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quinta-feira, 18 de julho de 2013
quarta-feira, 10 de julho de 2013
Protestos, espírito do tempo e espírito do povo: mediação - Opinião Filosófica #4
O filósofo G. W. F. Hegel elaborou dois conceitos para compreender os movimentos da
história: Zeitgeist (espírito do tempo) e Volksgeist (espírito do povo). Ele pensa o seu tempo,
conforme a estrutura lógico-conceitual, cuja expressão resulta na auto-organização e auto-
diferenciação da realidade histórico-cultural do povo alemão, no século XIX, que é desafiado a
elaborar a Constituição. Por isso a resposta à pergunta: Quem deve fazer a Constituição, encontra
na relação dialética entre o espírito do povo e o espírito do tempo o seu sentido. Hegel critica no que
diz respeito à elaboração da Constituição, tanto o revolucionarismo daqueles que desejam impor
constituições de fora, bem como o tradicionalismo dos que defendem um Estado estamental, que
impede o avanço para o Estado constitucional. A Constituição é algo que se desenvolve no tempo,
portanto, não é algo extraído da cabeça de um soberano. Daí a insistência hegeliana que todo o
povo tem a Constituição que lhe é apropriada. Hegel valoriza a história, o espírito do povo
(Volksgeist) e o espírito do tempo (Zeitgeist). Aquilo que corresponde ao espírito do povo pode não
coincidir com o espírito do tempo e vice-versa. Pois em determinados períodos históricos, sobretudo
em épocas de crise, em que ocorrem as grandes transformações, as acelerações da história, a
adequação ao espírito do tempo precede e faz avançar o espírito do povo. Ou seja, na filosofia da
história hegeliana, o espírito do povo representa o princípio da continuidade, e o espírito do tempo
encarna o princípio da mudança (cf. BOBBIO, N. Estudos sobre Hegel: Direito, Sociedade Civil.
1991, p. 108). A razão hegeliana não se sobrepõe à história, mas também não se limita a justificá-la,
daí a dialética entre o espírito do povo e o espírito do tempo. Essa dialética dá-se nos protestos.
Os recentes protestos que se espraiaram nas redes sociais, nas ruas e praças do espaço
geográfico-virtual do Brasil introduzem perguntas em várias esferas: Como organizar os eixos das
demandas sócio-econômico-políticas: Transporte, educação, saúde, moradia, reforma política,
democratização da mídia, polícia, copa e grandes eventos, minorias e direitos humanos, meio
ambiente e cultura? Como garantir o espaço de discussão e deliberação das demandas e propostas
das assembleias e organizações civis para o agenciamento das mediações da democracia direta e
representativa? Como elaborar uma reflexão teórico-prática da epistemologia em rede, influenciando
a teoria da agenda e, implicando uma nova opinião pública?
Os protestos brasileiros manifestam o desenvolvimento da trajetória da instituição das redes
sociais, de novas agendas e uma nova opinião pública, através de novos atores e cidadãos,
articulando na plasticidade das figurações institucionais a dialética do espírito do povo, do espírito
do tempo e do espírito do mundo: Um espírito de insurreição de massas humanas alastra-se pelo
mundo todo, ocupando as ruas e as praças. Primeiro, foi no norte da África, depois na Espanha com
os "indignados”, na Inglaterra e nos USA com os "occupies” e, agora, no Brasil com a juventude e
movimentos sociais. Esses movimentos afirmam as grandes conquistas da humanidade, carregadas
historicamente pelo espírito de um povo, na novidade de cada figuração histórica, apresentando, as
inovações teórico-práticas do espírito de seu tempo expressas pela opinião.
A opinião pública caracteriza-se pela impaciência, querendo, imediatamente a realização
dos seus direitos. A opinião não suporta a lentidão da paciência do conceito e o longo processo de
efetivação de suas determinações históricas. Pois, a opinião contém em si a força da contradição e
a reserva da indignação ética, mudando toda situação que não corresponde tanto aos interesses
particulares, como aos interesses universais. Porém, a opinião pública necessita de mediações.
