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terça-feira, 17 de abril de 2018

Trabalhando mitologia egípcia no Ensino Fundamental



Olha só e olha lá! Que legal! Um pouquinho do trabalho sobre mitologia no sexto e sétimo anos do Ensino Fundamental. Já trabalhou com mitologia egípcia? Conte sua experiência nos comentários.


domingo, 12 de abril de 2015

Rap do Mito da Caverna - Extremo Rap



Tai o som filosófico do amigo Cleriston Ribeiro Santos (Extremo Rap). contatos com ele no link https://www.facebook.com/cleristonextremo

Se você também tem um som filosófico e que publicar no nosso canal, faça contato nos comentários ;)

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-Vídeo do Vlog 100% original
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segunda-feira, 12 de março de 2012

O Movimento da Vida


O Movimento da Vida

           “Tu não podes tomar banho duas vezes no mesmo rio, pois aquelas águas já terão passado e também tu já não serás mais o mesmo.” Assim dizia Heráclito de Éfeso um pré-socrático, ou seja, um dos primeiros filósofos da humanidade a mais de 2500 anos atrás.
Fico admirado em perceber como ainda hoje estas palavras parecem deter o poder de fazer do mais sábio ao mais ignorante refletir sobre as coisas da vida. Foram palavras que sobreviveram à ascensão e queda de impérios na antiguidade, às trevas na idade média, às navegações da modernidade e às grandes guerras e descobertas contemporâneas.
            Dizer que o mesmo homem não pode atravessar o mesmo rio, porque o homem de ontem não é o mesmo homem, nem o rio de ontem é o mesmo de hoje nos faz imediatamente pensar que na vida tudo pode mudar, devido a isso, por mais obscuras que tais palavras possam parecer, elas nos trazem sempre o sentimento de esperança.
             Esta é a filosofia do “tudo flui”, ou ainda “tudo passa” (em grego “Panta rei”). Para Heráclito a única coisa que não poderia mudar era o próprio movimento, por isso a possibilidade da mudança (ou Devir) seria de fato a sua única certeza e a força que rege o universo. Mas como e quais são os limites desta mudança?
            A mudança é sempre uma alternância entre contrários: coisas quentes esfriam, coisas frias esquentam; coisas úmidas secam, coisas secas umedecem etc. O mesmo podemos dizer sobre as pessoas: Pessoas boas podem fazer coisas más, pessoas que já foram ruins podem começar a ser boas, etc. Dificilmente a mudança vai de um extremo ao outro, geralmente é sutil e demorada, mas sempre pode acontecer. A realidade é formada sempre por dois lados da moeda, mesmo que às vezes somente um pode ser visto. Por isso não podem dizer que existem coisas quentes ou frias, nem pessoas boas e más, o certo é dizer que as coisas estão quentes ou frias, ou que as pessoas estão fazendo coisas boas ou ruins. O quente só é quente se comparado com o frio, e a qualquer hora pode esfriar, e as pessoas sempre carregam o bem e mal dentro de si, são as escolhas e os atos que farão os outros julgarem, por isso todos nós podemos mudar.
            As coisas mudam naturalmente, como as águas que nascem nas montanhas e correm pelo rio até o mar, já as pessoas necessitam fazer algumas escolhas para mudarem. Estas escolhas devem surgir do desejo de se tornar diferente do que foi ontem, ou se transformar hoje no que deseja ser amanhã. É justamente a reflexão sobre quem somos e o que fizemos acrescentada das novas experiências de vida e conhecimentos adquiridos que podem nos dar força para mudar.
             O tempo não para, cada homem sempre carrega com sigo seu passado, presente e futuro. Por isso devemos sempre manter a esperança na mudança, por mais que todos teimem e nos julgar pelas coisas que passaram, devemos lutar com suor e lágrimas por um futuro melhor, onde sejamos pessoas que fazem coisas melhores, onde a vida tenha mais valor.
             Não são os outros que valorizarão sua vida. Você terá que fazer isso por sua própria conta.
 



