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segunda-feira, 24 de agosto de 2015
Especial Rolezinho - Parte 1
Primeira parte da conversa especial entre o Filosofo Fabio Goulart
e o organizador do rolezinho de Porto Alegre Fábio Fleck.
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Blog: http://www.filosofiahoje.com/
Face: https://www.facebook.com/FilosofiaHoje
Twitter: http://twitter.com/fabiogoulart_gt
Google+: https://plus.google.com/u/0/103330374230250663726
You Tube: http://www.youtube.com/user/FilosofiaHoje/ (vc está por aqui hehehe)
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-Vídeo do Vlog 100% original
-Música original minha e da minha banda disponível em http://www.youtube.com/watch?v=DrWvelMsBB0
***Tudo sob licença padrão do YouTube.
domingo, 24 de março de 2013
terça-feira, 12 de março de 2013
Casamento Homoafetivo numa Visão Filosófica
"-De acordo com a maioria dos juristas brasileiros, há o entendimento de que o casamento homoafetivo é inexistente juridicamente, pelo fato do art. 1514/CC mencionar a expressão "homem e mulher". Entretanto, essa ideia a respeito da norma civil, gera muitas divergências e conflitos. Tais conflitos propagam-se pelo fato de que, há outros profissionais do Direito que interpretam o art. 1514/CC conjuntamente com o art. 226,§1º/CF, entendendo que, a letra da norma constitucional (art. 226,§1º/CF) ao tratar de matéria de casamento não menciona o sexo dos nubentes para o matrimônio. Sendo assim, o art. 1514/CC, por justamente, pertencer ao Código Civil, é hierarquicamente inferior à Carta Magna, daí não podendo prevalecer. Além desse entendimento, tais juristas alegam que, como o casamento entre pessoas do mesmo sexo não é proibido expressamente pela norma jurídica, ele é permitido.
-Por outro lado, há juristas que não possuem esse entendimento e, portanto, apegam-se ao diploma civil, somente, alegando que, o casamento, é por definição, um contrato que se realiza apenas quando os nubentes são de sexos diversos. Esses profissionais do Direito, alegam, portanto, que o casamento homoafetivo é inexistente."
E agora? No que a filosofia pode nos ajudar neste impasse??? Assista, Descubra e Reflita...
Artigos relacionados:
http://books.google.com.br/books?id=oMfXk_PeOhUC&pg=PA580&lpg=PA580&dq=o+casamento+em+hegel&source=bl&ots=Xkxx94TfSm&sig=S1jKotcQgrwRIe-hSJVS51dB7RI&hl=pt&sa=X&ei=saY4UdjtOIXe8ASW64CQAg&ved=0CDEQ6AEwAQ#v=onepage&q=o%20casamento%20em%20hegel&f=false
http://revistaseletronicas.pucrs.br/ojs/index.php/veritas/article/viewFile/8096/5754
http://www.ambito-juridico.com.br/site/?n_link=revista_artigos_leitura&artigo_id=11572
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***Tudo sob Licença padrão do YouTube e Creative Commons - 2.5 Brasil License. http://creativecommons.org/licenses/by-nc/2.5/br/
sábado, 20 de outubro de 2012
O diferente dos iguais
Se toda nossa luta por igualdade não deu em nada... Vamos então lutar por mais respeito aos diferentes... ***Conheça e INSCREVA-SE no nosso Canal no YouTube neste link http://www.youtube.com/user/FilosofiaHoje/
terça-feira, 16 de outubro de 2012
O Brasil e as LEIS PARA INTERNET - O Som da Verdade #9
Cada vez mais a democratização virtual é alcançada
através de diversas possibilidades que a internet proporciona.
Você consegue baixar vídeos, filmes, seriados,
músicas, programas, livros, TUDO e de graça.
Para pessoas que detém um conhecimento mais
avançado sobre tecnologia isso é excelente, pois antigamente, ao mesmo tempo
onde a cultura era algo muito mais difundido e aceito por todos, era também
muito caro e menos acessível.
Passado o período de ditadura e também o período
de pós-ditadura no Brasil, chegou o período de equilíbrio econômico, onde para
chegar até ele, nossa moeda foi alterada por sete vezes até chegar a uma
estabilidade, que ainda assim por um bom tempo permanecia ameaçada pelo mercado
internacional, porém hoje já anda em fase de fortalecimento.
Adentramos então no desenvolvimento econômico e
tecnológico do Brasil, o qual estamos vivendo hoje, isso aumentou não apenas a
aquisição de computadores, mas também a assinatura de serviços de internet, o
que é cada vez mais popular e mais simples.
Esta expansão do uso e desenvolvimento da
tecnologia, principalmente no que diz respeito à internet é mundial, mas de
fato nosso país, é um dos mais conectados, os que mais usam e se comunicam via
internet.
Porém, todo este movimento mundial, fez com que
todos os tipos de pessoas, com as mais variadas intenções e pensamentos se
conectassem ao mundo virtual e isso gera um problema, no sentido de como ser
algo novo, ninguém sabe ao certo como agir no a respeito do que é e o que não é
permitido nesta rede.
É necessário considerarmos que como se trata de um
novo meio de mídia e comunicação a forma de como os usuários interagem é
totalmente diferente do que em outros meios e por este motivo precisa de leis
específicas para ela.
Recentemente tivemos noticias sobre as errôneas
decisões tomadas pela justiça brasileira, como a prisão de Fábio Coelho Country
Director Brazil do Google, por fatos irrelevantes, algo totalmente
extremo. Ou seja, além de especifico deve ser algo justo e proporcional também.
Atualmente, existem milhares de discussões no
sentido do compartilhamento de ideias e custo de serviços via internet, pois
por mais incrível que pareça o que aparentemente parece extremamente caro na
internet, pode na verdade ser gratuito e o que pode parecer algo demasiadamente
barato pode ter um custo surreal e este é rumo que a internet tomou e vem
tomando cada vez mais e não é algo ruim.
O que não pode ocorrer é uma DITADURA VIRTUAL, ou
ainda uma monopolização do conhecimento ou do fornecimento, tanto da cultura,
como do entretenimento.
Existe uma proposta para criação destas leis, que
se chama Marco Civil da Internet.
A esperança é que este projeto siga adiante e que
consigamos uma legislação justa.
Você pode ler mais sobre o Marco Civil da Internet em: http://culturadigital.br/marcocivil/
Autor: Fábio Fleck
domingo, 30 de setembro de 2012
sexta-feira, 28 de setembro de 2012
Brasil um país de analfabetos Virtuais - O Som da Verdade #7
Infelizmente vivemos um degradante período no
Brasil chamado analfabetismo virtual.
