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segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

O Rolezinho em Porto Alegre, no Shopping Moinhos, valeu a pena? - O Som da Verdade #20


Hoje faz um ano que foi realizado o Rolezinho em Porto Alegre.

E será que valeu a apena? Qual era o objetivo disso e por qual motivo foi feito?

Para entender esta questão, precisamos lembrar de qual era o objetivo deste evento. Esta mensagem estava no convite do evento:

"A manifestação é apresentada como um apoio ao povo da zona leste de São Paulo e das periferias das grandes cidades de todo o Brasil contra toda forma de opressão aos pobres e negros, em especial contra a brutal e covarde ação diária da polícia militar no Brasil, seja nos shoppings, nas praias ou nas periferias”.

Este Rolezinho, foi um passeio dentro de um shopping com a intenção de fazer uma crítica contra a desigualdade e o racismo. Ocorreu inclusive, uma combinação com o Shopping, com a polícia militar e EPTC, antes de tudo ocorrer. Todos os cuidados prévios, foram tomados antes do evento para uma correta organização.

Obviamente, mesmo combinando e programando o evento com o Shopping, eles solicitaram, sem avisar aos organizadores, uma liminar para impedir a entrada do "Rolezinho" no Shopping Moinhos, o que foi negado pela juíza responsável. Entretanto, ela concedeu uma liminar para casos de vandalismo, no valor R$150.000,00 caso ocorresse.

Centenas de críticas foram realizadas antes, durante e depois da manifestação. Na maioria dos casos apenas julgando os participantes, com adjetivos criativos. A ofensa e até mesmo a ameaça, tornaram-se parte da minha rotina, pois apesar de termos total liberdade de criar um ato como este, existem pessoas que se irritam a ponto de organizar uma vingança, seja virtual, ou pessoal e não raro, são as que mais clamam por "democracia e justiça" (individual, claro) em nosso país.

Defendem a vingança, justiça com as próprias mãos, mas não reconhecem o ato de protestar pacificamente, a não ser que elas façam isso, aí é totalmente válido.

No dia do evento, apesar de bem recebidos pela polícia, tivemos a surpresa da liminar, uma entrevista coletiva com a imprensa, cara feia dos seguranças, o relato do conselheiro tutelar Cristiano Pinto, dizendo que o Conselho recebeu telefonemas com tom de racismo e preconceito, vitrines de joalherias vazias e muitas lojas até fechadas. Tudo isso, pelo medo. O que comprovou que as muitos tinham plena certeza de que ocorreriam atos horríveis aquele dia.

Cerca de quatrocentas pessoas confirmaram o evento, que foi denunciado e deletado por duas vezes no Facebook. Foi incrível a repercussão midiática e o forte aparato de seguranças montado simples fato de um passeio de não mais de 70 jovens de periferia em tal estabelecimento (desde o início esperávamos entre e 50 e 100 jovens devido ao terror social espalhado e ao difícil acesso deste estabelecimento em relação aos bairros mais pobres da capital).

Nosso grupo era montado por jovens de periferia, estudantes universitários, professores, pela UJS (que aderiu a este movimento de maneira, pois não tínhamos qualquer ligação), advogados, conselheiros tutelares, e até por moradores da nobre região que apoiaram o grupo. Tudo que fizemos foi passear, olhar, lojas, consumir sorvete e refrigerante na praça de alimentação, conversar e se divertir.

Apesar disso tudo, tivemos mais jornalistas do que participantes (Para tristeza de alguns que adorariam ver violência, quebradeira e sangue). O evento em si, foi um sucesso. Como não aconteceu nenhum caso de vandalismo, ou violência, nem ofensa, o processo foi cancelado pela administração do estabelecimento em comum acordo com a organização do Rolezinho.

Claro que quem julgou e não apoio desde o início, criticou dizendo que não atingimos nosso objetivo. Mas a mensagem era a crítica e isso foi feito. Nunca foi nossa intenção quebrar nada, nem gerar nenhum tipo de prejuízo, pelo contrário, consumimos lá dentro. Queríamos mostrar a reação das pessoas quando jovens pobres entram em um Shopping, em um bairro nobre de Porto Alegre e nossas suspeitas se mostraram totalmente verdadeiras.

Muitas pessoas deram entrevistas dizendo que aquilo era inadmissível, que estavam retirando o espaço dos demais - espaço este que mesmo em um estabelecimento privado, permite acesso público - e que deveria ser reprimido pela polícia e impedimento judicialmente. Ameaças, julgamentos, suposições, deduções e até uma "vidência sarcástica", isso tudo foi desmentido não só por nós, mas pela polícia que negou enviar policiais para prevenir crimes que ainda não haviam ocorrido e até mesmo pela justiça, que não impediu a entrada de ninguém, pois a mesma é e deve ser pública, sem poder controlar o acesso de pessoas.

Por fim, isso tudo ocorreu devido a criminalização de grupos de pessoas - jovens -, onde várias generalizações foram feitas e o preconceito foi grande. Nós mostramos que não somente é possível organizar um protesto pacífico em qualquer lugar, como entregamos nossa crítica e passamos a mensagem para os demais organizadores de Rolezinhos que eles poderiam, se quisessem, organizar melhor estes eventos. Posteriormente, pretendíamos continuar com novos eventos culturais em outros locais, mas infelizmente a ideia não foi mantida, por vários motivos. Entre eles uma guerra ideológica que começou como reclamação em janeiro do ano passado e teve seu crescimento durante as eleições. Onde pessoas só visualizam tudo a partir de dois pontos e muitas vezes pretendem dividir o país desta forma.