(Filósofo Dr. Agemir Bavaresco)
sábado, 29 de junho de 2013
sexta-feira, 28 de junho de 2013
quarta-feira, 26 de junho de 2013
terça-feira, 25 de junho de 2013
Quem são os líderes dos novos protestos?
Acabamos com a mordomia de nossos "representantes"... Eles estavam achando que iriamos ficar babaqueados com o futebol e eles iriam emendar um mês extra de descaço antes do recesso... ACORDAMOS! Agora eles não vão conseguir dormir... a Copa das Confederações já era e o recesso também. A passagem do ônibus não subiu, a PEC37 caiu! PARABÉNS AO POVO BRASILEIRO! Estamos escrevendo a história, se eles forem espertos ficaram do nosso lado... E tem gente ainda procurando lideres... (Filósofo Fabio Goulart)
Tai uma coisa que os intelectuais, políticos e jornalistas de cabeça velha não conseguem entender...
QUANDO A COPA TRANSFORMOU-SE EM UM ASSALTO
Pentacampeão mundial, o Brasil esportivo sempre cultivou o senso comum de que o futebol alienava a população dos problemas sociais. Mas, ironicamente, é a preparação do País para receber a Copa do Mundo que acaba mobilizando brasileiros. Levantando a bandeira sem cor partidária, a população pede o fim da corrupção e do desperdício do dinheiro público, lamentavelmente tão comum em nosso Brasil. Mas os jovens ignoraram o forte apelo do futebol no congraçamento de povos e nações e passaram a promover pacíficas passeatas nas capitais.
Em momento oportuno, essas fortes manifestações populares ocorrem em plena Copa das Confederações, reforçando o ambiente democrático que vivemos. É da rua que vem o apelo para o fortalecimento do Judiciário, por exemplo. Com legislação frágil, é comum se prorrogar o cumprimento das decisões da Suprema Corte, contribuindo para o avanço da corrupção e impunidade dos ladrões do dinheiro público.
Como deputado de primeiro mandato e já em meu terceiro ano legislativo, sinto-me à vontade para criticar, porque há bom tempo me manifesto contra algumas barbaridades que por aqui ocorrem.
Estive com o governo federal quando o Brasil conquistou a sede da Copa do Mundo. Naquele momento, os dirigentes do país e nossa realidade política e econômica eram outras. As projeções para que o Mundial fosse um instrumento eficaz para geração de empregos e renda, promoção do turismo e fortalecimento da imagem do Brasil incentivaram-me a apoiar a proposta para receber a Copa.
Como campeão do mundo, tenho a dimensão do gigantismo e do poder desse evento para as cidades-sedes, em geral. Porém, fomos atingidos, também, pelas turbulências da economia mundial, aqui repercutindo na necessidade de o governo redimensionar sua política de gastos e investimentos, mas sem prejudicar a liberação de recursos para a Copa, mantendo os compromissos firmados com a poderosa FIFA.
Assim, a preparação das cidades para a Copa do Mundo passou a ter prioridade sobre outras necessidades da população. Os financiamentos foram direcionados para obras do futebol, em detrimento da saúde, da educação e da segurança, principalmente. A falta de investimentos na educação, por exemplo, contribuiu para que crescesse o número de pessoas sem futuro, repercutindo, lamentavelmente, em desocupados que foram para o crime, aumentando a insegurança nas principais capitais do país.
Em muitas cidades, a situação das instalações escolares é deplorável, sem condições mínimas para que ali se processe um aprendizado adequado pelos jovens. Os professores da rede pública, por sua vez, são muito mal remunerados. A desmotivação desses profissionais repercute no desempenho de suas funções e o resultado dessa falta de prioridades para o setor é que o Brasil figura em penúltimo lugar no índice de qualidade da educação, num ranking de 39 países, segundo a empresa Pearson. Pior: um a cada quatro alunos que inicia o ensino fundamental abandona a escola antes de completar a última série, segundo Relatório de Desenvolvimento 2012 do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNDU).
Na área da saúde a situação é grave e preocupante. São comuns os casos de doentes que recorrem aos hospitais públicos e têm seus problemas agravados pela falta de profissionais e até medicamentos para os primeiros socorros. Seguidamente, a imprensa registra mortes de pacientes em longas filas de hospitais, sem que ele tenha o atendimento inicial. Quem responde por essa irresponsabilidade criminosa?