Os analfabetos virtuais, que são aqueles que não
sabem nada e não fazem ideia sobre o que seja.
E os analfabetos virtuais funcionais, que até
sabem, mesmo que pouco, mas não aplicam o que sabem, nem buscam entender o porquê,
ou como funciona isso.
Até ai tudo bem, pois o país está melhorando em
vários sentidos, em constante crescimento principalmente financeiro e a
esperança é que este cenário mude e fique cada vez melhor.
Mas o maior problema em relação ao desconhecimento
atual, não é por parte dos usuários de internet no geral, mas sim das
autoridades e de nossas leis.
Recentemente o Presidente do Google Brasil foi
preso por uma descabida e desinformada decisão judicial.
Na noite da quarta-feira, dia 26/09/2012, A Polícia
Federal expediu um mandado de prisão contra Fábio Coelho, na condição de
representante do Google no Brasil, que se recusou a retirar dois vídeos do Youtube,
considerados ofensivos ao candidato a prefeito Alcides Bernal do PP, mesmo após
decisão judicial determinando que os vídeos saíssem do ar.
Em
decisão do último sábado, o juiz Amaury da Silva Kuklinsky, do TRE-MS (Tribunal
Regional Eleitoral de Mato Grosso do Sul), manteve a ordem de prisão. O pedido
de prisão de Coelho e a suspensão do acesso aos sites do Youtube e do Google no
Estado —também mantida— já havia sido determinada pela primeira instância da
Justiça Eleitoral. O Google recorreu, mas Kuklinsky manteve a sentença.
De
acordo com o juiz, apesar de ser um “espaço livre e democrático, o uso indevido
da internet, na esfera eleitoral, deve ser coibido, na medida em que não se
trata de território isento de responsabilidade e não se vislumbra qualquer
causa de imunidade no manuseio dessa ferramenta de comunicação”.
O
Google afirmou que recorre da decisão, porque “sendo uma plataforma, o Google
não é responsável pelo conteúdo do site”.
Mas
sejamos coerentes e vamos tentar entender o que é o Google e o que é o You Tube,
estas são plataformas virtuais, livres, públicas, sem custos para os usuários,
um dos maiores adventos da internet, sem dúvida uma das invenções mais sensacionais
de todos os tempos, as quais o próprio governo não conseguiria disponibilizar
para a população, se hoje temos acesso à informação e aprendemos milhões de
coisas por segundo, precisamos parabenizar o Google.
As
formas de comunicação evoluem com o tempo, tivemos o livro, o cinema, o jornal,
o rádio, a televisão e agora temos a internet.
Você
alguma vez em sua vida pensou em achar qualquer coisa em uma pequena busca na
velocidade de um clique? Antes da invenção Google? Já reparou que você pode pesquisar
sobre tudo e ter acesso a vários tipos vídeo aulas no Youtube por exemplo. Hoje
em dia a metodologia de ensino EAD só é possível com a qualidade que tem devido
à internet, do contrário seria apenas um sonho.
Nossas
leis estão defasadas e não existe uma legislação específica de bom senso sobre
internet, ela é outro mundo que disponibiliza a informação de forma
inacreditável e o melhor, sem custos, nós precisamos lutar por uma legislação
de internet que faça sentido e os juízes que farão a analise dos casos precisam
saber e conhecer sobre informática e internet, pois do contrário é pura perda
de tempo.
O
uso indevido da internet, na esfera eleitoral, deve ser coibido? Nada impede
que o autor seja punido e não o “publicador” do conteúdo, pois ele não é
cumplice, pois não necessariamente concorda com a publicação e o que vale é a
liberdade de expressão.
Muitas
coisas no Brasil são confusas e a desigualdade é muito grande em todos os
sentidos e isso é de indignar a qualquer um e não podemos aceitar isso de forma
alguma.
Palavras
de Fábio Coelho (presidente do Google Brasil): “ Ironicamente, o usuário que publicou um dos vídeos acabou por removê-lo
e fechou sua conta no YouTube - esse é apenas um exemplo dos efeitos
intimidatórios do episódio para a liberdade de expressão”.
Tivemos
vários episódios irônicos nos últimos tempos, como o fato da Carolina Dieckmann
processar o Google pela “divulgação de suas fotos nuas”.
Cláudio
Gonçalves Pereira PRESO
na cadeia de segurança máxima de Bangu I por roubar um frango?
Thor
Batista MATOU
um ciclista com diversas multas e está solto e dirigindo?
Diego
Cardoso de Souza e Márcio Almeida dos Santos, PRESOS sem terem cometido
crime algum?
ECAD
quer COBRAR
blogs que embutem vídeos do Youtube?
Presidente
do Google PRESO?
Não
dá para acreditar!
Que
país é Este?
Alguém
notou algo? Precisamos uma reforma de conceitos e de valores urgente...
Você
não acha? Temos muitas perguntas e queremos saber a sua opinião sobre este tema
tão abrangente.
Autor:
Fábio Fleck
quinta-feira, 20 de setembro de 2012
Povo que não tem virtude acaba por ser escravo? Ou por escravizar?
Prevejo muitos gaúchos se ofendendo, mas quero que parem e reflitam sobre uma coisa:
Vale a pena ainda cultuar esta cultura fascista de atribuir a virtude ao escravizador e vergonha ao escravo?
Para mim a virtude está em ser livre e fazer sua liberdade valer permitido que teu diferente possa também ser livre.
A vergonha não está em ser escravo, mas sim em escravizar.
Nunca houve REVOLUÇÃO.
Os COMANDANTES Farroupilhas(no geral) nunca foram REVOLUCIONÁRIOS.
Eram interesseiros buscando mais lucro, dominação e controle sobre nosso povo.
Amo minha terra. Mas sinto vergonha dos que glorificam o 20 de Setembro.
----------------------
Pra quem não sabe ,hoje 20 de Setembro, é feriado estadual no Rio Grande do Sul. Se Comemora a revolução Farroupilha. Este é o hino do Rio Grande do Sul :
Como aurora precursora
Do farol da divindade
Foi o 20 de Setembro
O precursor da liberdade
Mostremos valor constância
Nesta ímpia e injusta guerra
Sirvam nossas façanhas
De modelo a toda Terra
De modelo a toda Terra
Sirvam nossas façanhas
De modelo a toda Terra
Mas não basta pra ser livre
Ser forte, aguerrido e bravo
Povo que não tem virtude
Acaba por ser escravo (* Linha 15 oficial*)
Mostremos valor constância
Nesta ímpia e injusta guerra
Sirvam nossas façanhas
De modelo a toda Terra
De modelo a toda Terra
Sirvam nossas façanhas
De modelo a toda Terra
----------------------------------------
Escravo? Liberdade? Que Papo é esse?