É muito importante repensar esta crítica hoje. O pensamento egoísta e individualista e negativista, infelizmente se faz mais presente e mais forte todos os dias em nosso país. Precisamos reconsiderar isso e tentar entender melhor os motivos de tanta generalização, preconceito e visão acrítica por qualquer fato cotidiano. Essa foi e continua sendo a mensagem principal disso tudo.



Assista a reportagem sobre o Rolezinho em Porto Alegre:




 Veja abaixo os links das principais reportagens do fato no ano passado:

http://jcrs.uol.com.br/site/noticia.php?codn=151884

http://www.correiodopovo.com.br/Noticias/?Noticia=516549

http://noticias.terra.com.br/brasil/cidades/rolezinho-politico-em-shopping-tem-muita-seguranca-e-pouca-diversao,5f4ef498a9ca3410VgnVCM5000009ccceb0aRCRD.html

http://noticias.band.uol.com.br/cidades/rs/noticia/100000657975/Organizadores-do-Rolezinho-da-capital-prometem-manifestacao-pacifica.html

http://www.radioguaiba.com.br/Noticias/?Noticia=514948

http://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2014/01/1399935-rolezinho-no-rs-tem-funk-em-praca-de-alimentacao-apesar-de-liminar.shtml

http://polibiobraga.blogspot.com.br/2014/01/brigada-seguranca-privada-e-oficial-de.html

http://www.jornaldelondrina.com.br/brasil/conteudo.phtml?tl=1&id=1440932&tit=rolezinho-no-rs-tem-funk-em-praca-de-alimentacao

http://www.jcnet.com.br/Nacional/2014/01/rio-e-porto-alegre-tem-rolezinhos.html

http://www.youtube.com/watch?v=hhxPG_eGr8c

http://www.filosofiahoje.com/2014/01/rolezinhos-porto-alegre.html

http://ultimosegundo.ig.com.br/brasil/2014-01-18/rolezinho-se-expande-pelo-pais-com-carater-de-protesto.html

http://noticias.band.uol.com.br/cidades/rs/noticia/100000657803/e-marcado-rolezinho-com-refri-e-pao-com-mortadela-em-porto-alegre.html

http://www.opovo.com.br/app/opovo/brasil/2014/01/20/noticiasjornalbrasil,3193488/shoppings-fecham-mas-rolezinhos-sao-mantidos.shtml 

http://jcrs.uol.com.br/site/noticia.php?codn=151829

http://www.rondoinformacao.com.br/nacional/7181-rolezinho-com-refri-e-pao-com-mortadela.html

http://www.estadao.com.br/noticias/cidades,rolezinho-nao-e-caso-de-policia-diz-ministra-dos-direitos-humanos,1119798,0.htm

http://www.jornalfloresta.com.br/index.php/noticias-2/geral/1153-porto-alegre-tem-tres-rolezinhos-marcados

http://maurenmotta.com.br/noticias/comportamento/rolezinho-chega-a-porto-alegre/

http://www.jb.com.br/pais/noticias/2014/01/16/carvalho-acao-da-policia-em-rolezinhos-pode-colocar-gasolina-no-fogo/

http://www.filosofiahoje.com/2014/01/o-rolezinho-o-som-da-verdade-17.html

Autor: Fábio Fleck (Filosofia Hoje)

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quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

Wikipédia, é uma fonte confiável? - O Som da Verdade #19


A Wikipédia, é um projeto livre, da fundação Wikimedia, criado em 2001 por Jimmy Wales e Larry Sanger. Trata-se de uma coleção de muitas páginas interligadas (em cerca de 232 línguas) e cada uma delas construída de maneira coletiva sob a licença GNU (open source). O nome surgiu do termo wiki wiki, que quer dizer: rápido, ou veloz na língua havaiana.

Um assunto que sempre retorna as nossas conversas, é se a Wikipédia é confiável ou não. Seja na mesa do bar, ou na universidade, trata-se de uma dúvida recorrente.

Muitas vezes respondi esta dúvida simples, dizendo que assim como qualquer outro portal aberto para livre colaboração online, lá haviam várias regras a serem seguidas, bem como administradores responsáveis por fiscalizar e revisar conteúdos, denúncias e até vandalismos virtuais. Ou seja, não era tão simples como o clichê ouvido por aí: "Não é confiável, pois qualquer um pode editar".

Claro. Sabemos que "não é bem assim" pra alterar um conteúdo na página, ou pelo menos não era. Existem muitas regras, como podemos visualizar através deste link:

Todos podem publicar conteúdo on-line desde que sigam as regras básicas estabelecidas pela comunidade, como por exemplo a verificabilidade do conteúdo ou notoriedade do tema. Dentre as diversas páginas de ajuda à disposição dos editores, estão as que explicam como criar, editar um artigo ou inserir uma imagem. A Wikipédia é uma "enciclopédia livre", onde qualquer internauta disposto a compartilhar informações pode fazer suas contribuições. É possível criar verbetes relativos a qualquer área de conhecimento.

Muitas pessoas questionam inclusive o termo enciclopédia usado pelo portal, para designar este projeto, pois acaba implicando certa responsabilidade que ela não tem, ou mesmo não pode garantir. Segundo as regras da Wikipédia, todas as informações contidas nos conteúdos precisam ser embasadas em fontes confiáveis, mas é aí que pode começar o problema. Quais fontes são confiáveis? De que maneira é feita a revisão e que critérios seus administradores utilizam para eventuais correções? Muitas vezes podemos notar que as regras valem para alguns artigos e para outros não!

A própria Wikipédia admite que ela não deve ser utilizada como fonte primária de investigação. Além disso, na sua seção “About Wikipédia”, ela adverte que os “utilizadores devem estar cientes de que nem todos os artigos têm a qualidade de uma enciclopédia, podendo conter informação falsa ou controversa”.