Os problemas na educação, saúde e segurança vêm de governos anteriores, colocando o país em situação de vulnerabilidade social, apesar do fortalecimento dos índices de nossa economia. O país está entre as 10 maiores potências mundiais, mas como entender esse honroso ranking diante de necessidades extremas da população, com prejuízos sociais evidentes?
É nesse contexto que o Brasil se prepara para 2014. Não creio que a Copa resolva todos os nossos problemas, mas, como tenho dito, há um grande risco de que esse megaevento aprofunde os que já temos.
Ainda no governo do então presidente Lula da Silva, a proposta era termos um evento com participação maciça da iniciativa privada e transparência nos gastos públicos. Ocorreu exatamente o contrário. De um orçamento inicial de R$ 25,5 bilhões para estádios, mobilidade urbana, melhorias em portos e aeroportos, temos, hoje, investimentos de R$ 28 bilhões, segundo o secretário-executivo do Ministério do Esporte, Luiz Fernandes. Mas, na minha avaliação, este orçamento ainda pode aumentar muito.
Por que estamos organizando a mais cara das últimas Copas, sem os legados comunitários prometidos? A Copa no Brasil já está custando espetaculares R$ 28 bilhões de financiamentos e investimentos públicos, quase três vezes o aplicado na Alemanha, em 2006, e no Japão, em 2002. E o que dizer da África do Sul, que gastou quatro vezes menos do que o Brasil, R$ 7,1 bilhões? Além disso, os gastos de todas as cidades sedes foram além do previsto na reforma ou construção dos seus estádios. Em Brasília, capital da República, o Tribunal de Contas do Distrito Federal identificou o pagamento de serviços em dobro e até de serviços não realizados. Além disso, do orçamento inicial de R$ 650 milhões, o estádio de Brasília já consumiu R$ 1,2 bilhão, praticamente o dobro do previsto inicialmente.
Quanto às obras de mobilidade urbana para melhorar o tráfego nas cidades sede a situação é caótica. Dos 82 empreendimentos previstos, 25 não cumpriram o cronograma e apenas três mantêm orçamentos atualizados e prazos em dia. Se forem concluídas, estas reformas representarão apenas 5% do que estava previsto. Uma vergonha para o governo e ótimos motivos para a população protestar, com razão.
São números como esses que nos deixam indignados e contribuem para que apoiemos as manifestações populares, a fim de inverter a lógica desse sistema que privilegia o capital em detrimento do social. Não será para no estádio de futebol que os brasileiros buscarão a cura para suas doenças. E já não encontram socorro nos hospitais públicos, pois esse sistema está falido e precisa de uma reação enérgica do governo, sob pena de fragilizar a autoridade institucional.
Enquanto isso, a FIFA anuncia que terá um lucro de R$ 4 bilhões com a Copa no Brasil, livre de impostos. Esse contraste de lucro fácil contrasta com a total ausência de legados efetivos, como os da mobilidade urbana. A presidenta Dilma Rousseff repete o ex-presidente Lula, afirmando que realizaremos "a melhor Copa de todos os tempos". Não creio, pois falhamos no item básico, o de deixar à população um legado que orgulhasse a todos nós. Até aqui, só a FIFA está lucrando e é por isso, também, que a população vai às ruas para protestar, com razão.
(Romário - Deputado Federal pelo PSB - Texto escrito para o jornal inglês "The Guardian" sob o título "Este mega evento pode aprofundar os problemas do Brasil")
segunda-feira, 24 de junho de 2013
O QUE QUEREM OS MANIFESTANTES NOS PROTESTOS? POR QUE ESTÃO NAS RUAS FAZENDO TANTO BARULHO?
Giovani Alves diz que os protestos necessitam de uma mínima
plataforma política para lutar efetivamente contra as injustiças sociais. João
Alexandre Peschanski acredita que a indignação contra as mais variadas formas
de desigualdade social são claras, mas as ideias de igualitarismo dos
movimentos ainda são muito vagas. Tariq Ali questiona sobre contra o quê se
está lutando. Para Slavoj Zizek não basta criticar o sistema, os protestos
necessitam apresentar uma alternativa para poderem transformar o país. Concordo
com todas estas críticas, mas acho que são injustas frente a real natureza dos
movimentos de protesto que tomaram as ruas em 2013.