Acho melhor estudar mais a fundo nosso passado.
Os escravocratas dessa história eram os Farrapos. Após dez anos de luta e promessa de liberdade. assassinaram friamente todos seus soldados negros que conduziram às maiores vitórias das tropas de Bento Gonçalves.
Sente-se um pouco, pois vou lhe contar sobre o MASSACRE DE PORONGOS "Depois de lutarem, durante dez anos, não por dinheiro ou impostos, mas pela liberdade, no dia 14 de novembro de 1844 foram miseravelmente traídos no mais vergonhoso episódio dessa guerra, conhecido como “O Massacre de Porongos”. Desarmados, por seu comandante Canabarro, esses homens foram traiçoeiramente entregues a sanha historicamente genocida de Caxias.
"A Revolução Farroupilha foi a mais longa revolta republicana contra o Império escravocrata e centralizador brasileiro. Os grandes e poderosos proprietários de terras gaúchos, sentindo-se desfavorecidos pelas leis federais, principalmente pelos impostos considerados excessivos, entram em negociações com o governo regencial. Tais negociações, consideradas insatisfatórias, criam um crescente estado de tensão até o rompimento definitivo e a declaração de guerra, em 20 de setembro de 1835.
Depois do combate travado em Bagé, conhecido como “a Batalha do Seival”, em que as forças imperiais foram surpreendente e rotundamente derrotadas, surge um movimento político dissidente e separatista. Com sua radicalização é proclamada a independência e criada a República Rio-Grandense frente ao Império do Brasil, propondo uma República Federativa às demais províncias que viessem a separar-se do Império e assumissem a forma republicana.
Para lutar por “um país independente” foi necessário juntar as tropas dos generais que aderiram à causa e assim foi formado o “exército farroupilha” liderado pelo Gen. Bento Gonçalves. Na verdade, os verdadeiros protagonistas dessa luta foram os negros, os índios, os mestiços e os brancos pobres que lutaram de forma abnegada pela recém criada República e por espaços de liberdade, buscando um futuro melhor para si e para os seus. Entre os generais está um abolicionista convicto, Antônio de Souza Netto, que não só coloca a libertação dos escravos como um dos “ideais farroupilha” como propõe a participação dos negros na luta dos farrapos. Num primeiro momento a idéia é rejeitada. Porém, em 4 de outubro de 1836”, depois da “Derrota de Fanfa”, em que Bento Gonçalves foi preso e o exército farroupilha teve excessivas baixas, eles não vacilaram em libertar os escravos que, em troca, se engajaram no exército farroupilha. Assim foi criada a unidade militar que ficou conhecida como os Lanceiros Negros.
Nesse corpo de Lanceiros Negros só havia branco os oficiais superiores. Os negros eram os melhores domadores de cavalos da província. Suas lanças eram maiores do que as ordinárias, os rostos pretos como azeviche. Seus corpos robustos e a sua perfeita disciplina os tornavam o terror dos imperiais. A participação decisiva dos Lanceiros Negros foi ressaltada pelo republicano Giuseppe Garibaldi - “herói dos dois mundos” - em sua biografia escrita por Alexandre Dumas: “soldados de uma disciplina espartana, que com seus rostos de azeviche e coragem inquebrantável, punham verdadeiro terror ao inimigo” ou ainda “...mas nunca vi, em nenhuma parte, homens mais valentes, ...em cujas fileiras aprendi a desprezar o perigo e combater dignamente pela causa sagrada das nações...” (GARIBALDI,Giuseppe, em FAGUNDES, M. Calvet, História da Revolução Farroupilha. EDUCS.1989.p. 9).
Depois de lutarem, durante dez anos, não por dinheiro ou impostos, mas pela liberdade, no dia 14 de novembro de 1844 foram miseravelmente traídos no mais vergonhoso episódio dessa guerra, conhecido como “O Massacre de Porongos”. Desarmados, por seu comandante Canabarro, esses homens foram traiçoeiramente entregues a sanha historicamente genocida de Caxias.
A “Traição de Porongos” e o Massacre dos Lanceiros Negros
Como explicar aos brasileiros tamanha covardia e a baixeza moral perpetradas por dois homens, David Canabarro e Duque de Caxias, ambos idolatrados como “heróis” pela historiografia oficial - um deles até considerado “patrono do Exército” - durante a chamada Revolução Farroupilha? Os historiadores oficiais criaram deliberadamente imagens falsas de Porongos procurando não macular “seus” heróis. Entretanto, a hediondez dos acontecimentos só nos permite uma coisa: não a explicação, mas a revelação da verdade, baseada em documentos oficiais que ficaram escondidos por décadas e só agora revelados.
As crescentes dificuldades enfrentadas pela nova República e as disputas políticas na região do Prata, preocupantes para as autoridades do Império, impuseram às duas partes negociações de paz. Uma vitória militar decisiva dos farrapos sobre o exército imperial, comandado pelo então Barão de Caxias, tornara-se cada vez mais inviável. Por parte do Império era importante terminar logo a luta e buscar uma paz negociada, pois tudo indicava a inevitabilidade da luta com os vizinhos platinos. Mas para as duas partes era importante resolver a questão dos negros em armas. Os revoltosos haviam prometido liberdade aos negros que lutavam no exército farroupilha e com isso a Corte Imperial não concordava. Era um perigo para os escravocratas brasileiros um grande número de negros armados. E se eles, agora bastante coesos, procurassem asilo no Uruguai e a partir daí continuassem a guerra com táticas de guerrilhas, fazendo do território uruguaio seu santuário? Isso levaria à guerra e “poderia provocar graves problemas com a Argentina de Juan Rosas” (LEITMAN Spencer, Negros Farrapos: hipocrisia racial no sul do Brasil no séc.XIX e DACANAL José, A Revolução Farroupilha: história e interpretação. Porto Alegre: Mercado Aberto.1985. p. 72)
Pelo lado dos farrapos, Bento Gonçalves foi afastado da liderança, e os novos líderes, David Canabarro e Antônio Vicente da Fontoura, ambos escravocratas, negociavam a paz com Caxias. A promessa de liberdade para os combatentes negros depois de 10 anos de abnegadas e vitoriosas lutas deles nas batalhas pesava muito nas negociações.