Um dos fundadores da Wikipédia: Larry Sanger, também já disse que ela não é muito confiável. Para exemplificar, ele citou que há muita dificuldade na gestão de conteúdo e que já ocorreram uma série de escândalos por lá, entre estes, podemos citar uma guerrinha de funcionários da Apple e da Microsoft, um mudando artigos da empresa do outro.

É inegável que o projeto é muito bom e que já contribuiu muito com o conhecimento na internet, trouxe inclusão e acessibilidade de informações, é um dos dez sites mais visitados do mundo e contém mais de 6 milhões de verbetes e definições, porém a imprecisão e o método utilizado para edição de conteúdos, são os principais problemas da Wikipédia e um dos fatores que levaram a um dos fundadores abandonar o projeto.

Ele criou o site Citizendium, que ainda é realizado com contribuições dos usuários mas, esclarece Sanger, o diferencial é a constante monitoração feita por um grupo de especialistas e professores universitários, o que realmente faz toda a diferença.

Seguem abaixo os principais fatores para não se confiar na Wikipédia:

- Falta de verificação dos fatos sobre temas especializados;
- Parcialidade e conflitos de interesse;
- Disputas científicas e políticas;
- Exposição a agentes e advogados políticos;
- Patrulhamento ou higienização de artigos;
- Edição por recompensas financeiras;
- Conflitos envolvendo criadores de políticas do site;
- Tendenciosidade sistêmica;
- Tendenciosidade liberal (inclinações ideológicas);
- Anonimato dos editores;
- Nível do debate, guerras de edição, guerras de ofensas e assédio;
- Expansão da autoridade de administrador e abusos;
- O número de editores ativos na Wikipédia não tem crescido;
- A contribuição por parte de colaboradores ocasionais tornou-se mais complicada.

Fatos no Brasil:

É bom relembrar alguns casos recentes de pessoas que tiveram problemas com seus perfis na Wikipédia:

1) A rede de internet do Palácio do Planalto foi usada para alterar os perfis, no site Wikipédia, dos jornalistas Carlos Alberto Sardenberg e Miriam Leitão. Veja aqui mais informações sobre o caso.

2) Várias alterações incorretas foram feitas na biografia de Juremir Machado Jornalista gaúcho. Veja aqui mais informações sobre o caso.

3) Várias alterações negativas foram realizadas no perfil biográfico do ministro Gilmar Mendes. Veja aqui mais informações sobre o caso.

4) O perfil biográfico do Filósofo Paulo Ghiraldelli, foi apagado da Wikipédia após votação interna de alguns wikipedistas, onde o motivo alegado é plenamente pessoal e que fica evidente ao ler os argumentos. Veja aqui mais informações sobre o caso.


O que todos estes casos acima têm em comum? Simples: Motivos ideológicos.

Infelizmente, a Wikipédia não é mais uma fonte confiável.

E por fim, para que haja o devido destaque, os editores que possuem as famas mais negativas na Wikipédia e inclusive envolvimento nos casos citados acima, são:

Yanguas, que se diz Jornalista e Chico Venâncio. Basta fazer uma rápida pesquisa na internet para saber e constatar suas inclinações ideológicas em suas edições.


Autor: Fábio Fleck (Filosofia Hoje)

sábado, 18 de janeiro de 2014

O Rolezinho - O Som da Verdade #17



Olá! Minha coluna O Som da Verdade de hoje, será diferente.

Hoje vou abordar o assunto: "Rolezinho", este tema vem sendo noticiado a algum tempo, nos principais jornais, portais e nas redes sociais e por este motivo resolvemos tratá-lo por aqui.

Primeiramente, é necessário que você entenda como isso começou, então segue um breve resumo:
Desde o fim de 2013, jovens têm organizado encontros pelas redes sociais, principalmente, em shoppings da capital paulista e da Grande São Paulo. Os eventos ficaram conhecidos como "rolezinhos". A primeira iniciativa a ganhar repercussão aconteceu no Shopping Metrô Itaquera, Zona Leste de São Paulo, em 8 dezembro.  Algumas lojas fecharam com medo de saques e o centro comercial encerrou o expediente mais cedo.

Este tipo de encontro em lugares públicos-privados não é propriamente uma novidade em São Paulo. 
E não começaram especificamente no ano passado. Ocorreram mais eventos deste tipo, como você pode ver em: http://g1.globo.com/sao-paulo/noticia/2014/01/conheca-historia-dos-rolezinhos-em-sao-paulo.html
 
Os passeios romperam a fronteira paulistana. Em Porto Alegre, há dois eventos sendo convocados por meio Facebook: no Shopping Moinhos, no próximo domingo, e no Barra Shopping, em 1º de fevereiro.
Resolvemos entrevistar os organizadores do evento Marcia Santos (Organizador do evento no Shopping Moinhos) e Luana Mendonça (Organizadora do Shopping Praia de Belas).

Por uma questão de receio quanto a retaliações por parte das autoridades e pessoas contrárias ao evento, os organizadores do evento, me pediram ajuda na divulgação, cobertura e organização e estou auxiliando e acompanhando, para evitar atos violentos.

Segue a entrevista:

1) Márcio. O que você acha sobre o que aconteceu nos "Rolezinhos" em SP? Qual sua opinião sobre o assunto? Rolezinhos acontecem desde a década de 80, 90, quando os shoppings se proliferaram pelas cidades brasileiras. O espaço sempre foi de lazer. Eu, por exemplo, fumei o meu primeiro cigarro dentro de um shopping.  Hoje não fumo mais e é proibido fumar em lugares fechados. Muita coisa mudou. O que piorou foi a educação no país. Chegou num ponto que o jovem da periferia é tão viciado no funk, que ele não respeita mais quem está do seu lado. Ele leva seu som para dentro do metrô, do trem e do shopping. Alguns se transformaram em vândalos. O grande problema é que nem todos são vândalos. E a PM truculenta e sem educação também, impediu a entrada desses jovens de maneira violenta, na maioria negros e pardos, de entrar nestes estabelecimentos comercias. Aí surgiu o problema. 