A maioria dos analistas está
tentando entender os protestos como ‘algo em si’ e por isso se precipitam em
suas análises. Julgo que estamos apenas acordando e dando os primeiros os primeiros
e necessários passos para tirar toda uma geração da inércia política. Visto
isso, outros passos nos são agora necessários para acelerar o processo que pode
nos levar a tão sonhada emancipação prometida por Kant na era do
Esclarecimento, bem como fará do mundo um lugar mais justo e igual para que
todos possam viver e desfrutar de nossas diferenças.
Não acho que a falta de propostas
seja um problema agora. Vivemos o momento de simplesmente nos unirmos e
compartilharmos vivências para protestarmos contra toda forma de violência e
ocultação da verdade. Neste momento é normal a falta de clareza nos discurso
dos manifestantes.
Esta é uma revolução do indivíduo.
Talvez em 500 anos de nossa história, está é a primeira vez que nos sentimos
indivíduos... O manifestante que vai as ruas conscientemente é como como o
prisioneiro da caverna de Platão que se liberta das correntes e deslumbra um
mundo muito além das sombras refletidas nas paredes. Porém ao voltar para a
caverna não consegue se expressar para os que continuam acorrentados, afinal
aprenderam durante toda a vida que tudo que existe são as sombras e que não se
necessita nada mais para viver. Da mesma forma que o prisioneiro foi condenado
por seus irmãos da caverna, muitos hoje condenam os manifestantes sob acusações
de românticos, radicais, sonhadores, vagabundos, baderneiros, vândalos e até de
loucos; mas o fato é que são eles os mais esclarecidos, porém estão
incapacitados de transmitir tal esclarecimento devido a falta recursos
intelectuais de todas as partes.
Ao invés de nos determos à
análise ou mesmo à crítica destes movimentos, intelectuais de todas as áreas
devem estar unidos e concentrados em busca à formulação de propostas realmente
novas, que supram as necessidades dos indignados e promovam igualdade social e
respeito aos diferentes. Normalmente este tipo de trabalho acadêmico
interdisciplinar de alto nível é difícil de ser elaborado, mas talvez a própria
organização horizontal que respeita as especialidades de cada indivíduo membro
aplicada nos protestos de 2013 seja o melhor caminho a ser tomado.
O Primeiro e mais importante
passo foi dado nas redes sociais, Depois foi à vez de ocuparmos as ruas e
praças. Agora temos o dever de gerarmos subsídios intelectuais para suprirmos o
vazio que fica após as os protestos. Caso contrário, corremos o risco de
deixarmos a porta aberta para antigos inimigos, como o totalitarismo, o
fundamentalismo, o extremismo religioso, etc. (Filósofo Fabio Goulart)
O QUE SÃO E QUAL A NOVIDADE DESTES PROTESTOS?
Antes de qualquer coisa, os protestos atuais devem ser entendidos como o grito dos oprimidos; como a voz do povo arranjando seu jeito de ser ouvida. Estamos falando de um movimento que está acontecendo agora, por isso talvez as críticas disponíveis ainda não sejam suficientemente esclarecedoras para sabermos a real magnitude disso tudo. O que posso afirmar é que ao contrário do que afirmou Immanuel Wallerstein, isto não tem nada a ver com políticas de esquerda. 2013 não é um ano bom para ninguém que defenda a política opressora tradicional, não importa se é de esquerda ou direita, pois este é o ano onde nós percebemos que se trata da luta dos 99% contra 1%, queremos o Brasil de volta, sabemos usar as redes e vamos as ruas. Julgo que os protestos são uma forma de aversão a toda forma de opressão, seja ela econômica, política, ou cultural. Estamos interessados em propostas totalmente novas. A resposta mais fiel ao espirito dos protestos que um manifestante pode dar à pergunta “-Qual é a proposta política de vocês?”, julgo que é: “-Não temos nenhuma proposta, mas sabemos que não estamos satisfeitos com as propostas atuais. Queremos algo novo. Chega de remendos!”.