Foi neste contexto que aconteceu, na madrugada de 14 de novembro de 1844, o “Massacre de Porongos” em que os Lanceiros Negros - previamente desarmados por Canabarro e separados do resto das tropas - foram atacados de “surpresa” e dizimados pelas tropas imperiais comandadas pelo Cel. Francisco Pedro de Abreu (o Moringue), através de um conluio entre o barão (mais tarde duque) de Caxias e o gen. Canabarro para se livrarem dos negros em armas e poderem finalmente assinar a Paz de Ponche Verde. “Traição de Porongos, que mais foi a matança de um só lado do que peleja, dispersou a principal força republicana e manifestou morta a rebelião. (...) Em Porongos pois, a revolução expirou. Foi daí que seguiu-se o entabulamento das negociações, que deram tranqüilidade ao Rio Grande do Sul” (ARARIPE, Tristão de Alencar. Guerra civil no Rio Grande Do Sul: memória acompanhada de documentos lida no Instituto Histórico Geográfico do Brasil. Porto Alegre, CORAG, 1986, p.211).
“Caxias confiava no poder do ouro. Com poderes ilimitados e verbas consideráveis para sobrepor-se aos “obstáculos pecuniários” que surgissem ao negociar com os líderes farrapos, ele tentou um acordo com David Canabarro, o principal general farrapo, para terminar a guerra. De comum acordo decidiram destruir parte do exército de Canabarro, exatamente seus contingentes negros, numa batalha pré-arranjada, conhecida como “Surpresa de Porongos” em 14 de Novembro de 1844” (LEITMAN, Spencer. Negros Farrapos ...Idem p. 75)
Em suas instruções secretas a Moringue, o comandante da operação, Caxias, orientou-o no sentido de poupar brancos e índios, que poderiam ser úteis para futuras lutas.
Cópia integral dessas “instruções secretas” encontra-se no Arquivo Histórico do Rio Grande do Sul e nela está afirmado: Reservado: “Senhor Cel. Francisco Pedro de Abreu (...) Regule V.S. suas marchas de maneira que no dia 14, às duas horas da madrugada possa atacar as forças ao mando de Canabarro que estará neste dia no cerro dos Porongos (...) Suas marchas devem ser o mais ocultas que possível seja, inclinando-se sempre sobre a sua direita, pois posso afiançar-lhe que Canabarro e Lucas ajustaram ter as suas observações sobre o lado oposto. No conflito, poupe o sangue brasileiro o quanto puder, particularmente da gente branca da Província ou índios, pois bem sabe que essa pobre gente ainda nos pode ser útil no futuro. A relação justa é das pessoas a quem deve dar escapula, se por casualidade caírem prisioneiros. Não receie a infantaria inimiga, pois ela há de receber ordem de um ministro de seu general em chefe para entregar o cartuchame sob o pretexto de desconfiarem dele. Se Canabarro ou Lucas forem prisioneiros, deve dar-lhes escapula de maneira que ninguém possa nem levemente desconfiar, nem mesmo os outros que eles pedem que não sejam presos (...) 9 de novembro de 1844.Barão de Caxias” [AHRS. Anais do Arquivo Histórico do Rio Grande do Sul-Volume 7. Porto Alegre, 1963. P.30/31].
Canabarro cumpriu sua parte no combinado, deu ordem ao quartel-mestre para recolher o cartuchame de infantaria e carregá-lo em cargueiros para serem distribuídos quando aparecesse o inimigo e separou os negros farrapos do resto da tropa. Isolados e desconhecendo a traição de seu comandante, os Lanceiros Negros resistiram bravamente antes de serem liquidados. O “Combate de Porongos” - no qual oitenta, de cada cem mortos, eram negros - abriu caminho para a Paz de Ponche Verde alguns meses depois.
A indignação de Bento Gonçalves com Canabarro é revelada logo após o “combate” de Porongos quando diz que os “caminhos indispensáveis por onde Canabarro tinha de avançar eram tão visíveis que só poderiam ser ignorados por quem não quisesse ver nem ouvir ou por quem quisesse ouvir a traidores, talvez comprados pelo inimigo! (...) Perder batalhas é dos capitães e ninguém pode estar livre disto; mas dirigir uma massa e prepará-la para sofrer uma surpresa semelhante (...) é (...) covardia do homem que assim se conduz”. [Arquivo Histórico do Rio Grande do Sul. Coletânea de Documentos de Bento Gonçalves da Silva. 1835/1845]
Poucos dias depois, Teixeira Nunes e os Lanceiros Negros remanescentes são enviados por Canabarro para uma ação altamente temerária na retaguarda inimiga (sobre a qual pairam também suspeitas). Atacados por Chico Preto, são aniquilados e seu comandante é ferido e depois assassinado.
Tal como nos dias de hoje em que as autoridades do país escondem seus crimes hediondos, alguns contra a humanidade, amparadas por leis fraudulentamente arrancadas de um congresso corrupto até a alma, como é o caso dos crimes praticados pelas autoridades civil e militar durante o período 64/85, a “Traição de Porongos” permaneceu como um segredo guardado a sete chaves por muitos anos. "
*Artigo deCEBRASPO - Centro Brasileiro de Solidariedade aos Povos*
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Pra quem não sabe ,hoje 20 de Setembro, é feriado estadual no Rio Grande do Sul. Se Comemora a revolução Farroupilha. Este é o hino do Rio Grande do Sul :
Como aurora precursora
Do farol da divindade
Foi o 20 de Setembro
O precursor da liberdade
Mostremos valor constância
Nesta ímpia e injusta guerra
Sirvam nossas façanhas
De modelo a toda Terra
De modelo a toda Terra
Sirvam nossas façanhas
De modelo a toda Terra
Mas não basta pra ser livre
Ser forte, aguerrido e bravo
Povo que não tem virtude
Acaba por ser escravo (* Linha 15 oficial*)
Mostremos valor constância
Nesta ímpia e injusta guerra
Sirvam nossas façanhas
De modelo a toda Terra
De modelo a toda Terra
Sirvam nossas façanhas
De modelo a toda Terra
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Escravo? Liberdade? Que Papo é esse?
Acho melhor estudar mais a fundo nosso passado.
Os escravocratas dessa história eram os Farrapos. Após dez anos de luta e promessa de liberdade. assassinaram friamente todos seus soldados negros que conduziram às maiores vitórias das tropas de Bento Gonçalves.