2) Por qual motivo você acha que algumas pessoas "abraçaram esta causa" que ocorreu em SP, assim como você está fazendo? Acredito que os protestos realizados em junho não foram suficientes para sanar os anseios imediatos dos brasileiros. Estamos no ano da Copa do Mundo, muito dinheiro está circulando, muita corrupção está acontecendo. A inflação está sendo ocultada, os alimentos, serviços, impostos estão muito caros e ninguém está satisfeito com a atual política econômica do país. Assim como o preço da passagem no ano passado, o problema racial agora parece ser estopim do desconforto da população.

3) Tem pessoas que não sabem.O que é "Rolezinho" e qual o significado disso? Em São Paulo ir pra balada também pode ser definido como "dar um rolê". Os rolezinhos nos shoppings são momentos lazer dos jovens da periferia. Eles andam em turmas, escutam funk, namoram, paqueram. O que todo mundo já fez ou faz quando estava na idade deles. A diferença está nos novos hábitos desses jovens que se proliferaram, ganham seus salários, vivem ouvindo funk ostentação, e querem consumir em shoppings. Só que eles não se separam de suas caixas de som e causou o problema.

4) Por qual motivo você decidiu fazer isso em Porto Alegre? Eu vi que no Rio de Janeiro vai acontecer o evento no mesmo dia e horário que marquei aqui. Assim como lá, decidi apoiar a causa do racismo e da desigualdade. Acho que o país é um só, não somos um outro país. A causa lá e aqui é a mesma. O racismo aqui é bem pior que em São Paulo.

5) A principal preocupação das pessoas Márcio, é com a segurança. Como vocês estão tratando, programando este "rolezinho"? Como será no quesito segurança? Hoje vamos conversar com administração do Moinhos Shopping e definiremos se ocorrerá dentro ou fora do estabelecimento. Se for dentro, o shopping tem seus próprios seguranças. Se for fora, avisaremos a Brigada Militar sobre o ato.

6) Como será organizado, será dentro, fora, do Shopping? Queremos entrar. O encontro inicial será fora. Depois vamos percorrer os corredores do shopping até a praça de alimentação, civilizadamente, e faremos uma espécie de pic nic nas mesas do local. 

7) O que mais as pessoas perguntam é: Para que fazer isso? o que você pensa sobre isso? Qual o propósito deste evento? Qual o efeito prático disso? O propósito, o motivo é um só: apoio aos jovens pobres e negros do país. Eu penso que protestar é cultura de países de primeiro mundo, aqui estamos em desenvolvimento, e as pessoas estão se acostumando com estes eventos. E por isso existem muitas dúvidas.

8) O que será feito lá no Moinhos efetivamente? O que vocês farão lá no local fisicamente? Vamos nos encontrar na rua, percorrer os corredores, assim como são os rolês. Iremos até a praça de alimentação e, num ato simbólico, será distribuído pão com mortadela. O ideal é que os pobres e negros se sintam a vontade e sejam bem vindos no shopping. Assim como deve ser em qualquer lugar.

9) Temos visto várias pessoas indignadas com estes Rolezinhos, dizem que há violência, arrastão, roubo, música alta, baderna, etc. O que você pensa sobre isso? E nós, teremos alguma destas coisas aqui em Porto Alegre? Como será?  Eu acredito que num futuro próximo não será diferente a introdução de pobres, negros e pardos que gostam de funk ocuparem espaços que antes não ocupavam. O país está num processo de mudanças sociais. No ato programado pra domingo não queremos violência, arrastão e musica alta. Queremos um rolê civilizado. É preciso deixar claro que pobre e negro pode sim ter educação. É preciso deixar claro também que o país precisa urgentemente de investimento na educação já que esse tipo de problema acontece numa cidade grande como São Paulo. 

10) Você acha que existe preconceito racial, social, cultural? E Contra o Funk? Existe sim e não só no Brasil. Mesmo nos Estados Unidos, que já elegeu um presidente negro, existe. E talvez sempre vá existir. O que não pode acontecer é violar os direitos dessas pessoas. Em relação ao funk também existe ojeriza. E não deveria, pois o funk ouvido por estes jovens é genuíno, brasileiro. É a nossa cara. Infelizmente. O que podemos fazer agora é cobrar dos governantes, nossos representantes políticos, investimento na educação, e acreditar que, assim, a qualidade dessa música melhore.

Autor: (Crítico Social Fábio Fleck Filosofia Hoje)

segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

Segurança pública: O Maranhão e o sistema prisional brasileiro - O Som da Verdade #16





Se o Brasil melhorou em tantos aspectos, em um precisamos perguntar se alguma medida efetiva foi tomada, em anos: Segurança Pública.


Um dos piores crimes é a violência do desprezo.


Nesta modalidade o Brasil é campeão. Não existe democracia quando alguém esta acima das leis e aqui muitos ainda estão, principalmente alguns políticos.

As cenas de decapitação, assassinato da menina em um ônibus incendiado, as desculpas da governadora do Maranhão, tudo isso mostra a incapacidade de certos políticos de lidar com a situação.

 São quase cinquenta anos mandando no estado, com índices alarmantes. Se hoje o Brasil tem 28% de trabalhadores sem carteira assinada, o índice maranhense supera os surreais 50%.

Dez dos quinze municípios brasileiros com as menores rendas, segundo o IBGE, encontram-se lá e apenas 6% da população estão em cursos superiores.

A Família Sarney dá nome a 161 escolas, no interior e na capital.