Aliás, nada é mais injusto frente aos novos protestos do que tentar entende-los a partir de uma série de perguntas do tipo: qual a proposta, o que vocês querem, por que vocês estão aqui, etc. Estas perguntas só são esclarecedoras dentro da lógica opressora tradicional, pois tudo que buscam é reduzir a força revolucionárias dos movimentos em uma série de conceitos facilmente entendíveis, distorcidos e manipuláveis. Isso certamente deu um nó na cabeça dos mais tradicionais, não só dos opressores, mas também dos ativistas e estudiosos revolucionários. O fato é que muito além da causa defendida, todo protesto deve ser entendido como uma luta contra o sistema.
David Harvey ressalta a união dos corpos no espaço público como a grande marca destes movimentos. Não só ele mais a maioria dos analistas que li, acreditam que o retorno das discussões políticas às praças públicas tiveram muito mais importância do que os fluxos de comunicação pela internet. Neste ponto estão certos, porém não muito...
A indignação contra o sistema e sua lógica opressora não é de hoje. Porém estávamos condicionados a acreditar que se tratava de uma indignação solitária e pontual. A comunicação em redes, as pesquisas online e a propagação da informação sem comprometimento através de blogs e wiks nos colocou em contato com milhões de indignados de todo o mundo, algo completamente impensável dentro da lógica da antiga Indústria Cultural(Mídia, Rede Globo, plin-plin). Em pouco tempo a internet fez ver que éramos 99% de oprimidos lutando contra apenas 1% de opressores. O Brasil é nosso, não deles!
O primeiro e fundamental passo em direção a uma democracia melhor foi dado na internet. As manifestações em praça públicas foram apenas um segundo passo deste acordar. Não há nada de novo na utilização de ocupações de espaços públicos e privados como forma de protesto, vimos muitas vezes sindicatos, partido políticos e até o MST ocupar todo tipo de lugar, bem como vimos que o uso da violência é extremamente eficaz contra este tipo de protesto. O calor humano e as aglomerações podem ser facilmente dissipados com o uso de bombas e tiros: a guerra civil que a Síria vive atualmente reflete exatamente o que estou dizendo. Porém como o mundo virtual é um ambiente criado pelo ser humano e que pode ser manipulado e reconfigurado por qualquer hacker, todo tipo de bloqueio impostos contra manifestações online sempre pode ser facilmente superado. Julgo que os novos protestos devem ficar marcados na história não por suas semelhanças com velhas revoluções, mas sim por sua novidade fundamental que está baseada no uso da web 2.0 em favor dos oprimidos.
Quando a ocupação acaba, a revolução continua e se intensifica nos ambientes públicos e democráticos do mundo virtual. Para mim, esta é a quebra paradigmática na forma de se fazer revoluções que será lembrada daqui muitos anos quando se falar 2013.
(Filósofo Fabio Goulart)
Aliás, nada é mais injusto frente aos novos protestos do que tentar entende-los a partir de uma série de perguntas do tipo: qual a proposta, o que vocês querem, por que vocês estão aqui, etc. Estas perguntas só são esclarecedoras dentro da lógica opressora tradicional, pois tudo que buscam é reduzir a força revolucionárias dos movimentos em uma série de conceitos facilmente entendíveis, distorcidos e manipuláveis. Isso certamente deu um nó na cabeça dos mais tradicionais, não só dos opressores, mas também dos ativistas e estudiosos revolucionários. O fato é que muito além da causa defendida, todo protesto deve ser entendido como uma luta contra o sistema.
David Harvey ressalta a união dos corpos no espaço público como a grande marca destes movimentos. Não só ele mais a maioria dos analistas que li, acreditam que o retorno das discussões políticas às praças públicas tiveram muito mais importância do que os fluxos de comunicação pela internet. Neste ponto estão certos, porém não muito...
