ser almejada por todos homens, pois é plena...assim pensava Epicuro.

2. Epicuro na História

O epicurismo durou pouco mais de meio milênio, já sua presença marcante durou até o séc III depois de Cristo. A concepção antropológica relativamente à “hedoné” e a busca a ataraxia se mostraram inapagáveis. Tanto é que em nossos dias o mestre do jardim ainda é lembrado e a busca da felicidade por meio de seus métodos ainda é praticada. A doutrina epicuréia, não acabou no séc. III  depois de cristo, ela apenas se adaptou, pois pouco antes no séc. I d.C. encontrou em meio aos romanos simpatizantes, um abrigo. Titus Lucretius Carus (95-55 a.C.) este com sua obra “De rerum natura”, escrita em hexâmetros difundiu na sua época, e depois em todo ocidente , a doutrina de Epicuro. O poema de Lucrécio é considerado o maior poema filosófico de toda história da humanidade. Cícero, embora inclinado à Nova Academia, isto é, ao probalismo, chegou a conhecer quando jovem as ideias de Epicuro, através de Fedro. Adulto, combateu Epicuro, mas continuou a apreciá-lo como homem. A obra de Lucrécio exerceu influxo sobre Horácio o que o levou a sua célebre frase “carpe diem”. O autor de “Odes Virgílio” também por muito tempo seguiu o epicurismo. Também Sêneca em seu epistolário e em suas máximas, embora professasse o estoicismo, demonstrava profunda admiração pelos ensinamentos de virtude e de moralidade de Epicuro.

2.1 Estoicismo e Epicurismo

                Ambos esforçam-se por proporcionar uma filosofia de vida, seus ideais no campo da ética, realmente não estavam muito distantes um do outro. Os estoicos colimavam como objetivo a autossuficiência a qual devia ser atingida por uma vida consentânea com a natureza, os epicureus ,miravam a tranquilidade, a ataraxia.  A diferença encontramos na base das doutrinas; os estoicos acreditavam numa alma universal regulando todas as coisas; eram panteístas e diziam que uma centelha dessa alma, na vida de cada individuo, constituía ao mesmo tempo toda inspiração e sabedoria que o home pode ter.
                Como já foi dito, os epicuristas pensavam diferente. Tinham uma visão totalmente materialista do universo. Os deuses existem, mas isolados nos intermundos, sem contato e sem relação com o mundo físico para não turbarem a sua bem-aventurança.  A alma é composta de átomos. Nos séculos II e III d.C. temos figuras que mostram sua simpatia pelo filósofo do jardim. Diógnes de Enoanda e Diógenes Laércio o qual nas suas biografias dos filósofos dedica o livro décimo inteiro de sua obra a Epicuro.
O epicurismo sofre com as lutas com os estoicos e com o crescimento do cristianismo. Timócrates um discípulo dissidente espalhou graves calúnias sobre a doutrina do mestre do jardim contribuindo para fortalecer os antiepicureus e o gradativo desaparecimento dos seguidores por volta do séc. IV d.C. Nos tempos de Santo Agostinho (354-430 d.C.) os epicuristas quando citados, os são anedoticamente, somente na Renascença Epicuro começa a ser reabilitado, diversos personagens contribuíram pra isso. Poggio valorizou os textos carolíngios multiplicando-os com várias cópias na metade so século quinze. Posteriormente temos diacronicamente como admiradores críticos de Epicuro: Bayle. La Mettrie, Vico, Voltaire, Kant, Marx, Nietzsche.