Há maternidades Marly Sarney (mulher dele), o Fórum Desembargador Sarney Costa, a Ponte José Sarney, a Rodoviária Kiola Sarney (mãe dele), a Avenida José Sarney, o Tribunal de Contas Roseana Sarney e o Fórum Trabalhista José Sarney.

O coronelismo desses chefes de Capitanias Hereditárias faz isso: miséria. Não se investe em nada que dê autoestima a esse povo. Sim. Pois o que mudou do Coronelismo, para cá? NADA!

A família Sarney, é a dona do Maranhão, tentam negar, mas são. 

Enquanto muitos passam fome, no ESTADO MAIS POBRE DOBRASIL e outros criticam os poucos programas sociais, como o Bols Família, taxando de: "COISA DE VAGABUNDO", para muitos lá, que nem água limpa tem, pode ser o único recurso. 

Já o governo do Maranhão deve gastar R$ 1 milhão para abastecer as geladeiras da residência oficial e da casa de praia da governadora Roseana Sarney neste ano. As licitações para compra de 80 quilos de lagosta fresca, uma tonelada e meia de camarão, 750 quilos de patinha de caranguejo, duas toneladas de peixe e mais de cinco toneladas de carne bovina e suína serão feitas, bem diferente da realidade do MA. Bom hein? REIS DO CAMAROTE!

Os 47 anos de história do Sarneísmo no Maranhão, são ilustrados pelos meios de comunicação os quais eles são os donos e desta maneira, continuam no poder. 

A desestruturação do sistema prisional brasileiro traz o descrédito da prevenção e da reabilitação do condenado. 

Nesse sentido, a sociedade brasileira encontra-se em momento de extrema perplexidade em face do paradoxo que é o atual sistema carcerário brasileiro, pois de um lado temos o acentuado avanço da violência, o clamor pelo recrudescimento de pena e, do outro lado, a superpopulação prisional e as nefastas mazelas carcerárias. 

A população carcerária mais que dobrou nos últimos dez anos. Foi de 233 mil presos, em 2000, para 496 mil no ano passado - um salto de 113%. Segundo dados do DEPEN (Departamento Penitenciário Nacional), do Ministério da Justiça, só entre 2000 e 2005, a quantidade de presos subiu 55%, somando 361 mil.

A situação das penitenciárias atualmente no Brasil é calamitosa, cadeias e presídios superlotados, em condições degradantes e esse contexto afeta TODA a sociedade que recebe os indivíduos que saem desses locais da mesma forma como entraram ou piores.

Nesse contexto cresce a importância da adoção de políticas que efetivamente promovam a recuperação do detento no convívio social e tendo por ferramenta básica a Lei de Execução Penal e seus dois eixos: punir e “ressocializar”. Caso contrário, persistirá o triste espetáculo do “faz de contas”, com repercussão da reincidência e desprestígio das normas legais referidas.

Roseana deixará governo do Maranhão em abril para disputar uma vaga no Senado e garantir a permanência da família no poder, o que obrigará o Estado a fazer uma nova eleição para escolha do sucessor dela até janeiro de 2015.


Vídeo interessante: http://folhamaranhao.com.br/video/maranhao/tv-globo-mostra-pobreza-no-ma-11.html

ESTADO MAIS POBRE DO BRASIL: http://lista10.org/diversos/os-10-estados-com-mais-e-menos-pobres-do-brasil/

Gastos de R$ 1 milhão do governo do Maranhão: http://zerohora.clicrbs.com.br/rs/politica/noticia/2014/01/governo-do-maranhao-vai-gastar-r-1-milhao-para-alimentar-familia-sarney-4384288.html

Meios de Comunicação dos Sarney: http://www.mc.gov.br/images/dados-sobre-outorgas/Relao_de_Scios_e_Diretores_por_Entidade.pdf

Eles são os donos de várias empresas de comunicação: http://www.direitoacomunicacao.org.br/content.php?option=com_content&task=view&id=4745

Roseana deixará governo do Maranhão: http://ultimosegundo.ig.com.br/politica/2014-01-10/roseana-renuncia-governo-do-maranhao-em-abril-e-tenta-o-senado.html


Autor: Fábio Fleck

quinta-feira, 29 de agosto de 2013

A Maldição de Cuba - O Som da Verdade #14



O Ministério da saúde assinou um acordo com a Organização Pan-americana de Saúde, para a contratação emergencial de médicos, neste caso 4 mil cubanos.

Esta medida, nada mais é do que aquela “resposta” prometida aos protestos deste ano pelo Governo Federal que visa levar médicos para as áreas mais pobres do país, situadas principalmente entre as regiões Norte e Nordeste.

É obvio que esta medida por si só, não resolve muita coisa, pois o investimento em equipamentos, hospitais e recursos básicos, precisam acompanhar estes programas do governo, mas é vergonhoso ver críticas na contramão da razoabilidade e bom senso.

Mesmo depois de muitos anos, o Brasil ainda sustenta aquela velha visão aristocrata inútil em muitas pessoas. Privilégios, influência política, vestimenta e locais exclusivos, ditadores das “regras” de tudo no país. Nobres Fidalgos em seus palácios.

A opinião da Jornalista Micheline Borges, infelizmente também é o pensamento de muitos brasileiros, que costumam olhar as pessoas de cima para baixo, julgando as aparências e como sempre, querendo negar direitos e rotular pessoas e profissões.

Vivem em um mundo, onde a “aparência é tudo”. Onde a roupa que a pessoa está usando é mais importante do que o trabalho e competência e onde a “cara da pessoa” é o principal.

Este é um “mundo” preocupante, pois todos nós deveríamos ser “parecidos”, como humanos que somos, mas também "diferentes" como humanos que somos .
Não há como ficar indiferente com este tipo de situação, que mais uma vez nos é apresentada.