terça-feira, 15 de novembro de 2011

O que é Filosofia: Filosofar e Cagar

Olá, este texto escrevi quando tinha apenas 18 anos e estava iniciando o curso de filosofia. Trata-se de uma brincadeira, um texto humorístico que apresentei nas aulas iniciais de filosofia e que foi aclamado por colegas e professores. Pra se ter uma ideia, o Professo Sérgio Augusto Sardi, que é doutor em filosofia, solicitou minha autorização para utilizar estas "poéticas palavras" em seus trabalhos acerca de filosofia para jovens e crianças. Então... com muito orgulho lhes compartilho esta bizarra analogia...

\/\/\/    

5...
                Se Sócrates era o parteiro das ideias, eu não sei como elas continuam nascendo...
                Acho que a filosofia é semelhante ao ato de cagar.
                Existem prisões de ventre, quando o pensamento esta lá, incomodando. Mas agente faz força, faz força e nada do “dito cujo” sair. Mas quando sai, é um alívio só! É uma verdadeira felicidade... O problema é quando desce arranhado e machuca a nós mesmos.
                
                Existem diarreias, quando as ideias não param de surgir na nossa mente, às vezes nem dá tempo de anotar uma e já vem chegando outra. O único problema das diarreias filosóficas é que o pensamento geralmente é mole, sem densidade ou firmeza argumentativa.
                Existe o cocô diário, aquela “cagada” diária que todos devemos fazer para sobreviver. Geralmente simples e indolor serve para aliviarmos um pouco de toda a informação que recebemos no dia-a-dia.
                Também há a “Barrigada depois do churrasco”, após ler bons livros e ter tido boas aulas de filosofia... a cagada é sempre arrasadora. Diríamos que ela “entope o vazo” de tantas são as ideias.
                Filosofar não deixa de ser o ato de expelir as ideias pra fora, ou de refleti-las nas calmas águas de nossa mente. Às vezes doloridas, outras vezes fluidas... Às vezes simples, outas complexas... FILOSOFAR É VITAL PARA EVOLUÇÃO DO HOMEM...
                ...Ou em palavras mais simples, Filosofar é como cagar. (obs.: isto não significa que todas nossas ideias sejam uma bosta.)

 By Fabio Goulart, Porto Alegre 2006-2011.

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

O que é Filosofia: O Quebra-cabeça dos Deuses

4...
            Após banir os homens do paraíso, Deus separou suas almas de todo e qualquer conhecimento que um dia almejaram ao surrupiar o fruto proibido.

Mas Deus, do alto de sua sabedoria, notou que os homens não conseguiam viver sem conhecimento. Para resolver esta situação Ele reuniu todos os anjos do céu e disse:

-Entrego-lhes o conhecimento dividido em um quebra-cabeça para que vocês espalhem suas peças pelo universo... e assim, com o desenvolver de valores como o ímpeto, força, compaixão e benevolência os homens poderão alcança-lo novamente por seus próprios méritos.

Após essa reunião, Deus chama seu melhor anjo e em segredo lhe faz um pedido:

- Entrego-lhe as molduras do quebra-cabeça, elas são a chave de todo conhecimento e sem elas nenhuma outra peça fará sentido. Estas peças tão especiais e de valor único serão: a lógica, para que os homens compreendam, analisem e critiquem tudo que existe e pode existir; a gnosiologia, para que possam dar o real valor a cada peça do quebra-cabeças; a ontologia, para que se estudem enquanto o que realmente são... meros seres; a ética, para avaliarem o seu comportamento uns com os outros; a estética, para que deem valor ao belo; a antropologia, para tentarem descobrir quem são e pra onde vão; etc... Caro anjo meu, esconda todo este saber dentro da alma de cada homem que nascer e faz com que eles, mesmo os que negarem minha existência,  se lembrem de Mim sempre que sentirem um vazio infinito.

E exatamente como Deus pediu... o anjo fez...