Sente-se um pouco, pois vou lhe contar sobre o MASSACRE DE PORONGOS "Depois de lutarem, durante dez anos, não por dinheiro ou impostos, mas pela liberdade, no dia 14 de novembro de 1844 foram miseravelmente traídos no mais vergonhoso episódio dessa guerra, conhecido como “O Massacre de Porongos”. Desarmados, por seu comandante Canabarro, esses homens foram traiçoeiramente entregues a sanha historicamente genocida de Caxias.
"A Revolução Farroupilha foi a mais longa revolta republicana contra o Império escravocrata e centralizador brasileiro. Os grandes e poderosos proprietários de terras gaúchos, sentindo-se desfavorecidos pelas leis federais, principalmente pelos impostos considerados excessivos, entram em negociações com o governo regencial. Tais negociações, consideradas insatisfatórias, criam um crescente estado de tensão até o rompimento definitivo e a declaração de guerra, em 20 de setembro de 1835.
Depois do combate travado em Bagé, conhecido como “a Batalha do Seival”, em que as forças imperiais foram surpreendente e rotundamente derrotadas, surge um movimento político dissidente e separatista. Com sua radicalização é proclamada a independência e criada a República Rio-Grandense frente ao Império do Brasil, propondo uma República Federativa às demais províncias que viessem a separar-se do Império e assumissem a forma republicana.
Para lutar por “um país independente” foi necessário juntar as tropas dos generais que aderiram à causa e assim foi formado o “exército farroupilha” liderado pelo Gen. Bento Gonçalves. Na verdade, os verdadeiros protagonistas dessa luta foram os negros, os índios, os mestiços e os brancos pobres que lutaram de forma abnegada pela recém criada República e por espaços de liberdade, buscando um futuro melhor para si e para os seus. Entre os generais está um abolicionista convicto, Antônio de Souza Netto, que não só coloca a libertação dos escravos como um dos “ideais farroupilha” como propõe a participação dos negros na luta dos farrapos. Num primeiro momento a idéia é rejeitada. Porém, em 4 de outubro de 1836”, depois da “Derrota de Fanfa”, em que Bento Gonçalves foi preso e o exército farroupilha teve excessivas baixas, eles não vacilaram em libertar os escravos que, em troca, se engajaram no exército farroupilha. Assim foi criada a unidade militar que ficou conhecida como os Lanceiros Negros.
Nesse corpo de Lanceiros Negros só havia branco os oficiais superiores. Os negros eram os melhores domadores de cavalos da província. Suas lanças eram maiores do que as ordinárias, os rostos pretos como azeviche. Seus corpos robustos e a sua perfeita disciplina os tornavam o terror dos imperiais. A participação decisiva dos Lanceiros Negros foi ressaltada pelo republicano Giuseppe Garibaldi - “herói dos dois mundos” - em sua biografia escrita por Alexandre Dumas: “soldados de uma disciplina espartana, que com seus rostos de azeviche e coragem inquebrantável, punham verdadeiro terror ao inimigo” ou ainda “...mas nunca vi, em nenhuma parte, homens mais valentes, ...em cujas fileiras aprendi a desprezar o perigo e combater dignamente pela causa sagrada das nações...” (GARIBALDI,Giuseppe, em FAGUNDES, M. Calvet, História da Revolução Farroupilha. EDUCS.1989.p. 9).
Depois de lutarem, durante dez anos, não por dinheiro ou impostos, mas pela liberdade, no dia 14 de novembro de 1844 foram miseravelmente traídos no mais vergonhoso episódio dessa guerra, conhecido como “O Massacre de Porongos”. Desarmados, por seu comandante Canabarro, esses homens foram traiçoeiramente entregues a sanha historicamente genocida de Caxias.
A “Traição de Porongos” e o Massacre dos Lanceiros Negros
Como explicar aos brasileiros tamanha covardia e a baixeza moral perpetradas por dois homens, David Canabarro e Duque de Caxias, ambos idolatrados como “heróis” pela historiografia oficial - um deles até considerado “patrono do Exército” - durante a chamada Revolução Farroupilha? Os historiadores oficiais criaram deliberadamente imagens falsas de Porongos procurando não macular “seus” heróis. Entretanto, a hediondez dos acontecimentos só nos permite uma coisa: não a explicação, mas a revelação da verdade, baseada em documentos oficiais que ficaram escondidos por décadas e só agora revelados.
As crescentes dificuldades enfrentadas pela nova República e as disputas políticas na região do Prata, preocupantes para as autoridades do Império, impuseram às duas partes negociações de paz. Uma vitória militar decisiva dos farrapos sobre o exército imperial, comandado pelo então Barão de Caxias, tornara-se cada vez mais inviável. Por parte do Império era importante terminar logo a luta e buscar uma paz negociada, pois tudo indicava a inevitabilidade da luta com os vizinhos platinos. Mas para as duas partes era importante resolver a questão dos negros em armas. Os revoltosos haviam prometido liberdade aos negros que lutavam no exército farroupilha e com isso a Corte Imperial não concordava. Era um perigo para os escravocratas brasileiros um grande número de negros armados. E se eles, agora bastante coesos, procurassem asilo no Uruguai e a partir daí continuassem a guerra com táticas de guerrilhas, fazendo do território uruguaio seu santuário? Isso levaria à guerra e “poderia provocar graves problemas com a Argentina de Juan Rosas” (LEITMAN Spencer, Negros Farrapos: hipocrisia racial no sul do Brasil no séc.XIX e DACANAL José, A Revolução Farroupilha: história e interpretação. Porto Alegre: Mercado Aberto.1985. p. 72)
Pelo lado dos farrapos, Bento Gonçalves foi afastado da liderança, e os novos líderes, David Canabarro e Antônio Vicente da Fontoura, ambos escravocratas, negociavam a paz com Caxias. A promessa de liberdade para os combatentes negros depois de 10 anos de abnegadas e vitoriosas lutas deles nas batalhas pesava muito nas negociações.
Foi neste contexto que aconteceu, na madrugada de 14 de novembro de 1844, o “Massacre de Porongos” em que os Lanceiros Negros - previamente desarmados por Canabarro e separados do resto das tropas - foram atacados de “surpresa” e dizimados pelas tropas imperiais comandadas pelo Cel. Francisco Pedro de Abreu (o Moringue), através de um conluio entre o barão (mais tarde duque) de Caxias e o gen. Canabarro para se livrarem dos negros em armas e poderem finalmente assinar a Paz de Ponche Verde. “Traição de Porongos, que mais foi a matança de um só lado do que peleja, dispersou a principal força republicana e manifestou morta a rebelião. (...) Em Porongos pois, a revolução expirou. Foi daí que seguiu-se o entabulamento das negociações, que deram tranqüilidade ao Rio Grande do Sul” (ARARIPE, Tristão de Alencar. Guerra civil no Rio Grande Do Sul: memória acompanhada de documentos lida no Instituto Histórico Geográfico do Brasil. Porto Alegre, CORAG, 1986, p.211).