A indignação contra o sistema e sua lógica opressora não é de hoje. Porém estávamos condicionados a acreditar que se tratava de uma indignação solitária e pontual. A comunicação em redes, as pesquisas online e a propagação da informação sem comprometimento através de blogs e wiks nos colocou em contato com milhões de indignados de todo o mundo, algo completamente impensável dentro da lógica da antiga Indústria Cultural(Mídia, Rede Globo, plin-plin). Em pouco tempo a internet fez ver que éramos 99% de oprimidos lutando contra apenas 1% de opressores. O Brasil é nosso, não deles!
O primeiro e fundamental passo em direção a uma democracia melhor foi dado na internet. As manifestações em praça públicas foram apenas um segundo passo deste acordar. Não há nada de novo na utilização de ocupações de espaços públicos e privados como forma de protesto, vimos muitas vezes sindicatos, partido políticos e até o MST ocupar todo tipo de lugar, bem como vimos que o uso da violência é extremamente eficaz contra este tipo de protesto. O calor humano e as aglomerações podem ser facilmente dissipados com o uso de bombas e tiros: a guerra civil que a Síria vive atualmente reflete exatamente o que estou dizendo. Porém como o mundo virtual é um ambiente criado pelo ser humano e que pode ser manipulado e reconfigurado por qualquer hacker, todo tipo de bloqueio impostos contra manifestações online sempre pode ser facilmente superado. Julgo que os novos protestos devem ficar marcados na história não por suas semelhanças com velhas revoluções, mas sim por sua novidade fundamental que está baseada no uso da web 2.0 em favor dos oprimidos.
Quando a ocupação acaba, a revolução continua e se intensifica nos ambientes públicos e democráticos do mundo virtual. Para mim, esta é a quebra paradigmática na forma de se fazer revoluções que será lembrada daqui muitos anos quando se falar 2013.
(Filósofo Fabio Goulart)
domingo, 23 de junho de 2013
OS FILHOS DA COCA-COLA
Vladimir Safatle diz que sua geração, dotada de homens e mulheres que hoje passam dos quarenta anos de vida, foi a geração que quebrou o mundo. O que então resta para os filhos desta geração?
Parece-me que os riscos assumidos pela geração de nossos pais que hoje dominam os mercados financeiros e as lideranças políticas mundiais, foram demasiadamente altos. Poucos enriqueceram muito e muitos se afundaram em dividas ou na miséria absoluta. Por fim, entramos em uma crise econômica que não sabemos como sair, ou nas palavras do autor, esta geração “simplesmente conseguiu quebrar o mundo”.
Após a derrota do totalitarismo na segunda guerra mundial, a queda de muitas ditaduras e o fim do socialismo já há aproximadamente vinte anos atrás, o mundo parecia estar caminhando para o lugar certo. Talvez por isso os jovens daquela época caíram no erro de achar que não era mais necessária a participação popular nas grandes decisões do planeta. Tal geração se entregou à corrupção, à especulação imobiliária, à indústria cultural, aos abusos financeiros ao endividamento desenfreado, ao conceito de “viver bem” e acabaram por se esquecer de que não há vida boa sem calor humano, justiça, sustentabilidade ambiental e equidade social. Safatle se pergunta: “Como acreditamos durante tanto tempo que nenhum acontecimento real pudesse ocorrer?(...) como se acreditou durante tanto tempo que a roda da história estava parada(...)”(Safatle, 2012, p.54). Esta foi a geração que criou o maior de todos os movimentos totalitários, o movimento totalitário do dinheiro. Foram os homens que desacreditaram no poder das multidões entregando aos “místicos” princípios do liberalismo econômico o futuro do planeta e com isso colocaram em funcionamento uma das mais assassinas formas de poder da história da humanidade.
Eu sou um filho desta geração. Um jovem que como tantos outros desfrutamos de pouco mais ou pouco menos de vinte anos de idade e possuímos histórias de vida semelhantes. Passamos a infância em creches e escolas desacolhedoras. Ainda muito jovens tivemos nossa imagem fantasiosa do mundo manchada pelos ataques terroristas de onze de setembro. Assistimos vários colegas perderem suas vidas para as drogas, para o crime, ou para insanidade total que os levou a invadir a escola armados e prontos para massacres. Nossos pais perderem empregos de mais de trinta anos devido à súbita falência de suas empresas. Fomos tomados por um falsificado “espírito nacionalista libertador” que nos colocou em guerras contra inimigos que de fato nem existiam. Por fim, nos formamos na faculdade e nos deparamos com uma porção de promessas não cumpridas e com um mundo poluído e falido de herança.