E assim os milênios foram sucumbindo... Os homens foram nascendo e morrendo... Evoluindo e lutando durante várias gerações...

As famílias cresceram, viraram comunidades... que cresceram e se tornaram sociedades... que dividiram e se tornaram cidades... que guerrilharam entre si e separaram ainda mais as peças do quebra-cabeça.

Os homens nunca pararam suas guerrilhas, mas com o passar dos anos perceberam que cada povo possuía coisas únicas e tiveram que começar a comercializar um pouco de tudo.  Junto com os temperos, roupas, tecnologia e todo lixo material que trocavam começaram a trocar conhecimentos e crenças uns com os outros... De forma quase sem querer, começaram a encaixar algumas peças do quebra-cabeça.

Neste processo alguns notaram a falta das molduras e o desejo semelhante de             busca-las elas em coisas que fossem muito além dos mitos que explicavam o mundo. Isso fez com que olhassem para dentro de si e criassem aquilo que hoje chamamos de Filosofia.

Dede então a filosofia jamais parou de crescer e jamais parará, pois existe uma infinidade de peças espalhadas pelo universo e outra ainda maior espalhada dentro de cada um.

E Deus viu que isso era bom...



By Fabio Goulart, Porto Alegre 2011.

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

O que é Filosofia: O Monge e o caminho das Nuvens

3...
                Havia um jovem monge, que apesar de sua pouca idade, apresentava um grande conhecimento de toda biologia e química que se conhecia naquela região. Ele pretendia criar remédios para salvar seu povo das doenças mais terríveis! Mas seu rei ordenou que fossem feitos os piores venenos para os inimigos.

                Seu coração imaturo precisava decidir entre a lealdade do rei ou a amplitude de sua alma. Para isso ele decidiu consultar seu mestre, que lhe deu a missão de percorrer o caminho das nuvens. Para cumprir seus objetivos o jovem monge teria que levar apenas uma espada, seu ímpeto, muita paz e discernimento.

                Sobre as montanhas ele podia observar a cidade e nela seus velhos bêbados e as crianças inocentes a brincar sem nenhum pudor pelas ruas. Observou também um campo de batalhas, onde o sofrimento e a fúria lutavam em busca de honras e glórias. Por fim, viu que em sua retaguarda também havia uma vasta floresta, onde era possível observar a natureza desabrochar sem qualquer tipo de medo ou de pressa.

                Ali o jovem monge ficou por três dias e três noites. Cada dia e cada noite observava um horizonte com seus olhos e outro através do reflexo na lâmina da espada. Assim a cidade & a floresta; a floresta & a guerra; a guerra & a cidade...  Eram o único alimento de sua alma, cada um chocando-lhe e comovendo-lhe de formas distintas.

                   No retorno do caminho das nuvens o monge encontra seu mestre que pergunta se ele já havia feito sua escolha. O jovem monge disse que tudo aquilo mexeu muito com sua alma, mas que ainda não se sentia seguro para decidir. Com um sorriso sábio nos lábios o velho mestre colocou a mão nas costas do jovem e lhe disse: Por mais que você escolha um caminho a lâmina de sua espada sempre irá refletir um outro lado.

                Neste momento o jovem monge percebeu que a espada e sua lâmina nada mais eram do que seu conhecimento bioquímico na sua vida e que estava em suas mãos escolher qual caminho seguir.  Fugir e salvar milhares de vidas ou ficar e dizimar famílias inteiras.

                A filosofia  não serve para explicar qual caminho é bom ou é mau, mas serve para ajudar a avaliar e criticar as escolhas que tomamos na vida.

                E assim o monge seguiu seu caminho, mas sempre olhava na lâmina de sua espada para jamais cair no erro de acreditar que não existem outras possibilidades.
monge ceu nuvem montanha



By Fabio Goulart, Porto Alegre 2011.

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

O que é Filosofia: O Mito do Técnico e do Filósofo

2...