“Me perdoem se for preconceito, mas essas médicas cubanas têm uma cara de empregada doméstica. Será que são médicas mesmo? Afe, que terrível. Médico, geralmente, tem postura, tem cara de médico, se impõem a partir da aparência... coitada da nossa população. Será que eles entendem de dengue? E febre amarela? Deus proteja o nosso povo”, Foi a declaração postada por Micheline no Facebook, o que gerou uma séria de discussões na internet, fazendo ela excluir suas contas em todas as redes sociais.

Quando será que esta Mentalidade-Micheline acabará? E Será que acabará?

Autor: Fábio Fleck


quarta-feira, 10 de julho de 2013

Protestos, espírito do tempo e espírito do povo: mediação - Opinião Filosófica #4

     
     O filósofo G. W. F. Hegel elaborou dois conceitos para compreender os movimentos da
história: Zeitgeist (espírito do tempo) e Volksgeist (espírito do povo). Ele pensa o seu tempo,
conforme a estrutura lógico-conceitual, cuja expressão resulta na auto-organização e auto-
diferenciação da realidade histórico-cultural do povo alemão, no século XIX, que é desafiado a
elaborar a Constituição. Por isso a resposta à pergunta: Quem deve fazer a Constituição, encontra
na relação dialética entre o espírito do povo e o espírito do tempo o seu sentido. Hegel critica no que
diz respeito à elaboração da Constituição, tanto o revolucionarismo daqueles que desejam impor
constituições de fora, bem como o tradicionalismo dos que defendem um Estado estamental, que
impede o avanço para o Estado constitucional. A Constituição é algo que se desenvolve no tempo,
portanto, não é algo extraído da cabeça de um soberano. Daí a insistência hegeliana que todo o
povo tem a Constituição que lhe é apropriada. Hegel valoriza a história, o espírito do povo
(Volksgeist) e o espírito do tempo (Zeitgeist). Aquilo que corresponde ao espírito do povo pode não
coincidir com o espírito do tempo e vice-versa. Pois em determinados períodos históricos, sobretudo
em épocas de crise, em que ocorrem as grandes transformações, as acelerações da história, a
adequação ao espírito do tempo precede e faz avançar o espírito do povo. Ou seja, na filosofia da
história hegeliana, o espírito do povo representa o princípio da continuidade, e o espírito do tempo
encarna o princípio da mudança (cf. BOBBIO, N. Estudos sobre Hegel: Direito, Sociedade Civil.
1991, p. 108). A razão hegeliana não se sobrepõe à história, mas também não se limita a justificá-la,
daí a dialética entre o espírito do povo e o espírito do tempo. Essa dialética dá-se nos protestos.

     Os recentes protestos que se espraiaram nas redes sociais, nas ruas e praças do espaço
geográfico-virtual do Brasil introduzem perguntas em várias esferas: Como organizar os eixos das
demandas sócio-econômico-políticas: Transporte, educação, saúde, moradia, reforma política,
democratização da mídia, polícia, copa e grandes eventos, minorias e direitos humanos, meio
ambiente e cultura? Como garantir o espaço de discussão e deliberação das demandas e propostas
das assembleias e organizações civis para o agenciamento das mediações da democracia direta e
representativa? Como elaborar uma reflexão teórico-prática da epistemologia em rede, influenciando
a teoria da agenda e, implicando uma nova opinião pública?

     Os protestos brasileiros manifestam o desenvolvimento da trajetória da instituição das redes
sociais, de novas agendas e uma nova opinião pública, através de novos atores e cidadãos,
articulando na plasticidade das figurações institucionais a dialética do espírito do povo, do espírito
do tempo e do espírito do mundo: Um espírito de insurreição de massas humanas alastra-se pelo
mundo todo, ocupando as ruas e as praças. Primeiro, foi no norte da África, depois na Espanha com
os "indignados”, na Inglaterra e nos USA com os "occupies” e, agora, no Brasil com a juventude e
movimentos sociais. Esses movimentos afirmam as grandes conquistas da humanidade, carregadas
historicamente pelo espírito de um povo, na novidade de cada figuração histórica, apresentando, as
inovações teórico-práticas do espírito de seu tempo expressas pela opinião.

     A opinião pública caracteriza-se pela impaciência, querendo, imediatamente a realização
dos seus direitos. A opinião não suporta a lentidão da paciência do conceito e o longo processo de
efetivação de suas determinações históricas. Pois, a opinião contém em si a força da contradição e
a reserva da indignação ética, mudando toda situação que não corresponde tanto aos interesses
particulares, como aos interesses universais.  Porém, a opinião pública necessita de mediações.

(Filósofo Dr. Agemir Bavaresco)
  


sexta-feira, 31 de maio de 2013

TARTARUGA, MOVIMENTO E VERDADE - Opinião Filosófica #3


Autor: Dr.Agemir Bavaresco 

Um dos célebres paradoxos da história da filosofia é aquele que conta a história do herói grego Aquiles e da tartaruga. Conta-se que Aquiles, disputando uma corrida com uma tartaruga, resolveu dar a ela uma pequena vantagem, deixando que o bicho partisse alguns centímetros à sua frente. Segundo Zenão, por mais rápido que Aquiles se movesse, ele jamais conseguiria ultrapassar a tartaruga, ou seja, cada vez que Aquiles percorre determinada distância num espaço de tempo, a tartaruga já percorreu uma outra distância. Se Aquiles se movimentar mais um tanto para alcançar a tartaruga, terá que se defrontar com o fato de que a tartaruga já terá percorrido mais um tanto, por menor que seja. Esse fato se repetirá indefinidamente. Por mais que Aquiles corra, sempre haverá um espaço a separá-lo da tartaruga. A conclusão de Zenão contraria o senso comum, que aponta para uma vitória evidente de Aquiles. Aquiles nunca pode alcançar a tartaruga; porque na altura em que atinge o ponto donde a tartaruga partiu, ela ter-se-á deslocado para outro ponto; na altura em que alcança esse segundo ponto, ela ter-se-á deslocado de novo; e assim sucessivamente, ao infinito. O que ele queria era demonstrar que o movimento dos objetos é um fenômeno contraditório, em que o sujeito não consegue aprende-los em seu movimento.