Não acreditamos mais nas instituições tradicionais. A escola nos ensinou tudo errado, pois estava perfeitamente submetida à logica dominadora do sistema supracitado. A mídia não presta e mente para defender os interesses dos anunciantes. A igreja secularizou-se, matou deus, se converteu ao capitalismo e virou um mercadão da fé. A família se tornou uma utopia baseada nos alegres comerciais de margarina. Sindicatos e partidos políticos só defendem seus interesses privados. O clima e a economia se tornaram caóticos, poluídos e imprevisíveis. Estado Moderno se tornou uma instituição privada sob a tutela de políticos corruptos distantes do povo...
Se a geração anterior realmente acreditava que o mundo caminhava para o lugar certo e os mais jovens já sabem que isso é uma grande mentira, nós somos os filhos do meio da história. Somos os mais afetados, somos os esvaziados, somos os indignados. Temos o dever de protestar e contra o que foi necessário. Temos o direito que querer mudar o Brasil.
(Filósofo Fabio Goulart)
Foto de: Gustavo Basso www.gustavobasso.com
Parece-me que os riscos assumidos pela geração de nossos pais que hoje dominam os mercados financeiros e as lideranças políticas mundiais, foram demasiadamente altos. Poucos enriqueceram muito e muitos se afundaram em dividas ou na miséria absoluta. Por fim, entramos em uma crise econômica que não sabemos como sair, ou nas palavras do autor, esta geração “simplesmente conseguiu quebrar o mundo”.
Após a derrota do totalitarismo na segunda guerra mundial, a queda de muitas ditaduras e o fim do socialismo já há aproximadamente vinte anos atrás, o mundo parecia estar caminhando para o lugar certo. Talvez por isso os jovens daquela época caíram no erro de achar que não era mais necessária a participação popular nas grandes decisões do planeta. Tal geração se entregou à corrupção, à especulação imobiliária, à indústria cultural, aos abusos financeiros ao endividamento desenfreado, ao conceito de “viver bem” e acabaram por se esquecer de que não há vida boa sem calor humano, justiça, sustentabilidade ambiental e equidade social. Safatle se pergunta: “Como acreditamos durante tanto tempo que nenhum acontecimento real pudesse ocorrer?(...) como se acreditou durante tanto tempo que a roda da história estava parada(...)”(Safatle, 2012, p.54). Esta foi a geração que criou o maior de todos os movimentos totalitários, o movimento totalitário do dinheiro. Foram os homens que desacreditaram no poder das multidões entregando aos “místicos” princípios do liberalismo econômico o futuro do planeta e com isso colocaram em funcionamento uma das mais assassinas formas de poder da história da humanidade.
Eu sou um filho desta geração. Um jovem que como tantos outros desfrutamos de pouco mais ou pouco menos de vinte anos de idade e possuímos histórias de vida semelhantes. Passamos a infância em creches e escolas desacolhedoras. Ainda muito jovens tivemos nossa imagem fantasiosa do mundo manchada pelos ataques terroristas de onze de setembro. Assistimos vários colegas perderem suas vidas para as drogas, para o crime, ou para insanidade total que os levou a invadir a escola armados e prontos para massacres. Nossos pais perderem empregos de mais de trinta anos devido à súbita falência de suas empresas. Fomos tomados por um falsificado “espírito nacionalista libertador” que nos colocou em guerras contra inimigos que de fato nem existiam. Por fim, nos formamos na faculdade e nos deparamos com uma porção de promessas não cumpridas e com um mundo poluído e falido de herança.