3. Crítica a Epicuro

                Para Epicuro filosofia e vida são inseparáveis. Ele centra a sua atenção no ser humano como personalidade que porta um nome. Olha-o na sua singularidade, na sua experiência existencial. Empenha-se em construir uma singularidade, na sua amizade, na troca de experiência existencial. Empenha-se em construir uma filosofia de vida baseada na amizade, na troca de experiências, em reflexões, em celebrações ritualísticas de caráter religioso, na ataraxia, em máximas que servem de leis e motivações para a vida cotidiana. Embora discípulo de Demócrito, torna-se autônomo em sua maneira de conceber o mundo. Seu modo de viver e pensar expressa a busca da felicidade em seu mais alto grau. Em seu jardim todos, sem exclusão de mulheres e escravos ( algo incomum na época), podiam participar. Sua filosofia era a filosofia da liberdade, ou seja, como podemos estudar em tetrafármaco, buscava libertar os homens dos grilhões de superstição, do destino e dos deuses. Sua doutrina arraigada na realidade, na vida cotidiana, nas relações inter-humanas, na busca da felicidade neste mundo dá-nos uma visão de um humanismo imamentista, exclui qualquer transcendência e se mostra niilista.
                Em sua doutrina podemos verificar aspectos negativos que apresentam fortes erros em sua gnosiologia e física. Isso porque sua obra não apresentava argumentos convincentes. Em toda sua doutrina vemos em sua ética seu ponto de vista mais forte, a principal crítica feita com relação a elas se dá sob o aspecto do não envolvimento epicureu na vida da polis, nas discussões políticas da cidade. Quanto ao problema da liberdade e da responsabilidade o qual não deu solução e sua maior falha para muitos foi ter feito do Bem a identificação com a emancipação de qualquer obrigação. Quanto a religião e teologia. Epicuro em seu deísmo representou para a sociedade de sua época o que foi o iluminismo na modernidade.

             REFERÊNCIAS

ULLMAN, R. Aloysio. Epicuro: O Filósofo da Alegria. EDPUCRS. Porto Alegre 2006.