“Caxias confiava no poder do ouro. Com poderes ilimitados e verbas consideráveis para sobrepor-se aos “obstáculos pecuniários” que surgissem ao negociar com os líderes farrapos, ele tentou um acordo com David Canabarro, o principal general farrapo, para terminar a guerra. De comum acordo decidiram destruir parte do exército de Canabarro, exatamente seus contingentes negros, numa batalha pré-arranjada, conhecida como “Surpresa de Porongos” em 14 de Novembro de 1844” (LEITMAN, Spencer. Negros Farrapos ...Idem p. 75)
Em suas instruções secretas a Moringue, o comandante da operação, Caxias, orientou-o no sentido de poupar brancos e índios, que poderiam ser úteis para futuras lutas.
Cópia integral dessas “instruções secretas” encontra-se no Arquivo Histórico do Rio Grande do Sul e nela está afirmado: Reservado: “Senhor Cel. Francisco Pedro de Abreu (...) Regule V.S. suas marchas de maneira que no dia 14, às duas horas da madrugada possa atacar as forças ao mando de Canabarro que estará neste dia no cerro dos Porongos (...) Suas marchas devem ser o mais ocultas que possível seja, inclinando-se sempre sobre a sua direita, pois posso afiançar-lhe que Canabarro e Lucas ajustaram ter as suas observações sobre o lado oposto. No conflito, poupe o sangue brasileiro o quanto puder, particularmente da gente branca da Província ou índios, pois bem sabe que essa pobre gente ainda nos pode ser útil no futuro. A relação justa é das pessoas a quem deve dar escapula, se por casualidade caírem prisioneiros. Não receie a infantaria inimiga, pois ela há de receber ordem de um ministro de seu general em chefe para entregar o cartuchame sob o pretexto de desconfiarem dele. Se Canabarro ou Lucas forem prisioneiros, deve dar-lhes escapula de maneira que ninguém possa nem levemente desconfiar, nem mesmo os outros que eles pedem que não sejam presos (...) 9 de novembro de 1844.Barão de Caxias” [AHRS. Anais do Arquivo Histórico do Rio Grande do Sul-Volume 7. Porto Alegre, 1963. P.30/31].
Canabarro cumpriu sua parte no combinado, deu ordem ao quartel-mestre para recolher o cartuchame de infantaria e carregá-lo em cargueiros para serem distribuídos quando aparecesse o inimigo e separou os negros farrapos do resto da tropa. Isolados e desconhecendo a traição de seu comandante, os Lanceiros Negros resistiram bravamente antes de serem liquidados. O “Combate de Porongos” - no qual oitenta, de cada cem mortos, eram negros - abriu caminho para a Paz de Ponche Verde alguns meses depois.
A indignação de Bento Gonçalves com Canabarro é revelada logo após o “combate” de Porongos quando diz que os “caminhos indispensáveis por onde Canabarro tinha de avançar eram tão visíveis que só poderiam ser ignorados por quem não quisesse ver nem ouvir ou por quem quisesse ouvir a traidores, talvez comprados pelo inimigo! (...) Perder batalhas é dos capitães e ninguém pode estar livre disto; mas dirigir uma massa e prepará-la para sofrer uma surpresa semelhante (...) é (...) covardia do homem que assim se conduz”. [Arquivo Histórico do Rio Grande do Sul. Coletânea de Documentos de Bento Gonçalves da Silva. 1835/1845]
Poucos dias depois, Teixeira Nunes e os Lanceiros Negros remanescentes são enviados por Canabarro para uma ação altamente temerária na retaguarda inimiga (sobre a qual pairam também suspeitas). Atacados por Chico Preto, são aniquilados e seu comandante é ferido e depois assassinado.
Tal como nos dias de hoje em que as autoridades do país escondem seus crimes hediondos, alguns contra a humanidade, amparadas por leis fraudulentamente arrancadas de um congresso corrupto até a alma, como é o caso dos crimes praticados pelas autoridades civil e militar durante o período 64/85, a “Traição de Porongos” permaneceu como um segredo guardado a sete chaves por muitos anos. "
*Artigo deCEBRASPO - Centro Brasileiro de Solidariedade aos Povos*
sexta-feira, 9 de março de 2012
E quando eu voltar a ser criança.
Quando era mais novo, costumava dizer que as crianças têm sonhos, os jovens e adolescentes têm planos e os adultos têm bens e dívidas. Eu não sabia, bem ao certo, o que estava dizendo, mas a cada dia que passava e me aproximava da passagem da juventude para a vida adulta, esta frase me incomodava cada vez mais e começava a fazer um grande sentido.
Pesquisas científicas dizem que durante o primeiro ano de vida o cérebro humano se desenvolve tão fantasticamente que “se esquece” de fazer com que o corpo aprenda a caminhar. Será que além de caminhar nosso cérebro não esqueceu “algo mais” lá na infância? Antes eu contava os dias para fazer dezoito anos e agora me pergunto: e quando eu voltar a ser criança? Vou fazer tudo de novo ou vou fazer tudo novo?
É evidente que o tempo não para e nem poderá voltar, mesmo que somente desta vez... Mas gosto deste ledo engano... Gosto de ter essa falsa esperança.
O que mais me fascina na criança é a constante vontade de descobrir e conseguir se fascinar com as mais simples descobertas “sensitíveis” do dia-a-dia. Ainda me lembro dos meus dias de jardim de infância onde corríamos todos enlouquecidamente para andarmos de balanço. Aquilo era uma sensação incrível, me trazia um prazer imensurável! Hoje voltei a andar de balanço, mas não consegui sentir nada de especial... É como se algo realmente tivesse ficado para traz, mas o que será que deixei na minha infância?
Enquanto eu “adultecia” virei um jogador de videogame, comemorando e descobrindo cada novo jogo com suas histórias e fases desafiadoras. Apaixonei-me pelas músicas da Legião Urbana, lembro-me que cada música que escutava pela primeira vez me trazia um “mix” de emoção e força que até hoje não consigo explicar. E assim fui vivendo uma série arrasadora de experiências “sensitíveis”... o primeiro amor, o primeiro beijo, a primeira vez sobre um palco de teatro, a primeira medalha, a primeira vez com um banquinho e o violão, a primeira transa sexual, o primeiro emprego, a primeira demissão, a primeira cavalgada, a primeira habilitação, o primeiro tiro, a primeira banca, a primeira vez no SPC, o casamento, o primeiro carro, a primeira casa, o nascimento da minha filha, etc...