Não acreditamos mais nas instituições tradicionais. A escola nos ensinou tudo errado, pois estava perfeitamente submetida à logica dominadora do sistema supracitado. A mídia não presta e mente para defender os interesses dos anunciantes. A igreja secularizou-se, matou deus, se converteu ao capitalismo e virou um mercadão da fé. A família se tornou uma utopia baseada nos alegres comerciais de margarina. Sindicatos e partidos políticos só defendem seus interesses privados. O clima e a economia se tornaram caóticos, poluídos e imprevisíveis. Estado Moderno se tornou uma instituição privada sob a tutela de políticos corruptos distantes do povo...
Se a geração anterior realmente acreditava que o mundo caminhava para o lugar certo e os mais jovens já sabem que isso é uma grande mentira, nós somos os filhos do meio da história. Somos os mais afetados, somos os esvaziados, somos os indignados. Temos o dever de protestar e contra o que foi necessário. Temos o direito que querer mudar o Brasil.
(Filósofo Fabio Goulart)
Foto de: Gustavo Basso www.gustavobasso.com
VAMOS MUDAR O BRASIL ???
VAMOS MUDAR O BRASIL ??? Um povo prova que está disposto a mudar sua realidade quando profana aquilo que normalmente consideraria sagrado. Tem algo mais sagrado do que o futebol no Brasil? Nem a novela das 9 é tão sagrada! Aliais: a novela também foi profanada com as sucessivas interrupções para mostrar os protestos... Acordamos! Não iremos descansar tão cedo ... (Filósofo Fabio Goulart)
SEM PARTIDO !!!
Se tem uma coisa em que no geral as pessoas não entendem e estão pronunciando muita burrice sobre o assunto é quanto ao grito “SEM PARTIDO”. Falo de burrice de todos os lados... Quando gritamos “SEM PARTIDO” não estamos pedindo o fim imediato dos partidos políticos. Se você está gritando pensando isso: está pensando de forma burra! O Grito de “SEM PARTIDO” significa que estamos ali não em nome ideologias ou de bandeiras, estamos ali “SEM PARTIDO”. Estamos em nome de nossos sofrimentos e dores reais e individuais. Queremos fazer do Brasil um país melhor e para isso não queremos dar o poder para um outro partido, acordamos e queremos ética e moral na política! Essa é uma luta nossa, e de todos, não pode ser da bandeira x ou y. Todos são bem vindos, mas deixe a bandeira partidária guardada pro ano que vem, pois agora é a hora de começarmos a planejar JUNTOS um novo país. (Filósofo Fabio Goulart)
sexta-feira, 21 de junho de 2013
Violência Policial nos Protestos de Porto Alegre - Brasil 20/06/2013
Aos gritos de "Sem Violência" e "queremos paz" a Polícia do Rio Grande do Sul atira e joga bombas em multidão que se deslocava pacificamente pelas ruas de Porto Alegre revindicando seus direitos! Reparem a chuva de tiros e bombas na segunda metade do vídeo!http://www.youtube.com/ watch?v=xnC_qwkrLEk EU ESTIVE LÁ E FILMEI A VERDADE
Bombas na multidão pacífica, desarmada, de costa e recuando!!!http://www.youtube.com/ watch?v=HxaAIjwv96s EU ESTIVE LÁ E FILMEI A VERDADE
Mais gás e bombas... sem ninguém agredir nem depredar nada! Assista os outros vídeos! http://www.youtube.com/ watch?v=GvBTFeLJtg4 EU ESTIVE LÁ E FILMEI A VERDADE
Algumas pessoas desmaiaram e a polícia continuo tocando bombas e gás, sem ajudar e sem espaço para o diálogo! Este vídeo é curto pq parei de filmar para ajudar os necessitados, na maioria jovens de 14 ou 15 anos... http://www.youtube.com/ watch?v=dkda5ZVNnGE EU ESTIVE LÁ E FILMEI A VERDADE
Bombas na multidão pacífica, desarmada, de costa e recuando!!!http://www.youtube.com/
Mais gás e bombas... sem ninguém agredir nem depredar nada! Assista os outros vídeos! http://www.youtube.com/
Algumas pessoas desmaiaram e a polícia continuo tocando bombas e gás, sem ajudar e sem espaço para o diálogo! Este vídeo é curto pq parei de filmar para ajudar os necessitados, na maioria jovens de 14 ou 15 anos... http://www.youtube.com/
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