Com este paradoxo, afirma Žižek, Zenão quer refutar a hipótese do movimento e da existência do Múltiplo e demonstrar a existência do Um e do Ser imutável. Como não reconhecer, nessa relação paradoxal do sujeito com o objeto, nosso desejo de apreender incessantemente o objeto sem poder apreende-lo? Afirma Lacan, o objeto é inacessível, não porque Aquiles não possa ultrapassar a tartaruga, mas porque não pode unir-se a ela. Uma leitura desse paradoxo de Zenão pode ser a do objeto do desejo que nos escapa face à nossa aproximação. Este é o movimento incessante do desejo. Sempre aberto a novos desejos e a corrida do ser humano continua incessantemente no movimento da busca da verdade!

A passagem dialética para a verdade de um objeto implica, portanto, a experiência de sua perda: o objeto, como um dado fixo, dissolve-se na rede das mediações. A “verdade” dialética de um objeto consiste na rede de suas mediações e na perda do objeto. Apreendemos como "verdade" do Ser dos eleatas, a dialética entre a inexistência de movimento e a autodissolução do movimento, perde-se, então, "o Ser" como entidade existente em si. No lugar do Ser, como ponto de apoio fixo, idêntico a si, resta apenas o turbilhão dialético, sem fundo, da autodissolução do movimento (Heráclito), processo tomado, antes, como um objeto externo, ou seja, o Ser imóvel (Parmênides). Então, Heráclito será a "verdade" de Parmênides.

Referência
Cf. ŽIŽEK, Slavoj. O mais sublime dos histéricos: Hegel com Lacan. Jorge Zahar, Rio de Janeiro, 1996, p. 11-29.

terça-feira, 16 de abril de 2013

MANIPULAÇÃO NA MÍDIA TRADICIONAL E NA REDE SOCIAL - Opinião Filosófica #2


Autor: Dr. Agemir Bavaresco

            O que influencia ou forma a opinião pública? O que faz com que as pessoas pensem determinados temas e deixem de lado outros? Conforme a Agenda Setting, teoria elaborada por Maxwell McCombs, a pauta das conversas e debates é provocada pelos jornais, televisão e rádio (meios tradicionais). Esses meios têm a força de mudar a realidade social, ou seja, informam os fatos a serem pensados ou debatidos pelo público. Eles estabelecem a pauta dos assuntos e o seu conteúdo em nível local, nacional e internacional.
Porém, em face da agenda da mídia tradicional surge a agenda das redes sociais: A internet e as redes sociais permitem que os cidadãos expressem opiniões e interesses, sem o filtro dos meios de comunicação tradicionais. Através das redes sociais muitas pautas foram estabelecidas, protestos e insurreições foram organizados. A esfera pública encontrou nas novas tecnologias uma forma de expressão direta de sua opinião, a tal ponto que alguns especialistas constatam um novo fenômeno: a formação de uma nova opinião pública.

De um lado, temos a opinião pública tradicional, agendada pelos meios de comunicação tradicionais e controlada por interesses privados e pelas regulações e poderes estatais. De outro, a nova opinião pública diferenciada pela participação inclusiva, pela autonomia, velocidade e transparência, que tem como agentes os cidadãos protagonistas e descentralizados, com mobilidade instantânea e articulados em redes sociais. 
A esfera pública foi transformada pela internet que alterou o ecossistema comunicacional, criando uma nova opinião pública. O sociólogo Manuel Castells chama este fenômeno de AUTOCOMUNICAÇÃO DE MASSAS. Às ações coletivas em rede, como a construção colaborativa da Wikipédia, juntam-se milhares de pequenas comunidades que desenvolvem expressões de inteligência coletiva, articulando uma esfera pública autônoma e em rede.

Por isso, o controle da opinião pública, pautado pela agenda tradicional está sendo mudado pela agenda das redes sociais. As grandes corporações e agências internacionais de comunicação que detêm o poder de disseminar sua versão dos fatos e de estabelecer a agenda pública confronta-se com a agenda das redes sociais que expressam opiniões opostas, instaurando uma opinião pública contraditória com força de expressão plural e ação democrática. 

segunda-feira, 8 de abril de 2013

Marco Feliciano Presidente da CDHM - O Som da Verdade #13



Desde que o Deputado Federal Sr. Marco Feliciano assumiu a presidência da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara dos Deputados, não houve sequer um momento até agora, o qual qualquer um dentro da comissão pudesse trabalhar.

Assim que noticiada a posse do Pastor Marco Feliciano, o mesmo recebeu incessantes críticas e todo tipo de protesto foi instaurado dentro e fora das bancadas e na Câmara.

Todo este “estardalhaço” tem um motivo especial, que são as declarações que o atual presidente da CDHM fez em sua conta no Twitter pessoal que também utiliza para promoção pública e demais funções, tais como a de pastor por exemplo.

Algumas declarações são antigas e outras são recentes, porém caminham em sentidos parecidos, ou seja, todas elas são sobre minorias, mas não a favor e sim contra.

É difícil mensurar com certeza e clareza quantas foram as declarações sobre o assunto e qual o real sentido, tendo em vista que o mesmo hora fala como parlamentar, hora fala como pastor, hora fala como cidadão e às vezes como Presidente da CDHM, porém estas foram as principais declarações do Deputado:

"- Sobre o continente africano repousa a maldição do paganismo, ocultismo, misérias, doenças oriundas de lá: ebola, aids, fome... Etc", escreveu o deputado na ocasião. 