“Mas de uns tempos pra cá, meio sem querer”, a vida tem se tornado meio chata. Tudo parece ser tão igual e os sentimentos da descoberta e da surpresa estão cada vez mais difíceis de aflorar em meu coração.
Estou ficando velho, cheio de dívidas, bens, deveres e preocupações... Estou ficando cada vez mais adulto e acho que é isso que separa o jovem do adulto: a naturalidade com que vemos o mundo.
Acho que deixei “algo” perdido na minha infância e tenho a esperança que novas experiências, como observar o desenvolvimento da minha filha, me ajudarão a encontra-lo.
Fabio Goulart 2006-2012.
Trago-lhes este texto em formato de crônica para que desfrutem despudoradamente. Escrevi este texto originalmente quando tinha obscenos 18 anos. Hoje à tarde o achei em meio a algumas coisas velhas resolvi reescreve-lo trazendo a experiência e o conhecimento dos meus atuais 24 anos. BOA LEITURA!!! Se CURTIR não se esqueçam de COMPARTILHAR com os amigos e recomendar o blog www.filosofiahoje.com ABRAÇOS !!!
sexta-feira, 30 de dezembro de 2011
Porque é tão bom ter um gatinho. Homenagem ao Pompom e ao pequeno Maru que se foram...( Adeus Ano Velho )
Eu sempre gostei de gatos. Eles sempre foram meus animais favoritos.
*Eu ainda pequeno com gatinhos*
Gosto também de cachorros e de todos os animais... Mas os gatos sempre me fascinaram de um jeito especial.
Acho que pelo mistérios e pela leveza que eles carregam, pelo andar elegante, pelo olhar sempre atento e vidrado, pela higiene, pela velocidade surpreendente, pelo carinho incondicional e oportuno, etc... não há um motivo para eu gostar tanto de gatos, mas eu gosto.
A alguns anos atrás tive um gato que era simplesmente incrível, ele foi o primeiro presente que eu e minha esposa ganhamos logo que fomos morar juntos. Ele era predominantemente branco com o rosto e o rabo amarelos... Super gordinho e tinha uma mancha exatamente redonda nas costas na cor amarela. Por isso lhe damos o nome de POMPOM.
*Pompom lendo um livro na nossa humilde primeira casa*
A relação entre eu e minha esposa foi se desenvolvendo de acordo com o crescimento do POMPOM. E ele teve uma vida agitada. Gostava de noitadas e cantoria, mas sempre estava lá para me receber... Quando eu voltava pra casa após semanas no quartel...Pompom estava lá... quando tomei antidepressivos... Pompom estava lá... quando compramos nosso primeiro carro Pompom estava lá... quando compramos nossa casa própria... Pompom estava lá... quando fiquei desempregado... Pompom estava lá... Vivemos muitos histórias e Pompom sempre estava lá, como seu ronrono e seu carinho, ele era muito malandro e curioso, ainda hoje é possível achar algum pelinho dele numa roupa guardada no roupeiro... Mas um dia percebemos que Pompom ele estava com dificuldade para urinar, mas não demos muita atenção, não parecia ser muito sério... mas uns três dias depois eu estava no pátio cortando grama, Pompom estava no meu lado como sempre esteve, ele olhou no fundo dos meus olhos e deu um miado mais grosso que o normal, tentou pular a janela e não conseguiu... Peguei-o no colo... Senti que ele estava fraco, forçando a respiração... Não pensei duas vezes, enrolei o Pompom num roupão de banho que ele adorava e levamos na clinica veterinária mais próxima. A médica falou que ele tinha cálculos renais que não estavam permitido o gatinho urinar. Estávamos sem dinheiro, mesmo assim pedimos para que fosse feito tudo que se podia fazer. Se necessário faríamos um empréstimo o qualquer coisa do tipo... Parecia que ia ficar tudo bem... antes de sair, Pompom fez carinho esfregando sua cabeça em mim e miando fino mais uma vez... aquela noite foi terrível... chovia muito... eu e minha mulher chorávamos mais ainda...mas Parecia que ia ficar tudo bem... Não conseguimos dormir, a Veterinária tinha dito que se algo acontecesse ela ligaria... como ela não ligou, achamos que estava tudo bem... na primeira hora da manha fomos até a clínica e recebemos a pior noticia possível... Após receber os sedativos, a pressão caiu muito e ele não resistiu... Pompom que era tão esperto, que gostava de ir pra todo lugar que eu ia, mesmo na rua enfrentava os cachorros, que corria por cima das casa, que cassava passarinhos, que dormia nos cantos mais estranhos da casa, que gostava de carinho e dava carinho para todo mundo, que atendia prontamente ao primeiro chamado de seu nome, que sobreviveu a uma mordia de cacho e a um tiro de arma de fogo... Pompom de tantas histórias e tantas alegrias, mas que sempre estava lá nos esperando... estava morto... gelado, enrolado no seu roupão de banho, lindo e gorducho como da primeira vez que eu lhe vi... porém ele não mais me contaria nenhuma história.
A dor foi terrível... fiz questão de preparar uma lapide com as próprias mãos... tal como se estivesse preparando sua última caminha... chovia muito e a chuva lavava meu rosto... Deitei Pompom suavemente em sua última cama...enrolado em seu roupão com seus potes de ração e água, que era tudo que ele tinha além de nosso amor e carinho... Por mais que os gatos gostam de conforto, eles não precisam de carros e casas maravilhosas para serem feliz... A dor foi terrível enquanto eu o cobria com cimento e terra... essa dor ficou terrível nas semanas que se passaram... Mas as alegrias de sua vida foram maiores, é elas que devem ser lembradas. Pompom só tina 5 anos, mas foram cinco anos intensos... Quem tem gato sabe que ele não vai abanar o rabo ou fazer um fiasco quando você chega, mas ele vai estar lá... ronronando lhe virá dar carinho e se aprochegar em seu colo.
Com a perda de Pompom, me acovardei. Disse para minha mulher e para o resto do mundo que não queria ter mais nenhum gatinho por um bom tempo. Embora amasse esses bichanos, não estava pronto para a possibilidade de sentir essa dor novamente tão cedo.