                Havia um homem que se considerava satisfeito, pois se não tinha tudo que queria com o que tinha se achava completo.
                Ele era técnico na técnica, sabia tudo que precisava e acreditava que nada poderia abalar sua rotina, pois sabia que dominava tudo aquilo que precisava dominar.
                Mas certo dia um filósofo cruzou a vida deste homem. Sem mais delongas o ser filosofante pergunta “Por quê? Pra quê? Onde? E daí? Etc...”
                O Técnico com sua técnica se viu impotente e comovido, pois notou que não eram as perguntas irrelevantes em relação ao seu conhecimento, mas sim o seu conhecimento que era irrelevante frente aquelas perguntas. Neste momento ele percebeu que só sabia que nada sabia.
                E os dois ficaram ali debatendo incansavelmente... formulando suas teses e argumentos , mas nunca chegaram a uma resposta satisfatória, pois mesmo os maiores filósofos são homens e não deuses... amigos do saber e não possuidores diria Platão...
                Filósofos ou Técnicos, assim são os homens: INFINITOS DENTRO DE SUAS LIMITAÇÕES.
técnico filosofo apontando pra cima outro pra baixo

By Fabio Goulart, Porto Alegre 2011.

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

O que é Filosofia: O Mito do Chiqueiro e dos Artistas

1...

Sempre fui cheio de dúvidas e perguntas. Algumas destas eram tão complicadas que nem ao menos conseguia formular uma pergunta. Logo eu achava que elas eram irrespondíveis.


Refugiado dentro da minha solene ignorância, confortava-me em acreditar que a filosofia era a arte de criar essas perguntas que assoreavam impunimente a minha infância trazendo insônia e inquietação.


Mas quem eram os malditos artistas das perguntas? Com que tintas e em quais telas costumam pintar tal divina arte? Eu não tinha como saber, mas pulsava em mim um incontrolável desejo de um dia ser como eles.

Com o passar dos anos já não acreditava em tudo que os homens comuns diziam. O jogo de luz e sombras refletido na parede (por mais colorido que fosse) já não mais me persuadia, pelo contrário, me dava náuseas e fomentava um espirito crítico oriundo dos confins de minha alma.

Queriam me atochar que as coisas são como são. Mas por que são assim? Por que não podem ser diferentes?

Queriam que eu acreditasse nas suas palavras, mas nem eles sabiam o que estavam dizendo... Estes homens viviam como porcos num chiqueiro. Frutos que nascem putrificados para manter um sistema sádico de guerras e desigualdades. Porcos insaciáveis! Nunca satisfeitos com nada, sempre atrás de algo... Dinheiro, prazer, sexo, poder, vingança, ou qualquer bugiganga inventada na última semana.

  Em meio a toda lama enxovalhada dos porcos, notei a existência de homens que simplesmente buscavam perguntas e respostas, sem estarem preocupados com verdades divinas ou recompensas grandiosas. Tais homens simplesmente tentavam entender o que já era para estar entendido e criar problemas para as respostas que estavam ao nosso redor.

Estes homens eram chamados de loucos e em determinado momento se levantavam e deixavam o chiqueiro pra trás. Estes homens eram os filósofos. Exatamente os artistas que incomodaram os sonhos de minha infância!

Tal como eles, me tornei inquieto dentro de meu tempo e de meu demus (a cerca que limitava meu chiqueiro), me tornei um filósofo... passei a pintar os próprios quadros, não somente com as tintas que estavam ali, passei a fazer infinitas misturas e criar cores novas. Passei a pintar minha visão da vida... Passei a tentar entender tudo aquilo que jamais poderia ser entendido.

Tive o ímpeto de sair do chiqueiro e fui recebido como um filho pródigo...infelizmente a maioria dos homens preferiu ficar entre os porcos...
Filho pródigo entre os porcos


By Fabio Goulart, Porto Alegre 2011.