"- A podridão dos sentimentos dos homoafetivos leva ao ódio, ao crime, à rejeição".

“- Pois depois da união civil virá a adoção de crianças por parceiros gays, a extinção das palavras pai e mãe, a destruição da familia.”

"- preciso do apoio de pessoas cristãs ou não, que sejam contrarias a união civil homossexual que é apenas a porta de entrada para o caos."

É impossível que alguém com o mínimo de sensatez, ou conhecimento sobre os direitos humanos não se indigne com as frases acima.

Obviamente que com o intuito de driblar inclusive os processos que ele pode contrair, quando questionado sobre as afirmações, ele diz que tudo isso não passou de um debate teológico a fim de constatar se tais linhas de estudos tinham alguma relevância, ou não.

Com essa manobra argumentativa, poderíamos excluir as frases sobre os negros e o continente africano. Mas como se livrar das frases contra os homossexuais?

Não há como se desfazer de algumas posições, mesmo com os melhores argumentos do mundo e tal posição conservadora e antidemocrática é infinitamente ultrapassada e ignorante. 

Sem contar as falácias pronunciadas todos os dias, preconceitos, hora velados e hora nítidos e até mesmo a pobreza cultural e desonestidade intelectual de ser contra a “ideologia do homossexualismo", ou até da homossexualidade e não ser contra os homossexuais, vamos nos ater a outros fatos. 

Como um pastor evangélico, Marco Feliciano é naturalmente contra o homossexualismo e sustenta esta ideia segundo sua interpretação religiosa sobre a Bíblia Cristã. Ele já assumiu publicamente que, além disso, como cidadão ele é contra atitudes homossexuais públicas e que não aprova a “conduta” homossexual. Até ai isso não configura um problema...Existem milhões de outros argumentos e informações sobre ele nesta questão, mas questionaremos apenas um deles. Se o SR. Marco Feliciano é contra o a ideologia do homossexualismo que provem de uma minoria e inclusive retira da pauta as lutas dos homossexuais ele não está no lugar errado para fazer isso? Tendo em vista que a CDHM foi criada para defender o direito das minorias?

Mas talvez você diga que o presidente é apenas um juiz que está lá para ser imparcial e defender seus posicionamentos com parlamentar que é. Mas a dúvida é: Ele está sendo imparcial? Ele está defendendo seus posicionamentos, ou retirando as lutas da pauta subtraindo conquistas e inserindo seus interesses acima dos demais?

Mesmo afirmando que: "- A podridão dos sentimentos dos homoafetivos leva ao ódio, ao crime, à rejeição"Ele salienta que não é homofóbico. 

Além disso, Marco Feliciano diz que: 

“- Me baseio muito na posição política de Martin Luther King, foi um herói, um mártir. E ele tem algo em comum comigo: ele também era pastor. A diferença é que ele viveu um outro século, de outras diferenças, de outras aspirações”.

O parlamentar afirmou também ser contra o projeto de lei que tramita no Senado em defesa da criminalização de atos de preconceito por orientação sexual.  Para ele, o projeto fere o seu direito de pensar e pode causar perseguição religiosa.

“- Dentro do projeto há pontos obscuros. Um deles é que a pessoa não pode ser constrangida nem sofrer qualquer tipo de preconceito. Se um casal do mesmo sexo quiser casar na minha igreja e eu falar que não pode, que é a nossa ideologia, se a pessoa recorrer à polícia e considerar que foi constrangida, é crime inafiançável”.

“- O problema não é a comunidade gay. Eu tenho amigos que são e são pessoas completamente equilibradas. O problema são os ativistas. Eles fazem o que já fizeram comigo, que é tentar destruir a minha imagem e falar pra sociedade que você é uma coisa e que não é”.

Para o deputado, é necessário que a Comissão de Direitos Humanos não se limite à discussão de projetos para alguns grupos e minorias. Ele defendeu debate de temas como tráfico internacional de pessoas.

Além de se comparar ao pastor americano Martins Luther king que defendia as minorias negras que eram impedidas de frequentar os mesmos cultos que a maioria branca e sofriam demasiados preconceitos, assim como os homossexuais hoje, ele ainda acredita que se a PL122 for aprovada anulará o 5° Artigo da Constituição sobre a liberdade religiosa, de culto e de livre expressão e por último acusa e culpa os ativistas sociais por tentar destruir a imagem dele.

Mas e ele, será que pensou que suas declarações estão destruindo sua imagem?

E para encerrar, já que o pastor Martin, que lutou tanto pela igualdade e direitos humanos foi lembrado fica outra pergunta também, se trocássemos a palavra Gay pela palavra Cristão, será que as lutas fariam mais sentido? Será que mais pessoas se indignariam?

Pois é, hoje homossexuais lutam por direitos básicos e irrisórios, amanhã, pode ser você!

Fique agora com algumas imagens:









 
Fontes: 

http://www2.camara.leg.br/atividade-legislativa/comissoes/comissoes-permanentes/cdhm

http://pt.wikipedia.org/wiki/Comiss%C3%A3o_de_Direitos_Humanos_e_Minorias

http://g1.globo.com/politica/noticia/2013/03/marco-feliciano-e-eleito-presidente-da-comissao-de-direitos-humanos.html

http://g1.globo.com/politica/noticia/2013/03/pastor-contrario-lei-anti-homofobia-e-indicado-para-comissao-na-camara.html

http://www.marcofeliciano.com.br/

https://twitter.com/marcofeliciano

https://www.facebook.com/PrMarcoFeliciano

http://www.pbagora.com.br/conteudo.php?id=20130405130552&cat=brasil&keys=feliciano-acidente-mamonas-castigo

 

Autor: Fábio Fleck