terça-feira, 10 de agosto de 2010

MITO DA CAVERNA


Sócrates - Imaginem homens numa morada subterrânea, em forma de caverna, com uma entrada aberta à luz; esses homens estão aí desde a infância, de pernas e pescoços acorrentados, de modo que não podem mexer-se nem ver nada além do que está em sua frente, pois as correntes os impedem de mexer a cabeça; a luz chega de uma fogueira acesa numa colina que se ergue por detrás deles; entre o fogo e os prisioneiros passa uma estrada. Imagina que ao longo dessa estrada está construído um pequeno muro.
Glauco - Estou imaginando.
Sócrates - Imagina agora, ao longo desse pequeno muro, a sombra de homens que transportam objetos de toda espécie, tais como: estatuetas, animais, pedras, madeiras e toda espécie de matéria; Entre esses transportadores, uns falam e outros seguem em silêncio.
Glauco - Um quadro estranho e estranhos prisioneiros.
Sócrates - Eles são como nós. E, para começar, achas que, numa tal condição, eles tenham alguma vez visto, a si mesmos e seus companheiros?
Glauco - Não, afinal são obrigados a ficar de cabeça imóvel durante toda a vida.
Sócrates - E com as coisas que geram as sombras no muro? Não se passa o mesmo?
Glauco - Sem dúvida.
Sócrates - Portanto, se pudessem falar com os companheiros, não achas que eles iam acreditar que as sombras eram os objetos reais?
Glauco - É bem possível, afinal nunca viram os objetos reais.
Sócrates - Mais do que isso, eles não sabem que existem objetos reais que projetam essas sombras! E para piorar, o eco da caverna faz parecer que os sons vêm das sombras.
Glauco - Por Zeus!
Sócrates - Dessa forma, não estaria toda realidade destes homens, reduzidas a essas sombras?
Glauco - Deste jeito, sim.
Sócrates - imagine agora o que um destes homens se liberta naturalmente e é obrigado a endireitar-se imediatamente, a voltar o pescoço para os lados, a caminhar, a erguer os olhos para a luz em direção aos objetos reais. Claro que ao olhar para a luz sua vista ficará embaça e os objetos reais não pareceriam mais reais que as sombras que via na parede da caverna.
Glauco - Realmente, as coisas pareceriam borrões, tais como as sombras.
Sócrates - Não achas que toda esta luz iria irritar tanto seus olhos, que este homem tentaria voltar sua cabeça novamente para as sombras?
Glauco - Com toda a certeza.
Sócrates - Mas ele foi arrancado misteriosamente da sua caverna, e obrigado a subir a encosta rude e perigosa, se machucando todo, Até chegar a colina donde vinha a forte luz do Sol, não achas que ficaria reclamando de tanta dor e violência ?
Glauco - Claro.
Sócrates - Será que num primeiro momento ele conseguiria reconhecer algum objeto real?
Glauco - Acho que não. Primeiro ele teria que se acostumar com a luz, depois teria que observar bem cada uma das coisas.
Sócrates - Terá, creio eu, necessidade de se habituar a ver os objetos da região superior. Começará por distinguir mais facilmente as sombras, pois já está acostumado com elas; em seguida, as imagens dos homens e dos outros objetos que se refletem nas águas; por último, os próprios objetos. Depois disso, poderá, enfrentando a claridade das estrelas e da Lua, contemplar mais facilmente, durante a noite, os corpos celestes e o próprio céu do que, durante o dia, o Sol e sua luz.
Glauco - Sem dúvida.
Sócrates - Por fim, suponho eu, conseguirá ver o será o sol, e não as suas imagens refletidas nas águas ou em qualquer outra coisa, mas o próprio Sol, no seu verdadeiro lugar, que poderá ver e contemplar tal qual é.
Glauco - bem provável.
Sócrates - Depois disso, poderá concluir, a respeito do Sol, que é ele que está acima de tudo no mundo visível e que, de certa maneira, é a causa de tudo o que ele via com os seus companheiros, na caverna.
Glauco - É evidente que chegará a essa conclusão.
Sócrates - Não achas que após descobrir toda essas maravilhas, este homem (agora livre) não tentaria voltar a seu antigo lar para contar e libertar seus amigos?
Glauco - Sim, com certeza, Sócrates.
Sócrates - E se neste mundo superior, todos fossem sábios e felizes e que mesmos os mais fracos e inocentes vivessem um milhão de vezes melhor que o homem mais poderoso da caverna, não preferia ele viver na colina a seguir sua vida nas correntes da caverna?
Glauco - Não só ele, eu também preferiria viver lá.
Sócrates - Então imagine que esse homem volta à caverna e vai sentar-se no seu antigo lugar: Não ficará com os olhos cegos pela escuridão da caverna ?
Glauco - Certo que sim, afinal isso ocorre quando entramos num local escuro.
Sócrates - Ele teria que entrar em competição com os prisioneiros que não se libertaram de suas correntes e que consideram que as sombras são a verdade. Estando ainda sua vista confusa, pois habituar-se à escuridão exigirá um tempo bastante longo, não fará os outros rirem de sua cara e digam que, tendo ido lá acima, voltou com a vista estragada, e que devido a isso não vale a pena tentar subir até lá?
Glauco - Sem nenhuma dúvida.
Sócrates- Para piorar a situação, este homem seria considerado louco pelos outros, acorrentado e provavelmente ameaçado de morte por supostamente duvidar das crenças existentes na caverna e perturbar a ordem que existia lá.
Glauco- Infelizmente Sócrates... Infelizmente.
Sócrates - Agora, meu caro Glauco, é preciso aplicar, ponto a ponto, este mito da caverna ao mundo que nos cerca. Compare e a luz do fogo que ilumina a caverna como aquilo que sabemos e a força do Sol com o que nos é estranho. Minha opinião é esta: existe um verdadeiro mundo que desconhecemos e que vai muito além daquilo que podemos ver e sentir. Neste mundo a idéia do bem é a última a ser aprendida, e com dificuldade. Não se pode apreendê-la sem concluir que ela é a causa de tudo o que de reto e belo existe em todas as coisas, ou seja, a ideia do bem é o Sol. Por outro lado há o mundo visível, que recebe uma pequena fração desta luz. Este mundo é escuro e dispensa a verdade e a inteligência. Porém só aquele que suporta a dor e sai da caverna conseguem ter uma vida prudente, livre, sábia e verdadeiramente feliz.
Glauco - Concordo com a tua opinião, até onde posso compreendê-la.
(Autor: Platão, Livro: A República, Versão: Fabio Goulart)

TRABALHO DE INTERPRETAÇÃO

1- QUE RELAÇÃO PODEMOS FAZER ENTRE O PRISIONEIRO QUE SE LIBERTOU E O CIDADÃO COMUM QUE APRENDE A FILOSOFIA E A FILOSOFAR?

2- AO CHEGAR A COLINA O PRISIONEIRO RECLAMOU DA DOR E DA LUZ DO SOL. POR QUÊ? QUAIS FORAM AS PRIMEIRAS COISAS QUE RECONHECEU LÁ EM CIMA? POR QUÊ?

3- POR QUE O HOMEM AO RETORNAR A CAVERNA E CONTAR SOBRE A REALIDADE QUE ENCONTROU FOI RIDICULARIZADO, TIDO COMO LOUCO, AMARRADO E AMEAÇADO POR AQUELES QUE VIVIAM NA CAVERNA?

4- O QUE PODEMOS FAZER PARA FUGIR DE NOSSAS CAVERNAS E LIBERTAR AQUELES QUE VIVEM CONOSCO?