-Com este texto começo hoje uma série de 5 textos que de forma ambígua e aberta tentam se aproximar das questão “o que é filosofia”, porém sem trazer nenhuma resposta pronta. Minha intenção e fazer com que o leitor chegue a sua própria respostas a partir de sua experiência, vivencia e reflexão particular. Espero que gostem!

terça-feira, 10 de agosto de 2010

MITO DA CAVERNA


Sócrates - Imaginem homens numa morada subterrânea, em forma de caverna, com uma entrada aberta à luz; esses homens estão aí desde a infância, de pernas e pescoços acorrentados, de modo que não podem mexer-se nem ver nada além do que está em sua frente, pois as correntes os impedem de mexer a cabeça; a luz chega de uma fogueira acesa numa colina que se ergue por detrás deles; entre o fogo e os prisioneiros passa uma estrada. Imagina que ao longo dessa estrada está construído um pequeno muro.
Glauco - Estou imaginando.
Sócrates - Imagina agora, ao longo desse pequeno muro, a sombra de homens que transportam objetos de toda espécie, tais como: estatuetas, animais, pedras, madeiras e toda espécie de matéria; Entre esses transportadores, uns falam e outros seguem em silêncio.
Glauco - Um quadro estranho e estranhos prisioneiros.
Sócrates - Eles são como nós. E, para começar, achas que, numa tal condição, eles tenham alguma vez visto, a si mesmos e seus companheiros?
Glauco - Não, afinal são obrigados a ficar de cabeça imóvel durante toda a vida.
Sócrates - E com as coisas que geram as sombras no muro? Não se passa o mesmo?
Glauco - Sem dúvida.
Sócrates - Portanto, se pudessem falar com os companheiros, não achas que eles iam acreditar que as sombras eram os objetos reais?
Glauco - É bem possível, afinal nunca viram os objetos reais.
Sócrates - Mais do que isso, eles não sabem que existem objetos reais que projetam essas sombras! E para piorar, o eco da caverna faz parecer que os sons vêm das sombras.
Glauco - Por Zeus!
Sócrates - Dessa forma, não estaria toda realidade destes homens, reduzidas a essas sombras?
Glauco - Deste jeito, sim.
Sócrates - imagine agora o que um destes homens se liberta naturalmente e é obrigado a endireitar-se imediatamente, a voltar o pescoço para os lados, a caminhar, a erguer os olhos para a luz em direção aos objetos reais. Claro que ao olhar para a luz sua vista ficará embaça e os objetos reais não pareceriam mais reais que as sombras que via na parede da caverna.
Glauco - Realmente, as coisas pareceriam borrões, tais como as sombras.
Sócrates - Não achas que toda esta luz iria irritar tanto seus olhos, que este homem tentaria voltar sua cabeça novamente para as sombras?
Glauco - Com toda a certeza.
Sócrates - Mas ele foi arrancado misteriosamente da sua caverna, e obrigado a subir a encosta rude e perigosa, se machucando todo, Até chegar a colina donde vinha a forte luz do Sol, não achas que ficaria reclamando de tanta dor e violência ?
Glauco - Claro.
Sócrates - Será que num primeiro momento ele conseguiria reconhecer algum objeto real?
Glauco - Acho que não. Primeiro ele teria que se acostumar com a luz, depois teria que observar bem cada uma das coisas.
Sócrates - Terá, creio eu, necessidade de se habituar a ver os objetos da região superior. Começará por distinguir mais facilmente as sombras, pois já está acostumado com elas; em seguida, as imagens dos homens e dos outros objetos que se refletem nas águas; por último, os próprios objetos. Depois disso, poderá, enfrentando a claridade das estrelas e da Lua, contemplar mais facilmente, durante a noite, os corpos celestes e o próprio céu do que, durante o dia, o Sol e sua luz.