Se passou mais de um ano. 2011 vinha sendo um ótimo ano. Recebi uma sonhada promoção no serviço, me formei na faculdade, minha mulher entrou na faculdade, descobrimos que estamos grávidos da pequena Maria Luiza, a notícia mais importante e linda da minha vida!!! De repente as coisas começaram a degringolar... Fui demitido sem justo motivo e sem nenhum tipo de aviso ou coisa do tipo... os dias estão passando e até agora não consegui sacar o seguro desemprego por causa se um erro do setor de RH. As contas não param de chegar e nada de conseguir um emprego no mesmo nível do meu antigo. Minha esposa sempre me deu força e achou o momento certo para trazer uma nova alegria para dentro de casa.
Enquanto fazíamos as compras no Hiper Mercado ela me pediu a chave do carro para botar um presente. Quando fui colocar as compras no porta-malas lá estava MARU. Um filhote lindo de uns dois meses aproximadamente, ele estava dormindo, todo esticadão... quando abri a tampa e conversei com ele... ele olhou no fundo dos meus olhos, deu um miado fino, me fez carinho e voltou a dormir.
*MARU lindo e esperto*
MARU era muito lindo. Pelo branco com algumas manchas entre o cinza e marrom, orelhas cinzas e rabo brasino, além dos belos olhos bens azuis. Ele iria ser abandonado no mato, mas minha mulher lhe ofereceu um lar e muito amor.
A alegria de ter um gato novamente em casa foi incrível! Principalmente um filhote brincalhão, bagunceiro, carinhoso e preguiçoso como era o Maru. Ele corria pela casa, caçava mosquitos e moscas enlouquecidamente! Uma noite houve uma invasão de cascudos e Maru se mostrou o caçador numero um destes insetos... até um cascudo enorme de uns 10cm Maru perseguiu!
Maru ia seguir os passos de seu xará japonês e virar sucesso na internet, ele já estava bombando no meu Facebook... Parecia que ia ficar tudo bem... Na última noite ele estava carinhoso como sempre, não adiantava minha mulher tirar que ele voltava para o colo, não deixa ninguém usar o teclado do computador... só queria dar muito carinho.
Pela manhã meu pai venho à minha casa e foi recebido com Maru rolando aos seus pés. Ficamos envolvidos com a obra do “puxadinho” aqui de casa, que logo será nosso novo quarto e uma nova cozinha, afinal a família está crescendo. Enquanto virávamos a massa e sentávamos os tijolos, Maru achava tudo aquilo muito divertido, se enrolava no plumo, se escondia nos tijolos... se sujou todo de cimento! Fomos almoçar, Maru ficou comportado ao lado da mesa nos olhando com seus vidrados olhos azuis. Eu até me surpreendi, afinal ele era tão jovem e já sabia que não podia subir na mesa! Terminada a refeição paramos para assistir TV, estava dando uma reportagem sobre animais abandonados pelos donos e doação... exatamente a história de Maru... Ele subiu na estante e começou a brincar com as imagens na dos outros gatos e cachorros da TV... como se falace: “Olha era isso que ia acontecer comigo e você me salvou”... Meu pai falou que ele poderia furar a TV, eu não preocupei deixei ele brincar... Nada tão bom quanto ter toda aquela alegria dentro de casa!
Depois disso peguei ele no colo, fiz carinho, tirei um pouco do cimento de seu pelinho e coloquei Maru em cima da cama...
Passado uns dez minutos era hora de voltar a obra. Quando fui até a frente de casa abrir o portão para tirar o carro e ir comprar mais cimento, vi que Maru estava deitado no pátio do vizinho, Chamei ele apenas uma vez... ele não levantou a cabeça nem miou como da primeira vez... mesmo estando um dia muito quente de verão, ventava um vento frio que balançava os pelinhos brancos do Maru... foi ai que eu percebi que ele não mais respirava e que havia sangue no chão... Naquele momento, toda aquela maldita dor voltou... eu não veria Maru crescer, ele não brincaria com a Maria Luiza, não afiaria mas as unhas no sofá, não teria vídeos na internet, não caçaria mais cascudos, não voltaria a brincar com a TV, nem poderia dar mais carinho... O idiota do vizinho tirou o carro da garagem como um animal, não percebeu que Maru estava embaixo da roda, nem deu chance para ele sair... idiota maldito... não houve miado nem gemido... Maru não teve nenhuma chance... e mais uma vez eu não pude fazer nada... Maldita dor! Eu não queria enterrar outro gato tão cedo... olhar cada cantinho da casa onde ele deitava e ronronava é insuportável... sou muito fraco...
Tem gente por ai que fala que gatos são indiferentes e interesseiros... Quem fala isso são IDIOTAS que precisam de um bicho babando, fazendo fiasco e abanando o rabo com sua presença... INTERESSEIRO E INDIFERENTES SÃO OS SERES HUMANOS que sempre esperam algo em troca... que deixam pra depois... que escolhem o que querem esquecer para ganhar vantagens...SE APRENDI ALGUMA COISA COM POMPOM E MARU foi NUNCA DEIXAR PRA AMANHÃ O QUE SE PODE FAZER HOJE. Eles nunca deixaram de dar carinho, de abraçar, de dar amor... por isso os bichos não se importam com o futuro, pois SABEM AMAR NO PRESENTE... já nós seres humanos e racionas, trocamos abraços por promessas, carinhos por bugigangas, sorrisos por hostilidades... perdemos muito tempo esperando por pedidos de desculpas.
*Ficamos pouco tempo juntos, mas valeu a pena... Ele não deixou nada pra depois*
Meu pai sempre diz que quando um mal acontece com um animal de estimação eram porque iria acontecer com um dono... eu queria acreditar nisso, mas sou racional demais para crendices... Só sei que quando Pompom morreu devido as complicações renais, minha mulher também estava com problemas nos rins e depois daquilo, nunca mais teve problemas, mesmo agora na gravidez... Eu tenho andado meio distraído, cabisbaixo, quem sabe não iria acontecer algo comigo nesse trânsito louco de fim de ano.
Enquanto estava escrevendo esse texto o telefone da minha mulher tocou, e nunca é bom quando isso acontece à meia noite e meia. Minha sogra que tem problemas cardíacos estava passando mal... tive que leva-la correndo como um doido para a emergência... Ela já chegou desacordada e agora está na UTI... está melhorendo... tomara que fique tudo bem... Não estou pronto para mais dor.
Adeus ano velho, adeus 2011! Finalmente 2012 está chegando! Vou lutar para construir um ano melhor, o ano que serei pai, o ano que deve ser o melhor da minha vida... Um ano novo de felicidade, um recomeço...
Como foi bom ter os gatinhos Pompom e Maru... Tomara que neste novo ano, tal como eles, eu consiga não deixar para amanhã os abraços e carinhos que posso dar agora... Pode ser que não exista amanhã.
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