Glauco - Sem dúvida.
Sócrates - Por fim, suponho eu, conseguirá ver o será o sol, e não as suas imagens refletidas nas águas ou em qualquer outra coisa, mas o próprio Sol, no seu verdadeiro lugar, que poderá ver e contemplar tal qual é.
Glauco - bem provável.
Sócrates - Depois disso, poderá concluir, a respeito do Sol, que é ele que está acima de tudo no mundo visível e que, de certa maneira, é a causa de tudo o que ele via com os seus companheiros, na caverna.
Glauco - É evidente que chegará a essa conclusão.
Sócrates - Não achas que após descobrir toda essas maravilhas, este homem (agora livre) não tentaria voltar a seu antigo lar para contar e libertar seus amigos?
Glauco - Sim, com certeza, Sócrates.
Sócrates - E se neste mundo superior, todos fossem sábios e felizes e que mesmos os mais fracos e inocentes vivessem um milhão de vezes melhor que o homem mais poderoso da caverna, não preferia ele viver na colina a seguir sua vida nas correntes da caverna?
Glauco - Não só ele, eu também preferiria viver lá.
Sócrates - Então imagine que esse homem volta à caverna e vai sentar-se no seu antigo lugar: Não ficará com os olhos cegos pela escuridão da caverna ?
Glauco - Certo que sim, afinal isso ocorre quando entramos num local escuro.
Sócrates - Ele teria que entrar em competição com os prisioneiros que não se libertaram de suas correntes e que consideram que as sombras são a verdade. Estando ainda sua vista confusa, pois habituar-se à escuridão exigirá um tempo bastante longo, não fará os outros rirem de sua cara e digam que, tendo ido lá acima, voltou com a vista estragada, e que devido a isso não vale a pena tentar subir até lá?
Glauco - Sem nenhuma dúvida.
Sócrates- Para piorar a situação, este homem seria considerado louco pelos outros, acorrentado e provavelmente ameaçado de morte por supostamente duvidar das crenças existentes na caverna e perturbar a ordem que existia lá.
Glauco- Infelizmente Sócrates... Infelizmente.
Sócrates - Agora, meu caro Glauco, é preciso aplicar, ponto a ponto, este mito da caverna ao mundo que nos cerca. Compare e a luz do fogo que ilumina a caverna como aquilo que sabemos e a força do Sol com o que nos é estranho. Minha opinião é esta: existe um verdadeiro mundo que desconhecemos e que vai muito além daquilo que podemos ver e sentir. Neste mundo a idéia do bem é a última a ser aprendida, e com dificuldade. Não se pode apreendê-la sem concluir que ela é a causa de tudo o que de reto e belo existe em todas as coisas, ou seja, a ideia do bem é o Sol. Por outro lado há o mundo visível, que recebe uma pequena fração desta luz. Este mundo é escuro e dispensa a verdade e a inteligência. Porém só aquele que suporta a dor e sai da caverna conseguem ter uma vida prudente, livre, sábia e verdadeiramente feliz.
Glauco - Concordo com a tua opinião, até onde posso compreendê-la.
(Autor: Platão, Livro: A República, Versão: Fabio Goulart)

TRABALHO DE INTERPRETAÇÃO

1- QUE RELAÇÃO PODEMOS FAZER ENTRE O PRISIONEIRO QUE SE LIBERTOU E O CIDADÃO COMUM QUE APRENDE A FILOSOFIA E A FILOSOFAR?

2- AO CHEGAR A COLINA O PRISIONEIRO RECLAMOU DA DOR E DA LUZ DO SOL. POR QUÊ? QUAIS FORAM AS PRIMEIRAS COISAS QUE RECONHECEU LÁ EM CIMA? POR QUÊ?

3- POR QUE O HOMEM AO RETORNAR A CAVERNA E CONTAR SOBRE A REALIDADE QUE ENCONTROU FOI RIDICULARIZADO, TIDO COMO LOUCO, AMARRADO E AMEAÇADO POR AQUELES QUE VIVIAM NA CAVERNA?

4- O QUE PODEMOS FAZER PARA FUGIR DE NOSSAS CAVERNAS E LIBERTAR AQUELES QUE VIVEM CONOSCO?